- Lula (PT) arrecadou R$ 118,4 milhões em receitas declaradas ao TSE até 21 de outubro de 2026, contra R$ 95,5 milhões de Flávio Bolsonaro (PL).
- Flávio gastou mais em despesas declaradas: somou R$ 74,6 milhões contratados, frente a R$ 65,7 milhões reportados pela campanha de Lula.
- Recursos públicos dominam o orçamento: a verba vem precipuamente dos fundos eleitoral e partidário, com doações empresariais diretas vetadas por lei.
Quem arrecadou e quem gastou mais nas eleições de 2026?
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva declarou R$ 118,4 milhões em arrecadação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 21 de outubro, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro registrou R$ 74,6 milhões em despesas, liderando os gastos contratados. Os dados constam dos relatórios parciais de prestação de contas entregues pelas duas chaves presidenciais ao tribunal na reta final da disputa do segundo turno.
Os números refletem uma dinâmica inversa entre captação e execução financeira. Enquanto a chapa governista conseguiu consolidar um volume total de receitas superior no montante acumulado até a antevéspera da votação, a chapa oposicionista acelerou a contratação de fornecedores e serviços na etapa final da corrida eleitoral.
Maior volume de receitas registradas junto ao TSE até 21 de outubro de 2026.
Liderança na contratação direta de despesas de campanha informadas ao tribunal.
É importante ressaltar que os valores divulgados pelo TSE são estritamente parciais. A legislação eleitoral estabelece que a prestação de contas final do segundo turno deve ser apresentada pelas candidaturas somente após o encerramento da votação do domingo (25 de outubro), quando todos os recibos, doações de última hora e pagamentos a fornecedores precisam ser consolidados.
De onde veio o dinheiro das campanhas presidenciais?
A maior parte do financiamento das campanhas à Presidência da República em 2026 proviene de recursos públicos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário. O modelo atual de financiamento eleitoral no Brasil veda categoricamente a doação direta feita por pessoas jurídicas (empresas) a candidatos ou partidos políticos.
Além das verbas orçamentárias redistribuídas pelas legendas partidárias conforme a representação no Congresso Nacional, o orçamento eleitoral é complementado por doações de pessoas físicas e por aportes financeiros dos próprios postulantes ao cargo executivo.
Segundo as prestações parciais encaminhadas à Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou R$ 95,5 milhões em receitas totais acumuladas no período. Quando comparado ao montante de R$ 118,4 milhões arrecadado por Lula, verifica-se uma diferença de R$ 22,9 milhões em favor do candidato do PT no topo da captação.
Já no campo das despesas, a chapa de Lula informou R$ 65,7 milhões em gastos efetuados ou contratados até 21 de outubro. Na comparação direta com os R$ 74,6 milhões declarados por Flávio Bolsonaro, a campanha do PL apresentou R$ 8,9 milhões a mais em desembolsos e obrigações contratadas no relatório parcial.
Quanto cada candidato colocou do próprio bolso?
Os registros declarados ao TSE indicam uma discrepância expressiva no montante de recursos próprios transferidos diretamente pelos candidatos para o caixa de suas respectivas campanhas presidenciais.
Até o dia 20 de outubro, o candidato Flávio Bolsonaro havia formalizado R$ 167,4 mil em aportes do próprio bolso, efetuados ao longo de 14 transferências bancárias individuais. Em contrapartida, a declaração da campanha de Lula indicou uma única transferência no valor de aproximadamente R$ 2,6 mil vinda do patrimônio pessoal do candidato.
Embora representem uma fração mínima diante dos orçamentos globais que superam a casa das dezenas de milhões de reais, esses aportes pessoais demonstram abordagens distintas na composição dos recursos iniciais e de custeio imediato das agendas políticas estaduais e nacionais.
O que esses números significam para o investidor e para as contas públicas?
Para o investidor pessoa física, a movimentação de verbas eleitorais não é mero detalhe político: ela explicita o peso do financiamento público de campanhas sobre o orçamento da União. O valor alocado ao Fundo Eleitoral integra as despesas discricionárias do Tesouro Nacional e afeta a dinâmica do arcabouço fiscal no ano em que é executado.
O direcionamento de bilhões de reais do Tesouro para o Fundão Eleitoral restringe a margem de manobra fiscal do governo federal. Quanto maior a dependência do financiamento público para o processo político, mais travada fica a gestão das despesas livres da União — um fator de atenção constante para as taxas de juros futuras (DI) e para os títulos da renda fixa atrelados à inflação (NTN-B).
Ademais, a discrepância entre a receita arrecadada e a despesa efetivamente contratada em cada chapa sinaliza como as equipes de campanha planejaram a reta final do segundo turno. Uma margem maior de receita não gasta (como os R$ 52,7 milhões de saldo aparente no balanço parcial de Lula) ou uma execução mais adiantada (como os R$ 74,6 milhões de gastos de Flávio sobre os R$ 95,5 milhões captados) pode se traduzir em quitações ou renegociações de restos a pagar nos relatórios definitivos.
O que acompanhar na prestação final de contas pós-eleição
A fase decisiva de transparência das contas eleitorais se inicia imediatamente após a divulgação do resultado das urnas neste domingo. Os investidores e analistas de mercado que acompanham os desdobramentos institucionais e fiscais devem observar os seguintes gatilhos:
Prazo final do TSE — Acompanhar o envio dos relatórios consolidados do segundo turno, obrigatoriedade que vence nas semanas seguintes à votação de 25 de outubro.
Ajuste de dívidas de campanha — Verificar se o saldo das despesas contratadas superou as receitas arrecadadas e se haverá necessidade de repasses adicionais dos partidos para cobrir eventuais déficits.
Auditoria e julgamento — Monitorar os pareceres técnicos do TSE quanto ao cumprimento dos limites de gastos e à regularidade das doações de pessoas físicas declaradas.
Conclusão do Rico aos Poucos
Os números parciais divulgados pelo TSE até 21 de outubro mostram que a disputa de 2026 envolveu volumes milionários financiado prioritariamente pelo contribuinte brasileiro. A liderança de Lula na arrecadação (R$ 118,4M) e a de Flávio Bolsonaro nas despesas (R$ 74,6M) ilustram a magnitude do aparato eleitoral exigido na corrida presidencial. A fotografia completa do impacto fiscal e do encerramento dessas contas só será conhecida após o julgamento final das declarações definitivas prestadas ao tribunal.