LSAG11: o que aconteceu com o Fiagro e o dividendo de R$ 1,05 Relevância8,0
Intermediário

LSAG11 paga R$ 1,05 por cota em julho e aguarda votação sobre fusão

O patrimônio líquido subiu para R$ 100,18 milhões, mas 40% da carteira está concentrada em um único devedor.

O que aconteceu com o LSAG11 em julho?

Os dividendos não caíram. Ao contrário do que indicavam as projeções e os dados preliminares do mercado (que apontavam para uma distribuição de R$ 1,00 por cota), o relatório gerencial de julho do fundo imobiliário LSAG11 (Riza Agro II) confirmou o pagamento de R$ 1,05 por cota. A distribuição mantém a linha de estabilidade que o fundo carrega desde janeiro de 2026.

Outra surpresa positiva veio na cota patrimonial. O valor contábil do fundo subiu para R$ 99,26 por cota em julho, superando os R$ 98,03 registrados em junho e os R$ 97,88 de maio. Com isso, o patrimônio líquido do Fiagro rompeu a barreira anterior e fechou o mês em R$ 100,18 milhões (era R$ 98,9 milhões na leitura passada).

Último Dividendo R$ 1,05 Estável desde jan/26
Cota Patrimonial R$ 99,26 R$ 98,03 no mês anterior
P/VP Atual 0,79 Desconto de 21%
Patrimônio Líquido R$ 100,2M R$ 98,9M no período anterior

A incorporação pelo RZAG11 vai mesmo acontecer?

Ainda depende dos cotistas. A proposta de incorporação do LSAG11 pelo RZAG11 (ambos geridos pela Riza Asset Management) foi protocolada via Assembleia Geral Extraordinária (AGE) e segue aguardando deliberação. Por se tratar de uma transação entre partes relacionadas, o processo exige cuidado redobrado na análise da relação de troca de cotas.

A gestão defende que a fusão trará ganhos claros de escala. Se aprovada, a operação criará um fundo combinado com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 765 milhões. Para o cotista do LSAG11, as principais promessas são:

  • Redução de custos: A taxa de administração cairá de 1,40% a.a. para 1,15% a.a.
  • Liquidez: O LSAG11 sofre hoje com um volume médio de negociação extremamente baixo, de apenas R$ 124 mil por dia. A migração para o RZAG11 resolve essa barreira de saída.
  • Diversificação: Acesso imediato ao pipeline de ativos e à carteira mais robusta do RZAG11, diluindo riscos de crédito individuais.

Atenção ao compasso de espera

Enquanto a assembleia não ocorre, o investidor fica em uma espécie de "limbo". Não vale a pena montar posições grandes agora apenas especulando na arbitragem da fusão, pois o resultado depende exclusivamente do voto dos cotistas.

Como funciona o histórico de dividendos do LSAG11?

A estabilidade é a marca. Desde o início de 2026, o fundo vem entregando exatamente R$ 1,05 por cota todos os meses. Essa consistência garante um Dividend Yield anualizado de 17,33% sobre a cota de mercado de R$ 78,31 (preço de fechamento do relatório de julho).

A política de rendimentos do fundo é previsível: a divulgação ocorre sempre no último dia útil de cada mês (a chamada "data com"), com a cota ficando "ex-rendimentos" no primeiro dia útil do mês seguinte. O pagamento cai na conta dos cotistas no 10º dia útil.

Para os meses de agosto e setembro de 2026, a gestão já sinalizou em seu gráfico de projeções que a expectativa é manter o patamar de R$ 1,05 por cota. Veja abaixo o comportamento recente das distribuições:

Mês de Referência Dividendo por Cota (R$) Status
Janeiro/2026 1,05 Pago
Fevereiro/2026 1,05 Pago
Março/2026 1,05 Pago
Abril/2026 1,05 Pago
Maio/2026 1,05 Pago
Junho/2026 1,05 Pago
Julho/2026 1,05 Pago (Atual)
Agosto/2026 1,05 Projetado
Setembro/2026 1,05 Projetado

Quais são os riscos dos ativos vencendo no portfólio?

Cerca de 16% da carteira. Três ativos importantes do portfólio do LSAG11 tinham vencimento programado para o curtíssimo prazo, gerando o chamado risco de reinvestimento. São eles:

  • Semeagro (CRA): 9,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/07/2026 (taxa de CDI + 5,56%).
  • Atlas Agro (CRA): 4,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/07/2026 (taxa de CDI + 4,00%).
  • Renovagro (CRA): 3,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/08/2026 (taxa de CDI + 4,50%).

Com o vencimento desses títulos, o gestor recebe o dinheiro de volta e precisa realocá-lo. O desafio é que encontrar novos ativos de crédito com taxas tão elevadas (como CDI + 5,56%) sem aumentar o risco de crédito da carteira é uma tarefa complexa no cenário macroeconômico atual. Se os novos ativos forem originados a taxas menores, a capacidade de distribuição de dividendos futuros pode ser pressionada.

Por que a concentração no Grupo Úbere exige atenção?

Quarenta por cento do patrimônio. O portfólio do LSAG11 possui 20 ativos, mas a distribuição de peso entre eles é altamente desigual. O Grupo Úbere representa, sozinho, 40,0% do patrimônio líquido do fundo, por meio de uma Cédula de Produto Rural (CPR) financeira com taxa de CDI + 3,00% e vencimento em dezembro de 2030.

Essa concentração é um fator de risco crítico para um Fiagro de pequeno porte. Caso o devedor enfrente qualquer dificuldade operacional ou financeira que atrase os pagamentos, quase metade da receita do fundo seria afetada de imediato. Para fins de comparação, o segundo maior ativo da carteira é o FII Riza Kafe, com 15,0% de participação (CDI + 4,75%).

Abaixo, veja a estrutura dos principais ativos que compõem a carteira de crédito do LSAG11:

Ativo / Devedor Tipo Peso na Carteira (%) Indexador / Taxa Vencimento
Grupo Úbere CPR 40,0% CDI + 3,00% 01/12/2030
Riza Kafe Fundo 15,0% CDI + 4,75% 01/04/2033
Semeagro CRA 9,0% CDI + 5,56% 01/07/2026 (Vencido)
Atafona Sementes CRA 6,0% CDI + 0,025% 32/09/2032
Atlas Agro CRA 4,0% CDI + 4,00% 01/07/2026 (Vencido)
Renovagro CRA 3,0% CDI + 4,50% 01/08/2026 (Vencendo)

LSAG11 vale a pena com desconto de 21% na cotação?

O desconto é real, mas a cautela deve imperar. Negociado a R$ 78,31 contra um valor patrimonial de R$ 99,26, o LSAG11 apresenta um P/VP de 0,79. Esse desconto de 21% é atrativo e reflete as fragilidades estruturais do fundo: base pequena de cotistas (apenas 2.550 investidores) e liquidez diária asfixiante de R$ 124 mil.

Se a incorporação pelo RZAG11 for aprovada, o investidor que comprar LSAG11 com desconto poderá capturar valor na relação de troca, migrando para um fundo maior e mais líquido sem a penalidade do desconto atual. No entanto, se a assembleia rejeitar a proposta, o fundo continuará carregando os riscos de reinvestimento dos ativos vencidos e a pesada concentração de 40% no Grupo Úbere.

Veredicto Rico aos Poucos: MANTER

Mantemos a recomendação de aguardar a definição da incorporação antes de realizar novos aportes. O fundo mostrou resiliência operacional ao segurar o dividendo em R$ 1,05 e expandir o valor patrimonial, mas a incerteza jurídica da fusão e a baixa liquidez tornam o ativo inadequado para novas compras no momento. Quem já tem em carteira pode segurar para acompanhar a votação da AGE.