ABEV3: o que aconteceu — Ambev aprova recompra e resultado 3T26 Relevância6,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

ABEV3 anuncia lucro de R$ 4,39 bilhões e nova recompra — o que acontece com a ação após o balanço do 3T26?

Lucro acima das estimativas e programa de recompra impulsionam o valor por papel

ABEV3: o que aconteceu com a ação hoje?

Duas notícias positivas sobre a ação ABEV3 na mesma data. A Ambev S.A. informou ao mercado, via fato relevante entregue à CVM, que seu Conselho de Administração aprovou um novo programa de recompra de até 190 milhões de ações ordinárias — com objetivo principal de cancelamento. No mesmo dia, a companhia divulgou os resultados do 3T26: lucro líquido ajustado de R$ 4,39 bilhões, acima das estimativas de analistas que projetavam R$ 3,9 bilhões.

A ação não foi extinta, não está sendo incorporada e não sumiu da corretora. O que aconteceu foi uma combinação de resultado sólido com sinal claro da diretoria de que o caixa da empresa está robusto o suficiente para recomprar papéis — e cancelá-los definitivamente.

Lucro Ajustado 3T26 R$ 4,39 bi

+14,3% sobre o 3T25 (R$ 3,84 bi); acima das estimativas de R$ 3,9 bi

LPA Ajustado R$ 0,28

+15,4% sobre o 3T25 (R$ 0,24); crescimento maior que o do lucro reflete o menor número de ações em circulação

EBITDA Orgânico R$ 7,27 bi

+8,9% a/a; margem de 33,7%, expansão de 0,4 ponto percentual sobre o 3T25

Programa de Recompra 190 mi ações

≈R$ 2,9 bilhões; prazo até 28/04/2028; objetivo principal: cancelamento dos papéis

O que os resultados do 3T26 mostram?

A receita líquida orgânica avançou 7,6% no trimestre, chegando a R$ 21,59 bilhões. O crescimento não veio de volume — os hectolitros consolidados subiram apenas 0,8% —, mas de preço e mix: a receita por hectolitro avançou 6,8%, reflexo direto da estratégia de premiumização. Em Cerveja Brasil, especificamente, volumes cresceram 0,5% enquanto a receita subiu 4,8%.

O lucro por ação ajustado subiu de R$ 0,24 no 3T25 para R$ 0,28 neste trimestre — alta de 15,4%, acima do crescimento do lucro em si (14,3%). A diferença não é coincidência: o programa de recompra de 2025 já havia cancelado 279 milhões de papéis da base total emitida. Com menos ações existindo, o mesmo lucro gera mais retorno por papel. Esse mecanismo começa a se repetir com o novo programa.

Novo programa ou continuidade de uma estratégia?

A Ambev aprova programas de recompra a cada outubro, logo após os resultados do terceiro trimestre. A linha do tempo mostra que isso não é evento pontual — é uma política de alocação do excesso de caixa.

Out 2024 155 milhões de ações aprovadas para recompra; prazo até abril de 2026; objetivo de cancelamento
Out 2025 208 milhões de ações aprovadas — programa atingiu o limite antes do prazo; 279 mi canceladas em seguida (~1,8% da base total)
Out 2026 190 milhões de ações aprovadas; prazo até 28 de abril de 2028; operação via Santander Institucional, Ágora e Goldman Sachs do Brasil

O dado mais relevante da linha do tempo é a velocidade do programa de 2025: aprovado para 18 meses, atingiu o limite de 208 milhões de ações bem antes do prazo. Isso indica que a empresa comprou agressivamente — quando julgou que o preço estava atrativo — e depois cancelou os papéis acumulados. Analistas do BTG Pactual apontam que as recompras ganharam relevância adicional diante da taxação de 10% sobre dividendos remetidos ao exterior, que afeta a AB InBev, controladora da Ambev: ao recomprar e cancelar ações, a empresa eleva a participação relativa da controladora sem precisar distribuir proventos sujeitos a essa tributação.

Cancelar ações é diferente de guardar em tesouraria. Ações em tesouraria não recebem dividendos, mas continuam existindo no capital social — e podem voltar ao mercado no futuro, diluindo os acionistas. Ações canceladas deixam de existir de forma permanente: o lucro de todos os trimestres seguintes é dividido entre um número definitivamente menor de papéis.

Como a recompra com cancelamento aumenta o valor da sua ação

O mecanismo é direto. A Ambev tem mais dinheiro em caixa do que dívidas — a companhia terminou o 2T26 com caixa líquido positivo de R$ 15,4 bilhões, segundo os resultados divulgados. O novo programa é financiado pelas reservas de capital do balanço levantado em 30 de setembro de 2026, sem necessidade de emitir novas ações ou contrair dívida.

Caixa líquido positivo + Cancelamento permanente de ações = Maior lucro por ação nos trimestres seguintes

O novo programa de 190 milhões de ações representaria cerca de 1,2% da base total emitida da companhia (~15,5 bilhões de ações). Se executado e cancelado com a mesma velocidade do programa anterior, o LPA ajustado — que já cresceu 15,4% neste trimestre parcialmente por conta dos 279 mi cancelados em 2025 — ganha outro impulso mecânico nos próximos trimestres.

O que isso muda para quem tem ABEV3?

O que isso muda para quem tem a ação

Se o programa for executado e cancelado, cada ação passa a representar uma fatia proporcionalmente maior da empresa — sem que você precise fazer nada. O LPA sobe pelo mesmo mecanismo do 3T26: menos ações dividindo o mesmo lucro. Os dividendos futuros por papel também tendem a subir, pois o payout é calculado sobre o lucro total e distribuído sobre uma base menor. O risco é a execução: o prazo é de 18 meses, e a velocidade de compra depende do preço e das condições de mercado. Se a ação subir muito, a empresa pode desacelerar as recompras — exatamente o oposto do que fará se o preço recuar. A página da ação ABEV3 no Rico aos Poucos traz a cotação atualizada e os documentos mais recentes da companhia.

O que acompanhar nos próximos meses

1

Velocidade de execução da recompra — se a empresa comprar os 190 milhões de ações em menos de 12 meses (como fez com os 208 mi em 2025), a gestão está dizendo que o preço atual é atrativo. Um programa que anda devagar indica a postura contrária — ou que o preço da ação está alto demais para justificar a compra acelerada.

2

Resultado do 4T26 (divulgação prevista para fevereiro de 2027) — o 3T26 entregou LPA ajustado de R$ 0,28 (+15,4%); o próximo trimestre confirma se a tendência continua. Régua: LPA acima de R$ 0,28 sustenta o ciclo; abaixo, merece investigar se o crescimento foi pontual ou estrutural.

3

Fato relevante de cancelamento das ações recompradas — a aprovação do programa autoriza a recompra; o cancelamento é um ato separado, comunicado via fato relevante à CVM. Quando ocorrer, a redução da base total de ações se torna permanente e começa a aparecer nos indicadores por ação dos trimestres seguintes. Acompanhe como acompanhou em o programa de recompra da Auren (AURE3), aprovado também em outubro.