O que aconteceu com o dólar e a bolsa depois da vitória de Lula?
Lula (PT) foi reeleito com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), e os mercados que já operavam no domingo à noite reagiram forte: o EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, caiu entre 18% e 20%, e o contrato futuro do real em Chicago apontou para um dólar perto de R$ 5,51, contra R$ 5,0088 de ajuste na sexta. A B3, onde de fato se forma o preço, só abre na segunda-feira (26/10). Flávio disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição; até a noite de domingo, as reportagens consultadas não registravam nenhuma prova de fraude apresentada.
Leia as cotações da noite com cuidado. EWZ, contrato do real na CME e ETF de Tóquio negociam com pouca liquidez fora do horário regular, e a Exame alerta que os movimentos podem ficar exagerados. O "dólar de R$ 5,50" desses contratos é um dólar implícito, não a cotação comercial. A leitura que vale é a da B3 na segunda: dólar futuro às 9h e Ibovespa à vista às 10h (horário de Brasília). Este texto foi atualizado às 00h25 de 26/10, antes da abertura.
Qual foi o resultado oficial da eleição, em votos?
Com 99,98% das urnas apuradas, Lula teve 64.239.310 votos (51,78% dos válidos) e Flávio Bolsonaro, 59.817.980 (48,22%), segundo o Times Brasil (23h12), que cita o apurado pelo TSE. A diferença é de 4.421.330 votos, cálculo nosso a partir dos números do tribunal, ou cerca de 3,6 pontos percentuais. O TSE declarou Lula matematicamente eleito às 21h10, segundo a InvestNews. A abstenção foi de 19,21% às 21h41, contra 21,08% no primeiro turno, segundo o InfoMoney.
Para comparar: no segundo turno de 2022, Lula venceu com 60.345.999 votos (50,90%) contra 58.206.354 (49,10%) de Jair Bolsonaro, diferença de 2.139.645 votos ou 1,80 ponto, segundo a Gazeta Mercantil, com base no TSE. A margem de 2026 é cerca do dobro da de 2022 em votos. A diplomação deve ocorrer até 18 de dezembro, e a posse de Lula e do vice Geraldo Alckmin (PSB) está marcada para 5 de janeiro de 2027. Pela Constituição (art. 14, §5º), ele não pode disputar um terceiro mandato consecutivo em 2030.
Os percentuais variam na segunda casa decimal entre veículos (51,76% a 51,79%) porque cada um fotografou a apuração em um momento diferente. Os números finais e por seção estão no painel oficial do TSE.
Como cada estado votou no segundo turno?
Lula venceu em 13 estados; Flávio, em 13 estados e no Distrito Federal, segundo levantamento do Metrópoles. O Nordeste inteiro ficou com Lula, com mais de 60% em todos os estados. Flávio dominou o Sul, o Centro-Oeste e o Distrito Federal. O Sudeste ficou dividido: Minas Gerais, o único estado que trocou de lado em relação ao primeiro turno, foi para Lula por cerca de 100 mil votos.
| Venceu Lula | % válidos | Venceu Flávio | % válidos |
|---|---|---|---|
| Piauí | 75,88% | Roraima | 72,46% |
| Bahia | 71,32% | Rondônia | 69,61% |
| Maranhão | 69,54% | Santa Catarina | 69,42% |
| Sergipe | 69,53% | Acre | 66,57% |
| Pernambuco | 69,21% | Mato Grosso | 66,06% |
| Ceará | 68,93% | Paraná | 62,58% |
| Paraíba | 67,46% | Goiás | 59,66% |
| Rio Grande do Norte | 65,72% | Mato Grosso do Sul | 59,60% |
| Alagoas | 60,77% | Rio Grande do Sul | 57,84% |
| Pará | 55,01% | Espírito Santo | 56,37% |
| Amazonas | 54,02% | Distrito Federal | 54,28% |
| Amapá | 52,88% | São Paulo | 53,85% |
| Minas Gerais | 50,40% | Rio de Janeiro | 53,10% |
| Tocantins | 51,37% |
Fonte dos percentuais por estado: Metrópoles, com apuração parcial (Minas Gerais aparece com 50,40% a 50,43% conforme o veículo). Em Minas, a Bloomberg Línea registra que Flávio venceu o primeiro turno por 589 mil votos e Lula venceu o segundo por cerca de 100 mil (50,43% a 49,57%).
Como Lula virou: do primeiro turno ao segundo
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou na frente: 56.104.268 votos (47,03%) contra 53.876.617 (45,16%) de Lula, diferença de 2.227.651 votos, segundo a Gazeta Mercantil. Entre os dois turnos, Lula somou cerca de 10,4 milhões de votos e Flávio, cerca de 3,7 milhões (cálculo nosso, comparando os dois turnos). A Bloomberg Línea descreve o padrão como redistribuição de votos e não perda de apoio ao PL: onde Flávio era forte, manteve a força; onde era minoritário, Lula avançou mais, absorvendo votos que estavam dispersos entre os outros candidatos. A própria Gazeta Mercantil avisa que a comparação entre turnos não significa que os mesmos eleitores tenham migrado de um candidato para o outro.
- Nordeste: Lula acrescentou cerca de 2,95 milhões de votos na região; a Bahia deu o maior ganho absoluto (820 mil votos) e Alagoas, a maior ampliação de vantagem (de 14,3 para 21,5 pontos), segundo a Bloomberg Línea.
- Sudeste: em São Paulo, Flávio foi de 12,92 para 14,14 milhões de votos e Lula, de 9,51 para 12,12 milhões; a vantagem de Flávio caiu de 13,7 para 7,7 pontos. No Rio de Janeiro, a vantagem de Flávio caiu de 13,6 para 6,2 pontos.
- Terceira via: Augusto Cury (Avante) teve 2,89% (3.448.569 votos) no primeiro turno e declarou que não apoiaria nenhum dos dois finalistas; Renan Santos (Missão) teve 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18% (Bloomberg Línea). Em Goiás, a Bloomberg Línea cita que os 12,33% de Caiado no primeiro turno se distribuíram entre os dois finalistas.
O que deu certo e o que deu errado, pelos fatos disponíveis. Para Lula, o que se mede é a ampliação no Nordeste, a virada em Minas Gerais e a redução da desvantagem em São Paulo e no Rio. A rejeição alta e o pouco espaço para crescer eram, antes do segundo turno, o desafio apontado por um analista ouvido pelo Nexo Jornal. Para Flávio, o dado é que ele cresceu em votos absolutos (cerca de 3,7 milhões), manteve os estados do Sul, Centro-Oeste, São Paulo e Rio e liderou o primeiro turno, mas o crescimento foi menor que o de Lula. Na campanha, segundo o Nexo, Lula buscou os indecisos e Flávio, os votos antipetistas.
As pesquisas. Na semana final, as pesquisas divulgadas estavam divididas dentro da margem de erro: Datafolha mostrava empate em 50% a 50%, Alfa e Real Time Big Data, Flávio com 52% a 48%, e Vox Brasil, Lula com 50,6% a 49,4% (Exame, 23/10). Um analista da Manchester Investimentos disse ao InfoMoney que, das 13 pesquisas que analisou, todas apontavam Flávio à frente, com vantagem média de 2,4 pontos. O resultado contrariou o que o mercado vinha precificando, segundo o Money Times.
O que a vitória significa: governo, Congresso e agenda fiscal
A vitória não garante base no Congresso. Na Câmara, o PL elegeu a maior bancada, com 121 dos 513 deputados; o PT fica com 70, o União Brasil com 46, o PSD com 43 e o PP com 41, e o centrão (PSD, União, Republicanos e PP) soma 171 cadeiras, segundo a CNN Brasil. No Senado, o PL passa de 15 para 28 dos 81 senadores, a maior bancada, e o PT mantém 9 (Agência Brasil e Senado Notícias). Nenhum partido terá maioria isolada nas duas Casas. Orçamento e propostas do governo dependerão de negociação com Congresso, partidos e governos estaduais, como observa a Gazeta Mercantil.
No front fiscal, a dívida bruta do governo geral é de R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB (dados citados pela Forbes), e o Bradesco BBI projeta que ela vá de 83,6% para 88,2% do PIB nos próximos anos. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre sobre o primeiro e 1,9% em quatro trimestres, segundo o IBGE citado pela Forbes. A equipe econômica do novo mandato ainda não foi anunciada; o primeiro sinal, apontam analistas como Gustavo Trotta (Valor Investimentos), será a escolha do ministro da Fazenda e o compromisso com o arcabouço fiscal.
Houve fraude? O que foi alegado e o que dizem TSE, observadores e auditorias
Esta seção separa o que foi dito do que foi comprovado, sem tomar partido. Segundo o InfoMoney (22h50) e a Folha Expressa, Flávio afirmou, na noite de domingo, que "é impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram" e que "vamos pedir a anulação dessas eleições". As alegações foram duas: a decisão de prorrogar a votação gerou tratamento desigual entre eleitores de estados diferentes ("eu nunca vou saber, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter") e fiscais do PL "foram retirados de dentro da sala-cofre". Ele questionou ainda que a decisão tenha vindo do ministro Cristiano Zanin, do STF, e não de um ministro do TSE.
| Ponto | O que está documentado | Fonte |
|---|---|---|
| Prorrogação da votação | O PT pediu ao TSE a extensão às 13h22 (falta de ônibus na Bahia), ampliou o pedido às 15h42 e acionou o STF às 16h22. O PL pediu, às 15h50, a prorrogação em 19 cidades de SP, PR e SC (chuvas, alagamentos, falta de energia). Zanin, sorteado relator às 16h33, decidiu às 17h03 estender a votação até 19h em todo o país. | Poder360 |
| Alcance da decisão | Zanin esclareceu depois que a decisão vale apenas onde as urnas não haviam sido fechadas; onde já fecharam, os votos foram computados. Nunes Marques orientou as seções ainda abertas a funcionar até as 19h "em estrito cumprimento à determinação judicial". O TSE pausou a totalização às 17h20. | Poder360, InfoMoney, CNN Brasil |
| Reação dentro do Judiciário | Ministros do TSE, sob anonimato, disseram à CNN Brasil que a decisão causou constrangimento e que não veem motivo para um terceiro turno; um ministro do STF, também anônimo, criticou a condução da cúpula do TSE e defendeu nova eleição. São avaliações reservadas, sem manifestação oficial. | CNN Brasil (25/10, 18h54) |
| Sala-cofre | A alegação é de Flávio. Não há, nas reportagens consultadas, detalhe sobre quem foi retirado, quando e em qual procedimento, nem resposta oficial do TSE sobre esse ponto até a noite de domingo. | InfoMoney, Folha Expressa |
| Prova de fraude | Nenhuma prova de fraude ou de irregularidade que tenha alterado o resultado foi apresentada nas reportagens consultadas; a Folha Expressa registra que as declarações, por si sós, não comprovam isso. | Folha Expressa |
| Teste de integridade | O TSE realizou teste de integridade com duas urnas e 389 votos previamente registrados em papel e não encontrou divergência (a data do teste não consta na fonte). | Gazeta Mercantil |
| Observadores internacionais | Sete missões acompanharam o segundo turno: OEA (chefiada por José Miguel Insulza), União Europeia, Parlasul, Uniore e ROJAE-CPLP, entre outras. As mesmas missões acompanharam o primeiro turno e publicaram relatórios preliminares no site do TSE. Não encontramos conclusão delas sobre o segundo turno; em 2022 a OEA concluiu que a eleição ocorreu com ordem e normalidade. | Times Brasil, Istoé, TSE |
| Posição anterior de Flávio | Em agosto, no Canal Livre (Band), ele disse que aceitaria o resultado das urnas e confiava em um TSE imparcial. | Jornal de Brasília |
| Pedido de anulação | Anunciado por Flávio, com a equipe jurídica da campanha encarregada de apresentá-lo. Não encontramos registro de protocolo até a noite de domingo; caberá à Justiça Eleitoral analisar fatos e provas. | Folha Expressa, Rádio Senado |
O histórico ajuda a medir a régua, sem que isso responda pelo caso de 2026. Em 2014, o PSDB pediu ao TSE uma auditoria da eleição, e ela não encontrou irregularidade (Exame, citada pela Agência Lupa). Entre 2021 e 2024, a Lupa publicou ao menos 26 checagens sobre boatos a respeito do código-fonte das urnas. Nunes Marques, no pronunciamento de domingo, disse ter telefonado aos dois candidatos para confirmar o resultado e destacou a "votação expressiva" de Flávio.
Como os ativos negociados no exterior reagiram, hora a hora?
| Ativo | Movimento | Referência | Fonte e horário |
|---|---|---|---|
| EWZ (ETF Brasil, NY) | −18,29% | US$ 34,80 | Exame, noite de domingo (80,75% das seções) |
| EWZ | −19,63% | US$ 34,23 | Guia do Investidor e Money Times, primeiros minutos do after hours de domingo |
| EWZ | ≈ −20% | after-market | InfoMoney, 21h25 |
| Real, contrato futuro CME (Chicago) | −10% | — | InfoMoney, 21h51 |
| Real, contrato futuro CME | −11% | dólar implícito perto de R$ 5,50 | Seu Dinheiro e Guia do Investidor, por volta das 22h |
| ADR da Petrobras | ≈ −12% | — | Seu Dinheiro, por volta das 22h |
| ADR da Vale | ≈ −4,4% | — | Seu Dinheiro, por volta das 22h |
| ETF Ibovespa em Tóquio | ≈ −13% | Nomura NF Ibovespa Link: −12,75%, a 285,3 ienes | Bloomberg Línea e Money Times (abertura de segunda no Japão) |
Para ter a régua de comparação: na sexta (23/10) o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, a 205.082,56 pontos, e o dólar futuro teve ajuste de R$ 5,0088. Depois do primeiro turno, o Ibovespa havia subido 7,7% no primeiro pregão, a 209,6 mil pontos (de cerca de 192 mil antes), e o dólar caiu de R$ 5,22 para R$ 5,00, segundo o InfoMoney. O ETF de Tóquio havia ganhado quase 8% na rodada, e agora devolve cerca de 13%. A Exame registra que o EWZ perdeu em uma noite mais do que tinha ganhado desde o primeiro turno. As diferenças entre as cotações do EWZ na tabela vêm do horário de cada leitura, não de dados conflitantes.
E o Bitcoin e o dólar nas corretoras de cripto?
Não encontramos, em fonte pública confiável, cotação de USDT/BRL nem de NDF de dólar na noite de domingo, e por isso não cravamos nenhum desses números. Também não achamos dados de juros futuros (DI) pós-resultado: o mercado de juros da B3 estava fechado. O que há de verificável: segundo o BitNotícias, o Bitcoin fechou o domingo, às 21h, em US$ 80.038, queda de 1,0% em 24 horas, preso entre US$ 80.000 e US$ 80.950, sem reação visível à eleição brasileira, e o Fed decide a taxa de juros dos EUA na quarta-feira (28/10). A conta em reais acompanha o dólar que o leitor usar: ao dólar implícito de R$ 5,5127, US$ 80.038 equivalem a cerca de R$ 441 mil; ao ajuste de sexta (R$ 5,0088), a cerca de R$ 401 mil. É um cálculo ilustrativo, não uma cotação de corretora.
O que já estava precificado e o que ainda não estava?
Precificado, segundo os analistas citados: a alta de outubro, que apostava na alternância de poder. Matheus Spiess (Empiricus) diz que, com Flávio à frente nas pesquisas e no primeiro turno, o mercado vinha precificando mudança na condução econômica, com ajuste fiscal e queda do prêmio de risco na curva de juros. O InfoMoney lembra que o MSCI Brazil acumulava alta de cerca de 13% em dólares em outubro e negociava a 9,3 vezes o lucro projetado, 7% abaixo da média histórica (o desconto era de cerca de 20% em junho). Parte da frustração também era esperada, segundo o Money Times; na pesquisa do Citi com investidores, feita na sexta e citada pelo InfoMoney, 79,5% esperavam queda do Ibovespa acima de 5% em caso de vitória de Lula, 63% projetavam desvalorização do real acima de 5% e 67,1% esperavam alta de mais de 100 pontos-base no DI janeiro/2029.
O que ainda não está precificado: um plano fiscal crível. Felipe Balassiano (ASA) afirma que o mercado não estava posicionado para esse desfecho e espera forte volatilidade, queda na bolsa, real mais fraco e abertura das curvas de juros até o novo governo reforçar o compromisso fiscal. Gustavo Sung (Suno Research) lembra que, após 2022, a bolsa recuperou terreno quando o governo apresentou medidas fiscais, e que 2027 dependerá da política econômica e da negociação com o Congresso. Rodrigo Marcatti (Veedha) avalia que, com a continuidade do governo, "não teremos o benefício da dúvida como foi a vitória passada". Sidney Lima (Ouro Preto) projeta uma semana de cautela, com Ibovespa pressionado, dólar e DI em alta.
As projeções para a abertura: a Capital Economics projeta queda de 5% a 10% do Ibovespa no primeiro pregão (Money Times); Gabriel Uarian (Cultura Capital) prevê queda superior a 5% e risco de circuit breaker, com varejo, construção, bancos de crédito ao consumidor, corretoras e a B3 entre os mais afetados e exportadoras, mineração e agro em melhor posição relativa. O Bradesco BBI rebaixou o Brasil de overweight para neutro às 21h59 e reduziu BBAS3, PETR4, B3SA3, COGN3 e CYRE3, privilegiando EMBJ3, SUZB3, WEGE3, JBSS3, SBSP3 e BBSE3; voltaria ao overweight com correção relevante, pacote fiscal crível ou ciclo de flexibilização monetária. São posições dessas casas, não recomendações do Rico aos Poucos.
O que esperar da abertura de segunda-feira (26/10)?
- Dólar: o diretor de tesouraria da Travelex vê o dólar à vista podendo abrir acima de R$ 5,30, e a Seu Dinheiro lista como possibilidade uma abertura entre R$ 5,30 e R$ 5,50.
- Bolsa: a B3 aciona o circuit breaker quando o Ibovespa cai 10%, e o pregão é interrompido por 30 minutos na primeira vez (Seu Dinheiro). Dólar futuro abre às 9h e a bolsa à vista, às 10h.
- Juros: Sung aponta volatilidade e risco de inflação mais persistente, com menos espaço para cortes da Selic.
- Fiscal: o JPMorgan estimou, em nota de 29 de setembro, que uma deterioração fiscal gradual poderia significar queda de 21% das ações brasileiras e de cerca de 6% do real.
Como isso chega ao bolso: juros, FIIs, Tesouro e dólar
Juros e Selic. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17/09/2026, depois de cortes de 0,25 ponto por reunião, e a próxima decisão do Copom sai em 4 de novembro. Dólar mais caro e juros futuros em alta são o cenário que complica a continuidade dos cortes, na leitura de Sung; a decisão é do Banco Central, que ainda não deu sinal depois do resultado.
FIIs. Fundos de tijolo costumam ser avaliados em comparação com os juros longos: quando as taxas sobem, a cota tende a ser pressionada, como mostramos em por que os FIIs estavam caindo com juros, dólar e eleição. Fundos de papel indexados ao CDI e ao IPCA têm outra sensibilidade: o rendimento acompanha o indexador, e o risco está mais na qualidade do crédito do que no índice.
Tesouro Direto. Os títulos prefixados e IPCA+ são marcados a mercado: se a taxa de mercado sobe, o preço de venda antes do vencimento cai, mesmo que o título pague no vencimento exatamente o que foi contratado. O Tesouro Selic quase não sofre essa marcação.
Dólar. Na alocação por setor do Rico aos Poucos, vigente desde 18/10/2026, o dólar está em 25% com visão Otimista, e o Bitcoin, o ouro e o S&P 500 estão em 0% com visão Pessimista. Os demais pesos são caixa 30% (Otimista), TLT 15% (Otimista), FIIs 10%, imóveis 10%, Ibovespa 5% e IPCA+ 5% (todos Neutros). Essa alocação foi definida antes do resultado e este artigo não a altera.
O que acompanhar na abertura e nos próximos dias
Segunda (26/10): dólar futuro às 9h e Ibovespa às 10h; se houve circuit breaker; o fechamento do dólar comercial contra o implícito de R$ 5,50; os juros futuros. Quarta (28/10): decisão do Fed. Nos dias seguintes: a posição do TSE diante do pedido de anulação anunciado por Flávio; os relatórios das missões de observação; o anúncio da equipe econômica e o primeiro sinal de meta fiscal. Em 3 e 4 de novembro, o Copom; até 18 de dezembro, a diplomação; em 5 de janeiro de 2027, a posse.
Perguntas frequentes
Quem ganhou a eleição presidencial de 2026 e por quanto?
Lula (PT) venceu o segundo turno com 51,78% dos votos válidos (64.239.310 votos) contra 48,22% (59.817.980) de Flávio Bolsonaro (PL), com 99,98% das urnas apuradas, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.
O dólar vai a R$ 5,50 na segunda-feira?
Não há como afirmar. O número vem do contrato futuro do real na CME, negociado com pouca liquidez no domingo. Analistas citados pela imprensa projetam abertura do dólar à vista entre R$ 5,30 e R$ 5,50; a confirmação vem do dólar futuro da B3, que abre às 9h.
O que é o EWZ e por que ele caiu perto de 19%?
O EWZ é um ETF que reúne ações brasileiras e é negociado em Nova York. Ele caiu entre 18% e 20% no after hours de domingo, ao refletir antes da B3 a reação ao resultado, num horário de pouca liquidez, em que os movimentos podem ser exagerados.
O que é circuit breaker?
É a interrupção automática do pregão da B3 quando o Ibovespa cai 10%. Na primeira vez no dia, o pregão para por 30 minutos.
A eleição teve fraude?
Até a noite de domingo, as reportagens consultadas não registravam prova de fraude apresentada. Flávio Bolsonaro contesta a prorrogação da votação até as 19h, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, e diz que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. O TSE esclareceu que a prorrogação valia só para locais onde as urnas ainda estavam funcionando. Uma eventual anulação depende de análise da Justiça sobre fatos e provas.
Flávio Bolsonaro já entrou com o pedido de anulação?
Ele anunciou que a equipe jurídica fará o pedido. Não encontramos registro de protocolo até a noite de domingo.
O que acontece com a Selic e com o Tesouro Direto?
A Selic está em 13,75% e o Copom volta a decidir em 4 de novembro. Dólar e juros futuros em alta podem reduzir o espaço para cortes, segundo analistas. Títulos prefixados e IPCA+ oscilam de preço antes do vencimento quando as taxas de mercado mudam.
Quando Lula toma posse?
A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027, com diplomação até 18 de dezembro de 2026.
Onde ver os números oficiais?
No painel de resultados do TSE (resultados.tse.jus.br). Os números deste texto vêm de reportagens com horário indicado e podem mudar na segunda casa decimal com a atualização oficial.
De onde vêm os números
Resultado e votação: Times Brasil (TSE, 23h12), InfoMoney (cobertura ao vivo de 25/10), InvestNews (TSE, 21h10), Gazeta Mercantil (1º turno e 2022), Metrópoles (estados), Bloomberg Línea (1º × 2º turno). Congresso: CNN Brasil, Agência Brasil e Senado Notícias. Alegações e resposta institucional: InfoMoney, Folha Expressa, Poder360, CNN Brasil, Rádio Senado, Agência Lupa, Times Brasil e TSE. Mercado: Exame, Seu Dinheiro, Guia do Investidor, Money Times, Bloomberg Línea, Forbes e InfoMoney, com os horários indicados; Bitcoin, BitNotícias (21h de 25/10). Selic e calendário do Copom: Banco Central do Brasil, via nosso banco de dados. Números que não encontramos em fonte confiável (juros futuros, NDF, USDT/BRL, Ibovespa futuro) ficaram de fora de propósito.