Ações para as Eleições 2026: O que comprar nos cenários Lula e Flávio Bolsonaro, segundo bancos e gestoras Relevância2,0
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O que bancos e gestoras recomendam comprar para cada cenário das eleições de 2026

O levantamento mostra quais estatais, construtoras e varejistas ganham ou perdem com cada candidato

Quais ações ganham em cada cenário das eleições de 2026?

Depende de quem vencer. Segundo o levantamento de bancos e gestoras publicado pela InfoMoney, uma vitória de Lula favorece estatais de perfil social, varejo e construção de baixa renda, enquanto a eleição de Flávio Bolsonaro tende a impulsionar estatais voltadas a privatizações, saneamento e o setor financeiro tradicional.

O cenário eleitoral de 2026 começa a se desenhar com um cenário de empate técnico nas pesquisas, o que obriga o mercado financeiro a traçar estratégias de proteção e alocação tática. Para o investidor pessoa física, entender esses movimentos não significa tentar adivinhar o resultado das urnas, mas sim preparar o portfólio para as oscilações de preços que devem se intensificar à medida que a campanha avança. Os analistas das principais instituições do país dividem as teses de investimento em duas grandes avenidas de crescimento, a depender do modelo econômico que sairá vitorioso.

O que muda para as estatais sob Lula ou Flávio Bolsonaro?

A governança e a destinação do caixa das empresas controladas pelo governo são os pontos de maior divergência entre as duas candidaturas. Conforme apontam os analistas de mercado, uma eventual vitória de Lula sinaliza a manutenção de uma política de forte investimento público e uso das estatais como indutoras do desenvolvimento social. Para a Petrobras (PETR4) e o Banco do Brasil (BBAS3), as gestoras avaliam que isso se traduz em uma postura mais conservadora na distribuição de dividendos extraordinários, priorizando o reinvestimento em refino, transição energética e crédito subsidiado.

Por outro lado, em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, as gestoras preveem uma reação imediata de destravamento de valor para essas mesmas companhias. A expectativa de uma agenda liberal, focada em desestatizações e redução da interferência política, tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores estrangeiros. O Banco do Brasil, por exemplo, poderia ver seus múltiplos de avaliação se aproximarem dos pares privados (como Itaú e Bradesco), enquanto a Petrobras voltaria a ser vista como uma geradora de dividendos focada exclusivamente na exploração de petróleo em águas profundas.

Quais setores de consumo e construção civil são afetados por cada candidato?

A dinâmica do consumo doméstico e do mercado imobiliário responde diretamente às políticas de transferência de renda e estímulo ao crédito de cada governo. No cenário de continuidade do atual governo Lula, as instituições financeiras destacam o favoritismo das construtoras focadas na baixa renda, como Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3) e Plano&Plano (PLPL3). Essas empresas se beneficiam diretamente de subsídios habitacionais robustos e da expansão do programa Minha Casa, Minha Vida. No varejo, o foco em programas de transferência de renda e renegociação de dívidas tende a favorecer o consumo de bens não duráveis e o varejo alimentar.

No cenário de oposição liderado por Flávio Bolsonaro, a tese de investimento se desloca para o consumo de média e alta renda e para o varejo de moda e eletrodomésticos de maior valor agregado. Os analistas explicam que uma política econômica focada no controle de gastos públicos e na redução de impostos corporativos tende a aliviar a curva de juros futuros. Com juros mais baixos a médio prazo, o custo do crédito cai, beneficiando empresas que dependem do financiamento ao consumidor final e construtores voltados para a classe média, que hoje sofrem com os juros elevados.

Como o mercado financeiro e as concessões reagem a cada governo?

O apetite por risco e a atratividade de setores regulados, como saneamento e energia elétrica, variam drasticamente conforme a sinalização regulatória de Brasília. No cenário de Flávio Bolsonaro, bancos e gestoras apontam que o setor de saneamento e as empresas de energia elétrica seriam grandes beneficiados pela continuidade do marco do saneamento e pelo avanço de novas concessões e privatizações estaduais. Empresas privadas de infraestrutura e concessionárias de rodovias encontrariam um ambiente de negócios mais previsível e amigável ao capital privado.

Já no cenário de Lula, o mercado projeta um foco maior em investimentos em infraestrutura via parcerias público-privadas (PPPs) tradicionais, com forte participação do BNDES como financiador de longo prazo. Setores como educação privada de ensino superior (Cogna e Yduqs) também ganham relevância nessa carteira, impulsionados pela expectativa de fortalecimento de programas federais de financiamento estudantil e bolsas de estudo. O setor financeiro tradicional, por sua vez, precisaria lidar com uma maior concorrência de bancos públicos na concessão de crédito imobiliário e agrícola.

Como o investidor pessoa física deve posicionar a carteira agora?

A principal recomendação dos especialistas para o investidor comum é evitar apostas binárias que coloquem todo o patrimônio em risco. O empate técnico apontado pelas pesquisas mostra que o cenário está totalmente aberto, e montar uma carteira excessivamente exposta a apenas um dos lados pode gerar perdas severas se a previsão não se confirmar. A estratégia mais prudente, segundo as casas de análise, é buscar empresas resilientes, com forte geração de caixa e baixa dependência de decisões governamentais diretas — as chamadas ações "neutras" ou defensivas.

Além disso, a diversificação internacional e a alocação em ativos de renda fixa atrelados à inflação continuam sendo ferramentas essenciais de proteção contra a volatilidade política. À medida que as eleições se aproximam, o mercado de câmbio e a bolsa de valores devem apresentar oscilações bruscas a cada nova pesquisa eleitoral. Manter a disciplina, focar nos fundamentos das empresas e não tomar decisões precipitadas com base no noticiário político diário são as chaves para atravessar o ano eleitoral sem comprometer o plano de acumulação de riqueza de longo prazo.