- O que aconteceu: A Gerdau reportou EBITDA ajustado de R$ 3,8 bilhões no 3T26 (+9,9% frente ao 2T26), atingindo o maior patamar operacional desde o 2T23.
- O que mudou: A operação na América do Norte respondeu por mais de 76% do EBITDA consolidado do grupo, compensando o mercado interno ainda pressionado no Brasil.
- O que vigiar: A distribuição de R$ 0,34 por ação em dividendos (data com em 10/11/2026) e o início das operações do projeto de mineração Miguel Burnier no 4T26.
GGBR4: o que aconteceu no resultado do 3T26?
A Gerdau S.A. divulgou à CVM que alcançou um EBITDA ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 9,9% na comparação com o segundo trimestre do ano (2T26) e crescimento de 37,8% frente ao mesmo período de 2025. Com esse resultado, a rentabilidade operacional medidamente pela margem EBITDA ajustada avançou para 20,2% — o maior patamar registrado pela companhia desde o segundo trimestre de 2023.
A ação GGBR4 reflete a entrega de um lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão no período, montante 3,9% superior ao apurado no 2T26 e 39,7% acima do registrado no 3T25. O lucro por ação situou-se em R$ 0,79 no trimestre. Em termos de volume físico, as vendas globais de aço somaram 2,914 milhões de toneladas, mantendo estabilidade frente às 2,908 milhões de toneladas vendidas no trimestre imediatamente anterior.
A administração da empresa destacou na mensagem aos acionistas que a expansão da receita líquida para R$ 18,691 bilhões (+4,6% vs 2T26) decorreu precipuamente da evolução favorável dos preços praticados na América do Norte, capacidade que absorveu o incremento nos custos de produção no período.
De onde veio o lucro? América do Norte puxa o resultado da Gerdau
As operações da América do Norte consolidaram-se como o motor financeiro central da companhia, gerando R$ 2,866 bilhões em EBITDA no trimestre — o equivalente a mais de 76% do resultado operacional consolidado do grupo. A margem EBITDA dessa divisão alcançou 27,7%, sustentada por uma carteira de pedidos mantida acima das médias históricas do setor.
Em contrapartida, os negócios no Brasil registraram EBITDA ajustado de R$ 741 milhões no 3T26 (+5,2% frente ao 2T26). Segundo o relatório entregue ao mercado, a divisão brasileira convive com oferta elevada de aço importado e taxas de juros em patamares restritivos que pesam sobre a demanda doméstica. A capacidade instalada de aço bruto do grupo no país passou por readequação, ajustada de 7,9 milhões para 7,7 milhões de toneladas anuais.
A unidade da América do Sul apresentou desaceleração no período: o EBITDA recuou 22,0% em relação ao 2T26, fechando em R$ 160 milhões. O contraste geográfico evidencia como a presença geográfica diversificada permitiu blindar o balanço geral contra retrações pontuais em mercados emergentes.
Dividendo da GGBR4: quanto a Gerdau vai pagar e quem tem direito?
A Gerdau anunciou a aprovação de R$ 667,0 milhões em dividendos referentes ao resultado do 3T26, o que corresponde ao valor de R$ 0,34 por ação. O montante aprovado será repassado aos detentores de posições acionárias na companhia conforme o calendário oficial divulgado pela administração.
A data-base definida para a determinação dos acionistas com direito ao provento é o dia 10 de novembro de 2026. A partir do dia 11 de novembro de 2026, as **ações da Gerdau (GGBR4)** passam a ser negociadas em ex-dividendos na B3. O crédito efetivo nas contas dos investidores ocorrerá em 15 de dezembro de 2026.
Adicionalmente ao provento direto, a companhia informou ter destinado R$ 344,1 milhões para a execução de seu programa ativo de recompra de ações, cifra que equivale a 32% do volume total previamente autorizado pelo conselho de administração.
Como estão as dívidas, alavancagem e perspectiva dos ratings?
A Gerdau reduziu sua alavancagem financeira para 0,58x a relação Dívida Líquida/EBITDA ajustado, ante 0,69x observados ao final do segundo trimestre de 2026 e 0,81x no encerramento do 3T25. O índice atual situa-se abaixo do teto estipulado pelas políticas internas de riscos da empresa.
O fluxo de caixa livre da siderúrgica encerrou o 3T26 no terreno positivo em R$ 1,439 bilhão, favorecido principalmente pela descompressão e menor necessidade de capital de giro na operação diária. No acumulado dos primeiros nove meses do ano (9M26), a geração de caixa livre atinge R$ 1,692 bilhão, revertendo o resultado negativo registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
A melhora nos indicadores de crédito levou as agências globais de classificação de risco Fitch Ratings e S&P Global Ratings a alterarem formalmente a perspectiva do rating de crédito da Gerdau de "estável" para "positiva". Paralelamente, a estrutura de liquidez da empresa foi reforçada pela renovação da linha de crédito rotativa (RCF) por mais 5 anos, com expansão do limite de US$ 875 milhões para US$ 1,125 bilhão.
O que muda para quem tem a ação GGBR4 na carteira?
Para quem possui ações da Gerdau na carteira de investimentos, o resultado valida a resiliência operacional da tese baseada em ativos internacionais. A capacidade de converter o ambiente forte de preços nos Estados Unidos em fluxo de caixa assegura o pagamento constante de proventos sem comprometer o balanço patrimonial da empresa.
Você recebe R$ 0,34 por ação em proventos sem ter a saúde financeira da empresa comprometida. A dívida líquida caiu para 0,58x o EBITDA e a empresa gera caixa livre positivo (R$ 1,4 bi no trimestre). O risco principal passa a ser o acompanhamento dos preços e da demanda do setor imobiliário e industrial nos EUA, que sustentam mais de três quartos do resultado.
Os investimentos em capital de giro e infraestrutura (CAPEX) somaram R$ 955 milhões no 3T26, acumulação de R$ 3,1 bilhões no ano. Os recursos sustentam obras operacionais e expansões estratégicas sem necessidade de aumento no endividamento bruto de curto prazo.
O que acompanhar na Gerdau a partir de agora?
Nos próximos trimestres, o foco do investidor deve se concentrar na execução do cronograma de expansão e na capacidade de absorção de volumes nos mercados locais. O avanço de projetos estratégicos definirá a criação de valor adicional para os próximos anos.
Start-up do Projeto Miguel Burnier — Acompanhar a conclusão dos testes integrados e o início operacional da mineração no 4T26.
Expansão da usina de Midlothian — Monitorar a entrega física das obras programadas para o final de 2026 nos Estados Unidos.
Entrada em operação do Centro de Pindamonhangaba — Avaliar os ganhos de competitividade operacional trazidos pela unidade de reciclagem no Brasil.
A continuidade da rentabilidade dependerá de os preços do aço se manterem firmes na América do Norte e do eventual controle do volume de aços importados que entram no mercado brasileiro.
A Gerdau (GGBR4) entregou um 3T26 forte do ponto de vista operacional, com o EBITDA ajustado de R$ 3,8 bilhões superando as marcas dos últimos três anos. A alavancagem em 0,58x e o fluxo de caixa de R$ 1,4 bilhão dão suporte confortável ao pagamento de R$ 0,34 por ação em dividendos marcados para dezembro.