PRIO3, o que aconteceu: Prio reporta lucro de US$ 521 milhões no 3T26 e produção recorde — o que sustenta o número?
INTERMEDIÁRIO PTENES

PRIO3: o que aconteceu com o lucro e a produção no 3T26

Companhia eleva receita em 171% e reduz custo por barril para US$ 7,90, enquanto dívida líquida fecha em 1,1x o EBITDA.

A Prio informou à CVM, em 04/11, que lucrou US$ 521 milhões no terceiro trimestre de 2026 (medida ex-IFRS 16), com produção e vendas recordes. Para quem tem a ação PRIO3, o que pesa mais que o lucro é o jeito como ele veio: com custo por barril menor e dívida sob controle.

PRIO3: o que aconteceu, afinal?

A ação PRIO3 não sumiu nem acabou: o que saiu foi balanço, e um forte. A Prio S.A. entregou à CVM, às 18h36 de 04/11, o release de resultados do 3T26, e o próprio documento abre com o ticker (B3: PRIO3). A empresa também relata a recompra de 6,1 milhões de ações no trimestre, o oposto de quem está saindo de cena. Nada no material que analisamos indica problema para negociar o papel.

Se o susto veio da queda do dia 04/11, ela já tinha explicação própria: cobrimos a queda da ação após a Prio divulgar vendas menores em outubro. O release de agora trata de julho a setembro, outro período, e mostra vendas recordes. Os dois fatos convivem, e é por isso que vale olhar os números com calma.

Quão forte foi o trimestre, número por número?

Pelos números do release, o trimestre foi de saltos grandes sobre o 3T25. A tabela reúne o que a Prio declarou; onde a empresa não traz a comparação no trecho que lemos, a célula diz isso.

Indicador (3T26)ValorContra o 3T25
Produção média191,6 mil barris/diarecorde
Vendas17,2 milhões de barrisrecorde
Receita totalUS$ 1,6 bilhão+171%
EBITDA ajustado (ex-IFRS 16)US$ 1,1 bilhão+235%
Lucro líquido (ex-IFRS 16)US$ 521 milhões+468%
Lifting costUS$ 7,9 por barrilnão informado no trecho
Dívida líquida / EBITDA1,1xnão informado no trecho

O lucro cresceu bem mais que a receita, e a conta mostra por quê. Um aumento de 468% significa que o lucro atual é cerca de 5,7 vezes o do 3T25, que ficou perto de US$ 92 milhões. O EBITDA, de US$ 1,1 bilhão sobre US$ 1,6 bilhão de receita, equivale a aproximadamente 69% do faturamento total, e o lucro a cerca de um terço dele (contas nossas, com valores arredondados). Quando o volume sobe e o custo por barril cai, uma fatia maior de cada dólar vendido chega ao resultado. É esse o mecanismo por trás da ordem dos percentuais: receita +171%, EBITDA +235%, lucro +468%.

Uma pegadinha para quem compara fontes: o InfoMoney, ao noticiar o mesmo balanço, fala em receita líquida de US$ 1,37 bilhão (+146% sobre o ano anterior, +12% sobre o trimestre anterior), e o release traz receita total de US$ 1,6 bilhão (+171%). São linhas diferentes do demonstrativo. O trecho do release que temos não detalha a ponte entre as duas, então o cuidado é comparar sempre a mesma linha entre trimestres.

De onde vieram a produção recorde e o custo menor?

Segundo a administração da Prio, o crescimento veio de várias frentes ao mesmo tempo. Em Peregrino, a empresa iniciou o poço A-13, na área do Isolado, e concluiu o reparo do gasoduto, o que permite trocar diesel por gás na geração de energia do campo. A Prio diz que isso reduz custo operacional e emissões. Em Frade, o poço MUP7 entrou em produção e outro poço segue em perfuração, com entrada prevista para o quarto trimestre.

O lifting cost fechou em US$ 7,9 por barril. A Prio atribui a queda ao crescimento da produção somado às iniciativas de otimização dos ativos, mas o trecho que lemos não traz o valor do trimestre anterior, então não dá para dizer de quanto foi a queda. O que dá para comparar é esse custo com um item que pesou no trimestre: o frete marítimo.

Lifting costUS$ 7,90/bbl
Desconto médio na vendaUS$ 7,45/bbl

A Prio afirma que, mesmo com forte alta do frete marítimo, manteve condições comerciais competitivas, realizando desconto médio de US$ 7,45 por barril. Esse desconto é quase do tamanho do custo de tirar o barril do poço. Por isso o frete e o diferencial de preço aparecem entre os pontos de atenção do documento: uma piora ali come margem sem aparecer na operação dos campos.

Há ressalvas operacionais também. Em Albacora Leste, a empresa diz que segue concentrando esforços na estabilidade do ativo, o que indica que o assunto não está encerrado. No cluster Bravo, a eficiência continuou alta, mesmo com a parada temporária de um poço, resolvida em outubro.

O que a Prio fez com o caixa — e o que isso diz sobre dividendos?

O uso do dinheiro foi em três frentes. A recompra consumiu US$ 71 milhões para comprar 6,1 milhões de ações. A empresa amortizou dívidas bilaterais com vencimento em 2026 e refinanciou parte dos vencimentos de 2027 para 2028 e 2029. Com isso, a alavancagem fechou em 1,1x dívida líquida sobre EBITDA, e a Prio descreve o período como de continuidade da desalavancagem.

O trecho do release que lemos não informa dividendo declarado no trimestre, e por isso não cabe aqui estimar yield. A recompra é a forma de retorno ao acionista que o documento destaca. Para a visão de uma casa de análise sobre proventos, veja a projeção do BofA para os dividendos da PRIO3. Já o plano de crescimento aparece na compra dos blocos Magnetita e Hematita, em outubro, no leilão da ANP. A Prio diz que os blocos ficam perto do cluster Valente e que os recursos prospectivos ainda serão avaliados. Só se houver sucesso poderão ser ligados ao FPSO já em operação, como detalhamos na cobertura do leilão. Ou seja, é opção de futuro, sem produção nem prazo definidos.

O que isso muda para quem tem a ação

O balanço reforça a tese operacional: mais barris, custo por barril menor e dívida em nível confortável. A última cotação que temos aqui é de 27/10 (R$ 70,23, queda de 1,28% no dia e alta de 89,81% em 12 meses), anterior ao release, então não sabemos como o papel reage a ele. Com a ação já tendo subido tanto no ano, o que sustenta o preço daqui para a frente é a repetição do resultado, não só um trimestre recorde. Petróleo é volátil, e o documento não elimina essa incerteza.

O que acompanhar daqui para a frente?

1

Frete e desconto de venda — o desconto médio ficou em US$ 7,45 por barril; se subir de forma sustentada, a margem encolhe mesmo com produção recorde.

2

Estabilidade de Albacora Leste — a Prio ainda fala em esforço para estabilizar; produção sem paradas é o que o próximo release precisa mostrar.

3

Novo poço de Frade — a empresa prevê entrada em produção no 4T26; atraso seria o primeiro sinal de desvio.

4

Alavancagem e recompra — manter dívida líquida/EBITDA em 1,1x ou menos enquanto segue recomprando ações (US$ 71 milhões neste trimestre) mostra se o caixa dá conta de tudo.

Resumindo a resposta à pergunta que trouxe você até aqui: a Prio divulgou um trimestre de recordes, com lucro muito acima do ano anterior e dívida controlada, e a empresa segue listada e recomprando ações. O lucro é o ponto alto; o frete e a estabilidade dos campos são onde o próximo balanço pode decepcionar.