O que aconteceu com o LSAG11 em julho?
Os dividendos não caíram. Ao contrário do que indicavam as projeções e os dados preliminares do mercado (que apontavam para uma distribuição de R$ 1,00 por cota), o relatório gerencial de julho do fundo imobiliário LSAG11 (Riza Agro II) confirmou o pagamento de R$ 1,05 por cota. A distribuição mantém a linha de estabilidade que o fundo carrega desde janeiro de 2026.
Outra surpresa positiva veio na cota patrimonial. O valor contábil do fundo subiu para R$ 99,26 por cota em julho, superando os R$ 98,03 registrados em junho e os R$ 97,88 de maio. Com isso, o patrimônio líquido do Fiagro rompeu a barreira anterior e fechou o mês em R$ 100,18 milhões (era R$ 98,9 milhões na leitura passada).
A incorporação pelo RZAG11 vai mesmo acontecer?
Ainda depende dos cotistas. A proposta de incorporação do LSAG11 pelo RZAG11 (ambos geridos pela Riza Asset Management) foi protocolada via Assembleia Geral Extraordinária (AGE) e segue aguardando deliberação. Por se tratar de uma transação entre partes relacionadas, o processo exige cuidado redobrado na análise da relação de troca de cotas.
A gestão defende que a fusão trará ganhos claros de escala. Se aprovada, a operação criará um fundo combinado com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 765 milhões. Para o cotista do LSAG11, as principais promessas são:
- Redução de custos: A taxa de administração cairá de 1,40% a.a. para 1,15% a.a.
- Liquidez: O LSAG11 sofre hoje com um volume médio de negociação extremamente baixo, de apenas R$ 124 mil por dia. A migração para o RZAG11 resolve essa barreira de saída.
- Diversificação: Acesso imediato ao pipeline de ativos e à carteira mais robusta do RZAG11, diluindo riscos de crédito individuais.
Atenção ao compasso de espera
Enquanto a assembleia não ocorre, o investidor fica em uma espécie de "limbo". Não vale a pena montar posições grandes agora apenas especulando na arbitragem da fusão, pois o resultado depende exclusivamente do voto dos cotistas.
Como funciona o histórico de dividendos do LSAG11?
A estabilidade é a marca. Desde o início de 2026, o fundo vem entregando exatamente R$ 1,05 por cota todos os meses. Essa consistência garante um Dividend Yield anualizado de 17,33% sobre a cota de mercado de R$ 78,31 (preço de fechamento do relatório de julho).
A política de rendimentos do fundo é previsível: a divulgação ocorre sempre no último dia útil de cada mês (a chamada "data com"), com a cota ficando "ex-rendimentos" no primeiro dia útil do mês seguinte. O pagamento cai na conta dos cotistas no 10º dia útil.
Para os meses de agosto e setembro de 2026, a gestão já sinalizou em seu gráfico de projeções que a expectativa é manter o patamar de R$ 1,05 por cota. Veja abaixo o comportamento recente das distribuições:
| Mês de Referência | Dividendo por Cota (R$) | Status |
|---|---|---|
| Janeiro/2026 | 1,05 | Pago |
| Fevereiro/2026 | 1,05 | Pago |
| Março/2026 | 1,05 | Pago |
| Abril/2026 | 1,05 | Pago |
| Maio/2026 | 1,05 | Pago |
| Junho/2026 | 1,05 | Pago |
| Julho/2026 | 1,05 | Pago (Atual) |
| Agosto/2026 | 1,05 | Projetado |
| Setembro/2026 | 1,05 | Projetado |
Quais são os riscos dos ativos vencendo no portfólio?
Cerca de 16% da carteira. Três ativos importantes do portfólio do LSAG11 tinham vencimento programado para o curtíssimo prazo, gerando o chamado risco de reinvestimento. São eles:
- Semeagro (CRA): 9,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/07/2026 (taxa de CDI + 5,56%).
- Atlas Agro (CRA): 4,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/07/2026 (taxa de CDI + 4,00%).
- Renovagro (CRA): 3,0% de peso na carteira, com vencimento em 01/08/2026 (taxa de CDI + 4,50%).
Com o vencimento desses títulos, o gestor recebe o dinheiro de volta e precisa realocá-lo. O desafio é que encontrar novos ativos de crédito com taxas tão elevadas (como CDI + 5,56%) sem aumentar o risco de crédito da carteira é uma tarefa complexa no cenário macroeconômico atual. Se os novos ativos forem originados a taxas menores, a capacidade de distribuição de dividendos futuros pode ser pressionada.
Por que a concentração no Grupo Úbere exige atenção?
Quarenta por cento do patrimônio. O portfólio do LSAG11 possui 20 ativos, mas a distribuição de peso entre eles é altamente desigual. O Grupo Úbere representa, sozinho, 40,0% do patrimônio líquido do fundo, por meio de uma Cédula de Produto Rural (CPR) financeira com taxa de CDI + 3,00% e vencimento em dezembro de 2030.
Essa concentração é um fator de risco crítico para um Fiagro de pequeno porte. Caso o devedor enfrente qualquer dificuldade operacional ou financeira que atrase os pagamentos, quase metade da receita do fundo seria afetada de imediato. Para fins de comparação, o segundo maior ativo da carteira é o FII Riza Kafe, com 15,0% de participação (CDI + 4,75%).
Abaixo, veja a estrutura dos principais ativos que compõem a carteira de crédito do LSAG11:
| Ativo / Devedor | Tipo | Peso na Carteira (%) | Indexador / Taxa | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Grupo Úbere | CPR | 40,0% | CDI + 3,00% | 01/12/2030 |
| Riza Kafe | Fundo | 15,0% | CDI + 4,75% | 01/04/2033 |
| Semeagro | CRA | 9,0% | CDI + 5,56% | 01/07/2026 (Vencido) |
| Atafona Sementes | CRA | 6,0% | CDI + 0,025% | 32/09/2032 |
| Atlas Agro | CRA | 4,0% | CDI + 4,00% | 01/07/2026 (Vencido) |
| Renovagro | CRA | 3,0% | CDI + 4,50% | 01/08/2026 (Vencendo) |
LSAG11 vale a pena com desconto de 21% na cotação?
O desconto é real, mas a cautela deve imperar. Negociado a R$ 78,31 contra um valor patrimonial de R$ 99,26, o LSAG11 apresenta um P/VP de 0,79. Esse desconto de 21% é atrativo e reflete as fragilidades estruturais do fundo: base pequena de cotistas (apenas 2.550 investidores) e liquidez diária asfixiante de R$ 124 mil.
Se a incorporação pelo RZAG11 for aprovada, o investidor que comprar LSAG11 com desconto poderá capturar valor na relação de troca, migrando para um fundo maior e mais líquido sem a penalidade do desconto atual. No entanto, se a assembleia rejeitar a proposta, o fundo continuará carregando os riscos de reinvestimento dos ativos vencidos e a pesada concentração de 40% no Grupo Úbere.
Veredicto Rico aos Poucos: MANTER
Mantemos a recomendação de aguardar a definição da incorporação antes de realizar novos aportes. O fundo mostrou resiliência operacional ao segurar o dividendo em R$ 1,05 e expandir o valor patrimonial, mas a incerteza jurídica da fusão e a baixa liquidez tornam o ativo inadequado para novas compras no momento. Quem já tem em carteira pode segurar para acompanhar a votação da AGE.