Dólar a R$ 5,08: vale a pena investir lá fora agora?
Sim, desde que o objetivo seja proteção patrimonial e não tentar adivinhar a cotação exata da moeda nos próximos dias. Segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney, postergar a internacionalização à espera de uma queda milagrosa do câmbio é um dos equívocos mais recorrentes do investidor pessoa física. O momento ainda conta com os títulos do Tesouro americano (Treasuries) entregando remunerações próximas dos maiores patamares em mais de 20 anos, criando uma oportunidade estrutural de renda fixa em moeda forte.
A moeda norte-americana havia caído temporariamente abaixo da marca simbólica de R$ 5,00 logo após o término do primeiro turno. Porém, ao longo desta semana, o dólar engatou uma alta de quase 2%, negociado ao redor de R$ 5,08. O repique reacendeu a dúvida de quem ficou de fora: faz sentido converter reais agora ou vale a pena aguardar o desfecho eleitoral?
Moeda retomou patamar acima de R$ 5 após recuo inicial pós-1º turno.
Pressão renovada por pesquisas que apontam segundo turno acirrado.
Previsão para 3 meses, sob condição estrita de ajuste fiscal.
Por que o câmbio voltou a subir nesta semana?
A principal força motriz do repique cambial foi o acirramento das pesquisas eleitorais para a etapa final da disputa. Conforme reportado pelo InfoMoney, o alívio que puxou o dólar para baixo de R$ 5,00 deu lugar à cautela do mercado com a governabilidade e o futuro equilíbrio das contas públicas brasileiras.
Nas semanas anteriores, analistas atribuíam a valorização dos ativos domésticos a um cenário em que o Congresso recém-eleito funcionaria como âncora fiscal. No entanto, números mostrando um segundo turno mais apertado reintroduziram prêmios de risco na curva de juros e no mercado à vista de câmbio. A volatilidade recente ilustra a dificuldade quase impossível de cravar o piso do dólar para fazer remessas pontuais.
O que o Goldman Sachs projeta para o dólar?
O banco Goldman Sachs projeta a moeda norte-americana em R$ 4,70 no horizonte de três meses, mas fixou pré-requisitos rígidos para isso acontecer. O relatório, distribuído na terça-feira (13), condicionou a valorização do real à consolidação de um ajuste fiscal crível e a uma governabilidade favorável após o término das eleições.
Contudo, a própria publicação do InfoMoney ressalva que a avaliação do Goldman Sachs foi elaborada antes dos levantamentos de intenção de voto revelarem uma disputa mais parelha. Caso o cenário fiscal continue nebuloso ou surjam ruídos na política interna, a taxa de câmbio pode perfeitamente se afastar dessa trajetória de apreciação e permanecer estressada.
Depende de ajuste fiscal rápido e ambiente de governabilidade estável pós-eleição.
Deterioração das expectativas de contas públicas e disputa política prolongada.
O erro de comparar investimento no exterior com a taxa doméstica
Alocar recursos no exterior não tem o propósito de superar o rendimento nominal do CDI em reais no curto prazo. Especialistas ouvidos pelo veículo enfatizam que aplicar lá fora serve como instrumento de diversificação de risco soberano. Quando o investidor busca rentabilidade acima dos juros brasileiros de dois dígitos em moeda fraca, comete uma falha conceitual de base.
Ter exposição internacional assegura que parte do seu patrimônio permaneça lastreado na moeda utilizada na liquidação da maior parte das trocas globais. Se as contas públicas internas desandarem e o real se desvalorizar expressivamente, é a parcela dolarizada que impede o encolhimento do seu poder de compra global, mesmo que os juros locais nominais pareçam atraentes na largada.
- Treasuries em níveis históricos: Títulos públicos dos EUA pagam rendimentos próximos dos recordes em mais de duas décadas, viabilizando renda fixa conservadora de padrão global.
- Proteção de cauda: Ter ativos no exterior preserva o patrimônio pessoal de choques políticos, fiscais e institucionais restritos ao Brasil.
- Custo de oportunidade do CDI: Manter recursos aplicados no Brasil oferece retorno nominal elevado no curto prazo, o que desestimula quem visa lucros rápidos.
- Oscilação cambial imediata: Comprar em momento de repique eleitoral pode gerar perdas nominais em reais caso ocorra uma distensão política no pós-pleito.
Como montar a posição sem cair na armadilha do timing
A resposta clássica dos analistas de mercado para lidar com a volatilidade cambial é a compra programada e recorrente. Em vez de executar uma conversão maciça em um único dia sob a pressão do noticiário, o investidor divide o volume pretendido em fatias mensais menores, diluindo o preço médio do dólar ao longo do tempo.
Com essa postura, se o dólar recuar em direção aos R$ 4,70 desenhados pelo Goldman Sachs, você aproveita as cotações inferiores nas rodadas seguintes. Por outro lado, caso a tensão persista e a cotação supere os R$ 5,08 atuais, as compras já efetuadas garantiram proteção prévia à carteira. Quem tenta descobrir a mínima do dólar para agir costuma ficar eternamente esperando, vendo o patrimônio 100% concentrado nas incertezas de um único país.
Se você tem patrimônio focado apenas no Brasil, o repique para R$ 5,08 não deve paralisar seus planos de internacionalização. Trate o investimento fora como seguro obrigatório contra o risco-país. Estabelecer remessas periódicas elimina a angústia de tentar adivinhar a cotação do pregão seguinte e permite travar taxas expressivas nos títulos soberanos dos Estados Unidos.
O momento segue propício para quem investe com horizonte longo, já que as Treasuries oferecem juros que não eram vistos há gerações. O segredo não está em tentar bater o piso do câmbio, mas em parcelar suas compras para amortecer a montanha-russa do segundo turno e blindar seu poder de compra com ativos em moeda forte.