CVM discute dobrar limite de crowdfunding e criar mercado secundário para ativos tokenizados Relevância4,0
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CVM debate dobrar o limite de captação no crowdfunding e estruturar mercado secundário para tokens

Proposta em análise na autarquia pretende viabilizar a negociação de ativos digitais entre investidores antes do vencimento dos contratos.

O que a CVM está discutindo sobre crowdfunding e tokens?

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou em debate a possibilidade de dobrar o valor máximo permitido para captações via crowdfunding de investimento e estruturar regras para a criação de um mercado secundário formal voltado a ativos tokenizados. O tema foi apresentado durante um painel no evento Token Summit Brasil, que reuniu reguladores e agentes de mercado para tratar da modernização das regras do setor.

A discussão reflete a necessidade de adaptar as normas vigentes ao crescimento das plataformas digitais de investimento e à evolução da infraestrutura baseada em blockchain. Quando o modelo de financiamento coletivo surgiu, os limites foram desenhados para proteger investidores iniciantes e testar a capacidade operacional das plataformas. Com o amadurecimento dos participantes e a digitalização dos títulos de dívida e participações societárias, o teto original passou a ser visto como um gargalo para empresas em busca de recursos.

Além da expansão do limite de captação, o ponto mais relevante para o investidor pessoa física é o desenvolvimento do mercado secundário. Atualmente, quem entra em uma rodada de financiamento coletivo ou compra um ativo digitalizado via plataforma autorizada costuma ficar com o capital travado até o vencimento do contrato ou até a liquidação do negócio, diante da falta de um ambiente organizado de negociação entre compradores e vendedores.

Principais eixos em debate

Captações maiores e liquidez negociável

A CVM avalia dobrar o valor de captação por oferta e criar caminhos formais para a negociação de ativos tokenizados entre investidores.

Por que a criação de um mercado secundário é o ponto central?

A ausência de liquidez é o principal obstáculo que afasta investidores pessoa física do mercado de crowdfunding e de ativos tokenizados. Ao adquirir uma fração de um empreendimento imobiliário, de uma startup ou de um recebível tokenizado, o comprador frequentemente precisa carregar o ativo por anos, sem a opção de vender sua posição caso necessite de caixa antes do prazo acordado.

A proposta em análise pela autarquia pretende regulamentar plataformas onde os próprios investidores possam listar suas frações de contratos e tokens para revenda a outros usuários. Essa engrenagem funciona de forma semelhante ao que ocorre nas bolsas de valores e nos ambientes de balcão organizado, mas com custos operacionais reduzidos devido ao uso da tecnologia distribuída.

Com um mercado secundário estruturado, o risco de liquidez diminui substancialmente. Isso costuma atrair investidores que antes evitavam a modalidade por receio de manter o patrimônio imobilizado. Além disso, a formação de preços passa a ser mais transparente, refletindo a oferta e a demanda em tempo real e não apenas a avaliação inicial feita na emissão primária do título.

O que muda para as empresas emissoras e para o investidor?

Para as empresas que emitem títulos por plataformas autorizadas, a possibilidade de dobrar o limite de captação viabiliza projetos de maior porte que antes precisavam recorrer a estruturas bancárias tradicionais ou a ofertas públicas mais caras e complexas. Isso reduz o custo de capital para pequenas e médias empresas e permite a estruturação de produtos financeiros mais robustos.

Já para o investidor individual, o efeito direto é a ampliação da grade de oportunidades disponíveis na prateleira das plataformas. Projetos com garantias reais mais estruturadas e negócios em estágios mais consolidados podem passar a acessar o crowdfunding, diversificando o leque além das startups em estágio inicial.

Por outro lado, o aumento no tamanho das operações e a facilidade de negociação exigem cuidados redobrados na análise de risco. A tecnologia de tokenização garante apenas o registro e a custódia digital do título; ela não elimina o risco de crédito do emissor, a possibilidade de atraso em pagamentos ou o risco de insucesso do negócio subjacente.

Ponto de atenção para a carteira

Mais liquidez não anula o risco de crédito

A tokenização organiza a titularidade e o mercado secundário facilita a saída, mas a saúde financeira do emissor continua sendo o fator determinante do retorno.

Quais são os próximos passos do debate regulatório?

As discussões apresentadas no Token Summit Brasil indicam uma fase de alinhamento entre o regulador e os intermediários de mercado, que costuma anteceder consultas públicas ou audiências técnicas promovidas pela CVM. O processo regulatório exige estudos de impacto para calibrar exigências de governança, proteção de dados e regras de prevenção a fraudes antes de qualquer alteração definitiva.

Entre os temas que devem ser detalhados estão as exigências técnicas para as plataformas que pretendem operar os livros de ofertas secundárias, os mecanismos de compensação e liquidação dos tokens e os limites de exposição por investidor individual para garantir a adequação de perfil de risco.

Para quem já investe ou estuda alocar em ativos tokenizados, o momento exige acompanhar os comunicados oficiais do regulador e manter a disciplina na seleção de ativos, priorizando plataformas autorizadas e projetos com histórico comprovado de governança e transparência.