Gráfico de ações da IBM em forte queda vermelha na tela de um pregão da bolsa de Nova York
URGENTE

IBM despenca 25% e perde US$ 67 bilhões em um dia: a pior queda da sua história

Não foi fraude nem crise: os clientes tiraram dinheiro do software para comprar hardware antes da alta de preços — e essa troca diz muito sobre o momento da IA.

Direto ao ponto: a IBM caiu 25,2% em um único pregão, o pior dia da sua história de mais de cem anos. Grave para quem tem a ação? Sim. Sistêmico? Não. Não foi rombo contábil nem colapso da demanda por tecnologia — foi uma mudança de para onde os clientes estão mandando o dinheiro. Se você tem BDR IBMB34 ou um ETF de S&P 500, o susto é pontual: a IBM pesa pouco no índice.

Em 14 de julho de 2026, a ação da IBM saiu de US$ 290,23 para cerca de US$ 217. Nenhum registro de mercado da empresa mostra queda diária desse tamanho — nem o Black Monday de 1987, quando a ação caiu 23,7%. O estopim foi uma prévia de resultados fraca, mas o mercado leu o motivo por trás dela e não entrou em pânico com o setor de tecnologia como um todo.

A queda em uma frase: a IBM antecipou (deu uma "prévia") números do 2º trimestre abaixo do esperado — receita de US$ 17,2 bilhões contra US$ 17,86 bilhões previstos — porque seus clientes correram para comprar servidores e memória antes de um aumento de preços, adiando compras de software. Resultado: US$ 67 bilhões de valor de mercado evaporaram em um pregão.

Os números do pior dia da IBM

Queda no dia −25,2% pior que o Black Monday de 1987 (−23,7%)
Valor de mercado perdido US$ 67 bi em um único pregão; market cap foi a ~US$ 205 bi
Receita do 2º tri (prévia) US$ 17,2 bi contra US$ 17,86 bi esperados (−3,7%)
Marco na história Desde 1968 pior dia desde o início das séries de mercado

Market cap é o valor de mercado da empresa — o preço de cada ação multiplicado pelo total de ações. Quando ela cai 25% em um dia, é como se um quarto da companhia tivesse sumido aos olhos de quem investe, mesmo que as fábricas, os contratos e a marca continuem no lugar.

Por que a IBM caiu

A cadeia, em ordem: escassez de chips de memória → hardware ficando mais caro → clientes anteciparam a compra de hardware → adiaram gastos com software → a receita de software da IBM cresceu só 5% (a meta era dois dígitos) e a de infraestrutura caiu 7%.

Desde o fim de 2025, Samsung, SK Hynix e Micron vêm priorizando a fabricação de chips de memória para os data centers de inteligência artificial. Com a linha de produção voltada para a IA, sobra menos memória "comum" — a que vai em servidores e computadores do dia a dia — e o preço dela sobe. Nas últimas semanas de junho, os clientes da IBM anteciparam compras de servidores, storage e memória para travar preço antes do aumento.

Esse dinheiro saiu de algum lugar: do orçamento de capex das empresas. Capex é o gasto com bens duráveis (máquinas, servidores, equipamentos). Quando a empresa gasta mais capex comprando hardware agora, ela adia contratos de software — e é justamente software o que a IBM mais queria vender. O CEO Arvind Krishna resumiu: o trimestre foi "pior que nossas expectativas" e a empresa "não se adaptou rápido o suficiente". Grandes contratos que deveriam fechar no prazo ficaram para depois.

Foi contágio ou caso isolado?

Empresa / índiceSegmentoNo pregão de 14/07
IBMSoftware + infraestrutura−25,2%
ServiceNowSoftware−4,9%
MicrosoftSoftware−1,6%
SalesforceSoftware−1,5%
IGV (ETF de software)Cesta de software+0,84%
DellHardware+7,1%
NetAppHardware / storage+6,4%
MicronChips de memória+5,6%

O mercado leu como rotação, não como pânico. Se fosse colapso da demanda por tecnologia, todo o setor cairia junto. Em vez disso, o ETF de software (IGV) chegou a virar positivo no meio do dia e as fabricantes de hardware subiram forte — exatamente o outro lado da moeda: o dinheiro que saiu do software foi para o hardware. A pancada de 25% ficou concentrada na IBM.

O que dizem os analistas

BofA — mantém Compra US$ 280 preço-alvo cortado de US$ 330
Evercore ISI — Outperform US$ 310 recomendação reiterada
HSBC — rebaixou p/ Reduce US$ 191 visão mais pessimista da casa

As casas se dividiram: duas mantiveram a tese de compra (cortando ou reafirmando o alvo), enquanto a HSBC rebaixou a recomendação. Preço-alvo é a estimativa de para onde o analista acha que a ação vai — não uma garantia, e a diferença entre US$ 191 e US$ 310 mostra como a leitura ainda está em aberto.

O que acompanhar agora

Marco decisivo — 22 de julho de 2026: a IBM divulga os resultados oficiais completos, com o guidance (a projeção da própria empresa) para o restante do ano. É aí que a companhia dirá se enxerga o baque como pontual ou duradouro.

Três sinais dirão se foi um tropeço ou uma tendência: os contratos atrasados de fato fecham no segundo semestre? A receita de software volta a acelerar para os dois dígitos prometidos? E a escassez de memória persiste, mantendo os clientes focados em hardware? A resposta a essas perguntas vale mais para a tese do que a queda de um único dia.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Quem investe no Brasil pode ter exposição à IBM por dois caminhos: o BDR IBMB34 (que espelha a ação lá fora) ou um ETF de S&P 500. Nos ETFs de índice, o susto é diluído — a IBM pesa cerca de 0,4% do S&P 500, então uma queda de 25% na ação mexe muito pouco na cota. A lição maior vale para qualquer carteira: até uma empresa centenária, fundada em 1911 e tida como "segura", pode cair um quarto do seu valor em um único pregão. Diversificação não é opcional — é o que impede que um dia ruim de uma única ação vire um dia ruim para o seu patrimônio. Se quiser visualizar sua exposição por ativo, a carteira do Meu Painel ajuda a enxergar isso.

A queda da IBM não foi um acidente: foi a conta da IA chegando para quem vende software. Enquanto o mercado celebra os data centers de inteligência artificial, o dinheiro que os paga está saindo do orçamento de alguém — e o pregão de 14 de julho mostrou de quem. Hardware subiu, software travou, e a empresa que mais depende de software levou a pior queda da sua história.
Aviso e fontes

Este conteúdo é material informativo e educacional, não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Dados referentes ao pregão de 14 de julho de 2026 e apurados em 15 de julho de 2026, com base em CNBC, Bloomberg, Forbes e Yahoo Finance. Preços e alvos de analistas podem ter mudado desde a publicação.