O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma forte onda de otimismo no mercado financeiro doméstico, levando o Itaú BBA a projetar um potencial de valorização superior a 40% para as ações do varejo brasileiro.
- Itaú BBA projeta potencial acima de 40% para ações do varejo selecionadas após o primeiro turno.
- Queda dos juros futuros valorizou o Tesouro IPCA+ 2050 em 14,8% em um único dia útil.
- Ação MGLU3 disparou 28,25% na semana, mas acende alerta de sobrecompra técnica no curto prazo.
O pregão de segunda-feira (5 de outubro de 2026) entrou para a história recente da B3. O Ibovespa disparou 7,70%, fechando aos 206.911,89 pontos — a maior alta diária desde março de 2020. Esse movimento foi liderado por ativos cíclicos e sensíveis aos juros, que reagiram ao fechamento expressivo da curva de juros futuros após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com o mercado precificando uma menor percepção de risco fiscal e maior probabilidade de reformas estruturais, o custo de capital das empresas de menor capitalização despencou. O índice de Small Caps (SMLL) acompanhou o rali, registrando cotação de 2.708,69 pontos, com uma valorização diária de 2,71% na rodada de fechamento analisada.
O que o Itaú BBA e outros bancos recomendam comprar no varejo agora?
O Itaú BBA, em conjunto com análises do Goldman Sachs e do BTG Pactual, recomenda que o investidor seja altamente seletivo após a disparada inicial, priorizando empresas com balanços robustos e espaço para capturar a queda dos juros.
Os analistas apontam que, embora o rali tenha sido generalizado no primeiro dia útil após a votação, a fase de comprar qualquer ativo sensível a juros sem critério ficou para trás. Agora, o foco deve se voltar para identificar onde o valuation ainda não reflete todo o potencial de recuperação.
Enquanto algumas ações subiram mais de 20% in poucas horas, outras varejistas continuam negociadas com múltiplos historicamente descontados. A tese central é que a queda das taxas de desconto beneficia o valor presente do fluxo de caixa dessas companhias, mas apenas as que possuem execução operacional sólida conseguirão transformar esse alívio macroeconômico em lucro real para o acionista.
Por que as taxas de juros futuros despencaram e como isso mexeu com a renda fixa?
A forte queda das taxas de juros futuros após o resultado eleitoral gerou ganhos de até 14,8% em um único dia para investidores posicionados em títulos públicos de longo prazo, segundo simulações divulgadas pela XP.
Esse fenômeno é explicado pela marcação a mercado. Quando a percepção de risco fiscal diminui, os investidores passam a exigir taxas de juros menores para emprestar dinheiro ao governo no longo prazo. Como consequência direta, os títulos públicos já emitidos — que carregam taxas antigas e mais altas — tornam-se extremamente valiosos, elevando seu preço de negociação imediata.
De acordo com o levantamento da XP, quem comprou o Tesouro IPCA+ 2050 na sexta-feira (2) e vendeu na segunda-feira (5) obteve um retorno bruto de R$ 1.476 para cada R$ 10.000 investidos. Outros papéis também registraram forte valorização: o Tesouro IPCA+ 2040 subiu 8%, enquanto os prefixados com vencimento em 2032 e 2029 avançaram 5,1% e 1,9%, respectivamente.
A ação MGLU3 subiu demais ou ainda vale a pena comprar?
A ação MGLU3 disparou 28,25% na semana acumulada até o momento, mas analistas gráficos alertam que o papel atingiu níveis extremos de sobrecompra, o que eleva a probabilidade de uma realização de lucros no curto prazo.
O papel do Magazine Luiza fechou cotado a R$ 9,76 na última sessão, consolidando uma forte tendência de alta que começou em meados de agosto, quando encontrou suporte na região de R$ 3,76. Desde então, a ação vem desenhando topos e fundos ascendentes nos gráficos diário e semanal, acumulando alta de 10,20% no ano de 2026.
No entanto, o Índice de Força Relativa (IFR de 14 períodos) alcançou 84,71 pontos no gráfico diário e 71,27 pontos no semanal. No jargão do mercado financeiro, leituras elevadas do indicador sugerem que o ativo subiu de forma muito acelerada e está esticado em relação às suas médias móveis. Embora isso não signifique uma reversão obrigatória da tendência de alta, sugere que novos compradores podem estar assumindo um risco desnecessário ao entrar no topo do movimento.
Quais são as outras ações de varejo que ganham força com o cenário fiscal?
O Goldman Sachs, o BTG Pactual e o Itaú BBA destacam que, além do Magazine Luiza, as melhores oportunidades de compra estão concentradas na ação ASAI3, ação PGMN3, ação SMFT3, ação CEAB3, ação SBFG3 e ação LREN3.
Cada um desses papéis responde a dinâmicas diferentes dentro do setor de consumo. A ação ASAI3, por exemplo, é vista como uma das principais beneficiárias diretas da queda de juros devido à sua alavancagem financeira, que se torna menos custosa à medida que as taxas futuras recuam.
Por outro lado, varejistas de vestuário e serviços, como a ação CEAB3 (que chegou a subir mais de 20% durante o pregão de segunda-feira), a ação SBFG3 e a ação LREN3, dependem diretamente da melhora do poder de compra das famílias e do custo do crédito ao consumidor. Já a ação PGMN3 e a ação SMFT3 são apontadas como teses de crescimento resiliente que ganham um forte vento a favor com a redução do custo de capital.
Mais beneficiadas diretamente pela queda das taxas de desconto e redução do custo da dívida.
Apontadas como alternativas de crescimento com espaço para valorização nas análises.
Varejistas de vestuário e esportes que se beneficiam do alívio no crédito das famílias.
O que o investidor pessoa física deve fazer com a carteira agora?
O investidor deve focar na seletividade de ativos, evitando comprar ações que já esticaram demais e priorizando aquelas com fundamentos sólidos e múltiplos ainda descontados.
O fechamento da curva de juros futuros não favorece apenas as ações de consumo doméstico, mas também apoia a valorização dos fundos imobiliários de tijolo, que são sensíveis à queda das taxas de desconto. Portanto, a diversificação entre renda fixa marcada a mercado, FIIs de tijolo e ações selecionadas de varejo continua sendo a estratégia mais equilibrada.
Se você já tem ações de varejo ou títulos de longo prazo, a marcação a mercado e o rali trouxeram lucros rápidos. Para quem está de fora, o momento exige cautela: comprar após altas de 20% em um dia aumenta o risco de pegar uma correção técnica. Prefira a seletividade indicada pelos grandes bancos.
Acompanhe o IFR de MGLU3 — O indicador está em 84,71 pontos no diário; patamares elevados indicam sobrecompra e possível realização técnica de curto prazo.
Monitore o segundo turno — A eleição de 25 de outubro ditará o rumo final da curva de juros futuros e a consolidação do rali.
Avalie a venda antecipada na Renda Fixa — Se você capturou a valorização do Tesouro IPCA+, decida se vale realizar o lucro na marcação a mercado ou carregar até o vencimento.
Veredito Rico aos Poucos
O rali eleitoral abriu uma janela de lucros rápidos na renda fixa e nas ações de varejo, mas o investidor inteligente não deve correr atrás dos preços que já subiram. A recomendação de Itaú BBA, Goldman Sachs e BTG Pactual de focar em nomes seletivos como a ação ASAI3, ação PGMN3 e varejistas de moda é o caminho mais seguro para buscar o potencial de 40% sem se expor à sobrecompra técnica de papéis que esticaram demais.