IBGE mostra desemprego em 5,3% no tri de agosto — e por que a Selic continua sob pressão
Intermediário

Desemprego em 5,3% e inflação de 2027 em alta pressionam o Banco Central

O Banco Central registrou piora no sentimento empresarial na pesquisa Firmus, enquanto o IBGE confirmou o mercado de trabalho aquecido no trimestre de agosto de 2026.

O que o IBGE e o Banco Central revelaram sobre o mercado de trabalho e a inflação?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, por meio dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O número veio exatamente em linha com as projeções do mercado financeiro e confirma a manutenção de um mercado de trabalho aquecido no país.

Paralelamente, o Banco Central publicou a nova edição da pesquisa trimestral Firmus, realizada com 379 empresas do setor não financeiro entre 10 e 28 de agosto. A pesquisa revelou uma piora relevante no sentimento do setor produtivo: a mediana das expectativas de inflação dos empresários para 2027 subiu de 4,0% no relatório de junho para 4,5% agora. As projeções para 2026 e 2028 foram mantidas em 5,0% e 4,0%, respectivamente.

Aperto nas margens corporativas: Além de projetarem maior inflação para 2027, os empresários consultados pelo Banco Central relataram deterioração na percepção sobre a economia atual pelo segundo trimestre consecutivo, sinalizando pressão de custos com mão de obra e insumos.

Por que o desemprego em 5,3% dificulta o controle da inflação de serviços?

A taxa de desemprego em patamares historicamente baixos indica um cenário próximo do pleno emprego na economia brasileira. Quando a desocupação permanece reduzida, a renda total da população se mantém preservada, o que garante a sustentação do consumo das famílias e da atividade econômica interna.

No entanto, do ponto de vista do controle inflacionário, esse dinamismo cria um desafio persistente para o Banco Central. A escassez de mão de obra eleva o custo salarial das empresas, repassado diretamente aos preços finais — em especial no segmento de serviços, que é altamente dependente de trabalho humano e possui forte inércia.

Essa combinação de atividade forte com repasse de custos salariais impede a desaceleração mais rápida dos índices de preços. É justamente esse diagnóstico que justifica a postura cautelosa da autoridade monetária em manter a taxa Selic em níveis restritivos por um período prolongado.

Taxa de Desemprego (IBGE) 5,3% Tri encerrado em agosto/26
Expectativa Inflação 2027 (Firmus/BC) 4,5% Anterior: 4,0% no relatório de junho
Projeção Inflação 2026 5,0% Mantida na pesquisa do BC
Fechamento do Ibovespa 182.991,12 Variação diária de -0,26%

O que a pesquisa Firmus do Banco Central indica sobre as empresas?

O levantamento Firmus do Banco Central traz uma fotografia do setor real da economia, sem a interferência do mercado financeiro tradicional. Os dados coletados junto a 379 executivos mostram que o otimismo empresarial vem perdendo espaço diante da escalada dos custos operacionais.

A percepção negativa estendeu-se tanto para a situação econômica geral do país quanto para o desempenho individual do setor de cada companhia. Os empresários apontaram que esperam custos mais elevados com mão de obra e insumos nos próximos trimestres, o que reduz as margens de lucro esperadas e alimenta a expectativa de remarcações de preços mais intensas em 2027.

Embora a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) relatada pelas empresas tenha apresentado avanço na comparação com a leitura anterior, esse crescimento acompanhado de custos em alta reforça a tese de uma economia rodando acima de sua capacidade sustentável sem gerar pressões inflacionárias.

Como este cenário afeta a renda fixa e o caixa do investidor?

O alinhamento entre o desemprego baixo divulgado pelo IBGE e as expectativas inflacionárias desancoradas apuradas pelo Banco Central impacta diretamente a precificação dos ativos de renda fixa na carteira do investidor pessoa física.

Efeitos práticos por classe de investimento

  • Reserva de caixa e liquidez imediata: A perspectiva de Selic alta por mais tempo favorece aplicações pós-fixadas (como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária), que seguem entregando rentabilidade real atraente sem risco de volatilidade no principal.
  • Títulos atrelados à inflação (IPCA+): A atividade econômica aquecida e a pressão sobre as taxas de juros no longo prazo mantêm os juros reais do Tesouro IPCA+ elevados. Isso pode gerar volatilidade negativa via marcação a mercado no curto prazo para papéis longos, mas abre oportunidades para carregar taxas reais elevadas até o vencimento.
  • Renda variável e Ibovespa: No pregão, o Ibovespa fechou em 182.991,12 pontos, recuando 0,26%. A combinação de juros altos para conter a inflação e aumento dos custos corporativos exige maior seletividade em ações de empresas alavancadas ou dependentes de crédito direto ao consumidor.

O que acompanhar nos próximos indicadores econômicos?

Para os próximos meses, a atenção do mercado se volta para o comportamento contínuo dos dados de emprego da PNAD Contínua do IBGE e para as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) quanto ao patamar terminal e à duração do ciclo da Selic.

Outro ponto crítico para o investidor monitorar é a evolução dos índices de inflação corrente, como o IPCA e o IGP-M, além de novas sondagens de confiança do comércio, serviços e indústria. Caso as expectativas de inflação para prazos mais longos continuem se afastando das metas do governo, o custo dos juros na economia tende a permanecer salgado por um período ainda mais estendido.