O Itaú BBA acredita que a PETR4 pode subir 33% — e esses são os números que sustentam a aposta Relevância7,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

O Itaú BBA acredita que a PETR4 pode subir 33% — e esses são os números que sustentam a aposta

O banco colocou preço-alvo com potencial de valorização de 33% para as ações da Petrobras e projeta retorno de 15% já em 2027.

O que o Itaú BBA disse sobre a PETR4?

O Itaú BBA divulgou uma recomendação em que enxerga potencial de alta de 33% para as ações preferenciais da Petrobras (PETR4). Além do upside, o banco projeta um retorno total de cerca de 15% para o papel em 2027, sustentado, na visão do próprio Itaú BBA, pela geração de caixa e pela política de dividendos da estatal.

Upside estimado +33%
Retorno projetado (2027) ~15%
Quem projeta Itaú BBA
Ativo PETR4

É importante o enquadramento: o número é do Itaú BBA, não uma leitura nossa. Quando um banco fala em "upside de 33%", ele está dizendo que, na conta dele, o preço-alvo estimado para o papel está 33% acima da cotação de tela. Com a PETR4 negociando na casa dos R$ 36 a R$ 38, um upside de 33% apontaria para um alvo próximo de R$ 48 a R$ 50 por ação — sempre segundo a metodologia do banco, e não uma garantia de que o mercado vai chegar lá.

O que sustenta essa projeção, segundo o banco

Para chegar a um preço-alvo, uma casa como o Itaú BBA combina, tipicamente, fluxo de caixa descontado (projeta o caixa futuro da empresa e traz a valor de hoje) com múltiplos de mercado, como P/L (preço sobre lucro) e EV/EBITDA (valor da firma sobre geração operacional), comparando a Petrobras com pares internacionais do setor de petróleo.

Nesse recorte, a Petrobras carrega alguns fundamentos que o banco tende a valorizar. O primeiro é o custo de extração: no pré-sal, a companhia opera com um dos menores custos de produção do mundo, na casa de US$ 7 por barril, o que preserva margem mesmo quando o petróleo recua. O segundo é o preço do próprio petróleo — com o Brent orbitando a faixa de US$ 75 a US$ 80 por barril, a receita da estatal segue robusta. O terceiro é a distribuição de proventos: a Petrobras pagou dividendos e juros sobre capital próprio expressivos nos últimos trimestres, na ordem de R$ 1,50 a R$ 2,00 por ação em várias distribuições, o que ajuda a compor o retorno projetado.

Em cima disso, a estatal negocia a múltiplos historicamente descontados frente a petroleiras internacionais como Shell, Chevron e ExxonMobil — o que, na leitura do Itaú BBA, abre espaço para a cota subir sem que a empresa precise fazer nada de extraordinário, apenas reduzindo esse desconto.

O que o investidor precisa saber

A tese de valorização atribuída ao banco convive com riscos concretos que o próprio mercado costuma monitorar — e que valem ser observados por quem acompanha o papel.

O primeiro é a ingerência governamental. Como empresa de controle estatal, a Petrobras já passou por mudanças de política de preços de combustíveis e de política de dividendos determinadas pelo governo, e essas decisões podem alterar tanto a geração de caixa quanto o volume de proventos distribuídos. O segundo é o preço do petróleo: uma queda relevante do Brent pressiona receita e reduz a folga para dividendos. O terceiro é o câmbio — parte relevante da receita é dolarizada, então oscilações do real afetam o resultado convertido.

Sobre o retorno de 15% em 2027 projetado pelo Itaú BBA, vale entender a composição: esse número tende a somar a valorização esperada da cota com os dividendos recebidos no período. Ou seja, não é só o papel subir — é a combinação de preço mais provento. Se o dividendo encolher, a conta muda mesmo com a cota estável.

Dois bancos, o mesmo papel, visões opostas

Vale registrar que a leitura otimista não é consenso entre as casas. Enquanto o Itaú BBA aponta upside de 33%, o J.P. Morgan cortou o preço-alvo da Petrobras em cerca de 30% em 10 de setembro, sinalizando uma visão bem mais cautelosa sobre o mesmo ativo, no mesmo período.

São duas casas grandes olhando para a mesma empresa e chegando a conclusões opostas — e as duas são projeções de banco, não a nossa. Essa divergência é, em si, uma informação: mostra que o preço da PETR4 hoje embute premissas discutíveis sobre petróleo, dividendos e risco político, e que profissionais que fazem isso em tempo integral não concordam sobre para onde a cota deve ir.

O que acompanhar de agora em diante
  • Preço do petróleo Brent: é o principal combustível da receita; mudanças na faixa de US$ 75–80 mexem diretamente na tese.
  • Decisão de dividendos do 3º trimestre: o retorno projetado depende do provento; qualquer mudança na política de distribuição altera a conta.
  • Produção do pré-sal: volume e custo de extração sustentam a margem que o banco cita como diferencial da Petrobras.
  • Sinais de política de preços: decisões do controlador sobre combustíveis e dividendos são o risco que ambos os bancos vigiam.
Lembrete: este texto descreve projeções feitas pelo Itaú BBA e pelo J.P. Morgan e não constitui recomendação de compra ou venda. Projeção de banco é cenário, não certeza — o mesmo papel pode ter alvos muito diferentes dependendo de quem faz a conta.