O que mudou no Rico aos Poucos?
Em poucas semanas entraram no ar a sincronização automática da carteira com a B3 por extensão do navegador, a possibilidade de ter mais de uma carteira e compartilhá-la sem revelar valores, um servidor novo mais rápido, o cadastro de renda fixa por título do Tesouro e as edições em inglês e espanhol. Abaixo, o que cada mudança significa na prática.
A extensão que sincroniza sua carteira com a B3
Lançar um ativo a ativo, aporte a aporte, era a maior barreira de quem chegava aqui. Quem investe há cinco anos tem centenas de ordens espalhadas por duas ou três corretoras — e digitar tudo isso à mão é a diferença entre usar a ferramenta e desistir dela na primeira noite.
A extensão para o navegador resolve isso pela fonte certa: o Área do Investidor da própria B3 (investidor.b3.com.br), onde ficam registradas todas as suas negociações. Você entra ali como sempre entrou, a extensão lê o extrato que já está ali na sua tela e envia o resultado para a sua conta no site. Nenhuma senha de corretora é pedida, nada é digitado por você.
A decisão de projeto mais importante não foi técnica, foi de comportamento: sincronizar com a B3 é adotar a B3. Onde a bolsa tem registro, o registro dela vale — o site não fica perguntando "você tem 140 lançamentos e a bolsa tem os mesmos 140, o que faço?". Pergunta sem consequência ensina o usuário a clicar sem ler, e a primeira versão dessa régua chegou a gerar 43 pendências numa carteira só. Hoje sobrou uma única pergunta, e ela é legítima: o ativo que está na sua carteira e a B3 não conhece — cota comprada em nome de outra pessoa, por exemplo, ou um lançamento errado. Essa não trava nada, e quem responde "é meu" não é perguntado de novo.
Duas travas que protegem quem sincroniza. A primeira é a janela: a extensão informa o período que efetivamente leu, e nada fora dele é tocado — a bolsa publica até o pregão anterior, então o dia de hoje continua sendo seu. A segunda é o diff: o que já bate não é reescrito, de forma que reenviar o mesmo extrato dez vezes não produz uma única alteração no seu histórico.
Importar histórico antigo também não dispara notificação. Seria fácil (e péssimo) você sincronizar cinco anos de proventos e receber quatrocentos avisos de "novo rendimento". O sistema só notifica provento fresco, com teto por pessoa, e registra a sincronização como um evento único no livro-razão da carteira — o que mudou, não as milhares de ordens.
Servidor novo: por que o site oscilou nos dias 2 e 3 de setembro
Vale ser direto sobre isso, porque quem tentou abrir a carteira nesses dois dias sentiu. Migramos a infraestrutura do site para uma máquina mais forte, e a virada não foi limpa: houve lentidão e momentos de indisponibilidade nos dias 2 e 3 de setembro de 2026.
A instabilidade foi consequência da migração, não do que existia antes. Trocar de servidor envolve mover banco de dados, reapontar rotas, refazer limites de memória e processador e descobrir, ao vivo, quais consultas eram lentas e ninguém tinha percebido porque a máquina antiga era só folgada o bastante para esconder.
Aproveitamos a mudança para reescrever a parte mais pesada da experiência: a tela Minha Carteira. Ela abria fazendo 13 pedidos separados ao servidor; hoje o essencial vem em um pedido só, e o restante chega depois que a tela já apareceu. O histórico de lançamentos deixou de viajar junto do carregamento inicial — eram 292 dos 442 KB de dados para uma tela que não mostra lançamento nenhum, e a lista passou a ser buscada apenas quando você clica para vê-la. O quadro de resultado mês a mês, que antes era calculado no seu celular somando mais de mil dias de histórico, agora vem pronto do servidor: a resposta caiu de 948 KB para 36 KB.
Se você ainda vir algo estranho na carteira — número que não bate, tela que não carrega, botão que não responde —, avise. Depois de uma migração desse tamanho, o relato de quem usa vale mais do que qualquer monitoramento automático.
Múltiplas carteiras — e o direito de mostrar só o que você quiser
Até pouco tempo atrás, uma conta era uma carteira. Não dava para manter uma carteira de estudo ao lado do patrimônio real, nem separar "o que é meu" de "o que estou testando". Agora dá: você pode criar quantas carteiras quiser, marcar uma como teórica (dinheiro que não é real, para experimentar uma tese sem sujar o seu patrimônio) e alternar entre elas.
A parte que mais interessa a quem quer mostrar o que faz é o compartilhamento. Cada carteira tem quatro níveis de visibilidade, e um interruptor separado que decide se ela exibe valores em reais:
| Nível | Quem vê | Para quê serve |
|---|---|---|
| Privada | Só você | O padrão. Nasce assim, e continua assim até você mudar. |
| Convidados | Pessoas que você convidou, uma a uma | Mostrar para a família ou para um grupo pequeno, com a possibilidade de remover alguém depois. |
| Link | Quem tiver o endereço | Compartilhar num grupo sem precisar cadastrar ninguém. |
| Pública | Qualquer pessoa | Deixar a carteira aberta, no endereço próprio dela. |
O interruptor de valores é o que torna isso confortável. Com ele desligado, a carteira compartilhada mostra a composição e o desempenho em percentual, sem um único número em reais: quanto por cento está em cada ativo, quanto rendeu, como se comportou no período — e ninguém descobre o tamanho do seu patrimônio. E o corte é feito no servidor, não na tela: os valores nem chegam ao navegador de quem abre o link, então não adianta abrir as ferramentas do desenvolvedor para tentar espiar.
O convite tem endereço separado de propósito. Se você compartilhou um link e depois quer cortar o acesso de uma pessoa específica, dá para regenerar só o convite sem invalidar a URL que já circulou — e sem cortar todo mundo de uma vez.
Renda fixa, mais fundos e o que veio das sugestões de vocês
A renda fixa recebeu um conserto que muda o número que você vê. O título do Tesouro era um campo de texto livre: você digitava "IPCA+ 2035" e o sistema, sem saber exatamente qual papel era aquele, calculava a posição com juros compostos sobre o valor aplicado — ou seja, mostrava a curva teórica do papel, não o preço de mercado dele.
A diferença não é pequena. Num IPCA+ 2035 comprado em março de 2024, essa conta indicava R$ 6.399 quando a posição real valia R$ 5.351 — 19,6% de diferença, sempre para mais. Hoje o título é escolhido num catálogo, e a posição vale quantidade multiplicada pelo preço de recompra do dia, atualizado a partir dos dados do Tesouro Transparente. A régua da reserva de emergência também ficou honesta: só entra ali o que sai quando você quiser e pelo valor cheio.
Em paralelo, o acervo de fundos imobiliários cobertos pelo site cresceu, e boa parte das mudanças menores dos últimos meses saiu direto de mensagens de vocês — ajustes de tela, campos que faltavam, números que estavam mal explicados. Não damos destaque a cada uma porque são dezenas, mas elas existem e continuam entrando.
Visual novo, e o site agora fala inglês e espanhol
A identidade visual foi refeita — logo, tela inicial, cores e a forma como os cartões de conteúdo aparecem. E o site passou a existir em três idiomas: além do português, há edições em inglês e espanhol, com endereços próprios e conteúdo reescrito para cada uma, não traduzido palavra por palavra.
A transcrição do acervo inteiro ainda está em andamento — são centenas de páginas e artigos —, mas o resultado já aparece: temos leitores estrangeiros chegando às análises. Enquanto isso, o ritmo do que sempre fizemos continua o mesmo: várias notícias por dia, análises de fundos, indicadores e as ferramentas que já estavam no ar.
O que estamos construindo agora: um novo motor de análise de FIIs
Esta é a parte que mais consome nosso tempo hoje, e é a que deve mudar mais a experiência de quem usa o site para escolher fundo imobiliário.
Estamos reconstruindo do zero a forma como armazenamos os dados dos fundos. Em vez de guardar apenas a fotografia mais recente — patrimônio, dividendo do mês, vacância —, cada documento que o fundo publica entra em ordem cronológica e vira um fato datado, com a origem registrada: de qual relatório saiu, de qual data-base, quem informou. O resultado é a história completa do fundo, mês a mês, desde o começo: o que ele comprou, o que vendeu, quanto gerou de caixa, quanto distribuiu, onde a gestão acertou e onde ficou parada.
Isso é trabalhoso porque a matéria-prima é volumosa. São centenas de fundos, e cada fundo publica dezenas de documentos por ano — relatórios gerenciais, informes mensais e trimestrais, fatos relevantes, atas. Um único fundo pode ter mais de trezentos documentos para reprocessar, e cada correção que fazemos no leitor de documentos obriga a refazer tudo desde o início, para que a melhoria valha também para o passado.
Para que serve toda essa reconstrução
Para prever. O objetivo do motor é responder duas perguntas que nenhuma tabela de indicador responde:
Quanto o fundo tende a distribuir nos próximos meses. Não o dividendo do mês passado repetido para a frente, mas uma projeção construída a partir da geração de caixa que os documentos mostram e da parcela dela que o fundo historicamente distribui. É assim que dá para enxergar antes o degrau — o momento em que o rendimento vai subir ou cair de patamar — em vez de descobrir no dia do anúncio.
Para onde a cota tende a ir. Se o dividendo futuro é estimável, o preço justo deixa de ser um número estático e passa a ser uma trajetória, com cenários e a distância entre o que o fundo vale por fundamento e o que o mercado está pagando por ele.
Por que a carga histórica importa tanto. É ela que permite testar o motor contra a realidade: cortamos a série num ponto do passado, deixamos o modelo projetar sem ver o que veio depois e comparamos com o que o fundo efetivamente pagou. Sem esse teste, uma previsão é só uma opinião com aparência de número. Os primeiros resultados são animadores, mas continuamos ampliando a amostra antes de colocar isso na frente de quem investe.
Onde isso vai desembocar
A meta é uma página de análise em que qualquer pessoa entenda um fundo que nunca acompanhou: o que ele é, o histórico resumido, os problemas que enfrentou, o que tem na carteira, como a gestão se comportou, quanto paga hoje e o que se pode esperar de rendimento adiante — não apenas o que o fundo comprou até agora, mas para onde ele está caminhando.
Com isso fica possível apontar, com critério e não com achismo, quais fundos estão sendo negociados abaixo do que valem e quais estão caros — os casos em que o mercado vendeu no medo ou comprou na euforia. E é isso que alimenta a próxima etapa: carteiras teóricas públicas, montadas pelo motor, com a alocação visível, revisadas periodicamente (a cada 14 ou 30 dias) e acompanháveis em tempo real por qualquer pessoa. Sem dinheiro real, mas com o resultado exposto — acertos e erros, sem apagar o histórico. Não são recomendações de investimento: são carteiras de estudo, com a régua e o desempenho abertos para conferência.
Não colocamos no ar ainda porque preferimos demorar a publicar número errado. Reprocessar todo o acervo custa tempo e trabalho, e cada rodada de correção recomeça o ciclo. Quando sair, sai completo.
Como pedir uma mudança no site
Vale repetir o que orienta tudo acima: este site é para você acompanhar os seus investimentos. Se algo está errado, corrigimos. Se algo falta, implementamos. Uma boa parte do que existe hoje entrou porque alguém escreveu dizendo que precisava.
Sugestões e problemas chegam pelo link "Contribua", no rodapé de qualquer página do site, ou pelos comentários aqui embaixo. O tempo de resposta varia com o tamanho do pedido: correções pequenas costumam sair em minutos ou horas; recursos maiores levam um ou dois dias, às vezes mais, dependendo do que já está na fila. Mas todos são lidos.
O que já dá para usar hoje: sincronizar sua carteira com a B3 pela extensão, criar mais de uma carteira e compartilhá-la sem expor valores, cadastrar renda fixa pelo título certo com preço de mercado, e navegar por um site mais rápido depois da migração. O que vem: o motor de análise de FIIs com projeção de dividendo, trajetória de preço e as carteiras teóricas acompanháveis — além do aplicativo, que já está em preparação.
Obrigado a quem escreveu, reclamou, sugeriu e ficou por perto durante a instabilidade desses dias. É com isso que o site cresce — e continua crescendo com quem chega agora.