- Lucro no 3T26: O Banco Santander Brasil reportou R$ 2,9 bilhões de lucro líquido gerencial recorrente, queda de 28,0% frente ao 3T25 e de 4,3% em relação ao 2T26.
- O motivo da queda: O banco reduziu propositalmente a exposição ao crédito de massa (varejo massificado) para focar em clientes Select (alta renda) e Grandes Empresas, encolhendo a margem financeira com clientes.
- Qualidade do balanço: As despesas operacionais caíram 3,0% no trimestre, o índice de Basileia ficou em 15,1% e a PDD somou R$ 7,46 bilhões (-2,5% na comparação trimestral).
O Banco Santander (Brasil) S.A. enviou à CVM o seu balanço oficial do terceiro trimestre de 2026, revelando um lucro de R$ 2,9 bilhões que reflete a mudança estrutural de sua tese de crédito. A retração anual na rentabilidade expõe a travessia de um modelo de alto risco para um portfólio mais defensivo.
O que aconteceu com a ação SANB11 no 3T26?
O Banco Santander (Brasil) S.A. divulgou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O valor representa um recuo de 4,3% em relação aos R$ 3,03 bilhões do segundo trimestre (2T26) e uma queda de 28,0% frente aos R$ 4,03 bilhões reportados no mesmo trimestre de 2025 (3T25). Com isso, o retorno gerencial recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) encerrou o período em 11,9% — uma retração de 5,6 pontos percentuais em doze meses.
A retração nos números não é fruto de um imprevisto operacional, mas de uma decisão deliberada de portfólio. No documento entregue à CVM, a instituição detalhou que continuou reequilibrando sua carteira de crédito ampliada, que atingiu R$ 721,264 bilhões (alta de 0,9% no trimestre e 4,7% no ano). O banco pisou no freio na concessão de crédito para o varejo de baixa renda (massificado), que vinha gerando altos índices de inadimplência em ciclos passados, e concentrou sua expansão nos segmentos de alta renda (Select) e grandes empresas (Large Corporate).
Essa alteração de estratégia altera a dinâmica financeira do Santander. Clientes de maior renda e grandes corporações oferecem menor risco de calote, mas também pagam taxas de juros mais baixas. O resultado imediato dessa transição é uma margem financeira com clientes mais estreita, reduzindo o resultado final enquanto a base antiga de inadimplência ainda é limpa pelo custo do risco.
Por que o lucro do Santander recuou 28% na comparação anual?
A queda do lucro líquido foi puxada pela redução da margem financeira líquida (NII) e pelo custo de provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD). A margem financeira totalizou R$ 14,958 bilhões no 3T26, apresentando recuo de 2,5% no trimestre e queda de 1,6% em doze meses. O componente de margem com clientes sofreu contração anual de 4,2%, refletindo justamente o menor volume de empréstimos a juros elevados no segmento massificado.
-28,0% YoY / -4,3% QoQ
+4,7% YoY / +0,9% QoQ
+14,4% YoY / -2,5% QoQ
-0,6% YoY / -3,0% QoQ
Por outro lado, a margem com mercado mostrou reação positiva. As perdas no resultado com mercado caíram de forma expressiva, diminuindo 33,6% na comparação anual (embora tenham oscilado 24,7% negativamente no trimestre, somando -R$ 0,9 bilhão), fruto de uma menor sensibilidade do balanço às oscilações da taxa de juros.
No braço de provisões, o resultado de perdas com crédito somou R$ 7,460 bilhões no trimestre. Apesar de representar uma melhora de 2,5% na comparação com o 2T26, o indicador subiu 14,4% em relação ao 3T25. O custo do risco encerrou o período em 3,89%, rodando em patamar estável na comparação anual (+0,1 p.p. no trimestre), o que demonstra que o banco ainda carrega a conta do crédito concedido nos anos de maior agressividade comercial.
Carteira de crédito e eficiência: o que revela o balanço do Santander?
O crescimento da carteira de crédito do Santander foi sustentado por segmentos institucionais e de alta renda. Na comparação em doze meses, o avanço de 4,7% da carteira ampliada teve como motores os segmentos de Grandes Empresas (Large Corporate), Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e Financiamento ao Consumidor. No segmento Pessoa Física, os produtos de maior destaque foram cartões de crédito e crédito imobiliário focados no público de alta renda, movimento que compensou a retração voluntária na baixa renda.
A captação de recursos junto a clientes alcançou R$ 701,316 bilhões, crescimento de 6,3% em doze meses e 1,9% no trimestre. As Pessoas Físicas passaram a responder por 51% do mix total de captação, um avanço de 3 pontos percentuais no ano. Dentro do segmento Select, os depósitos cresceram 16% na comparação anual, reafirmando o ganho de participação do banco no topo da pirâmide consumidora.
O controle rígido de custos foi o grande destaque operacional do trimestre. As despesas gerais somaram R$ 6,383 bilhões, recuando 3,0% no trimestre e 0,6% no ano — rodando bem abaixo da inflação do período. Com esse rigor sobre os custos administrativos e de pessoal, o índice de eficiência gerencial atingiu 38,8%, apresentando uma melhora de 0,4 p.p. na comparação sequencial, embora ainda registre alta de 1,3 p.p. frente ao 3T25.
O que o resultado do 3T26 muda para quem investe na ação SANB11?
Para o acionista da ação SANB11, o balanço do 3T26 confirma que a recuperação da rentabilidade será um processo gradual. O retorno sobre o patrimônio (ROAE) de 11,9% coloca o Santander abaixo dos pares privados da B3, como Itaú e Bradesco, que têm conseguido acelerar a rentabilidade em ritmo mais forte. No pregão de 27/10/2026, a ação SANB11 fechou cotada a R$ 25,76, acumulando uma variação de -2,05% no dia e recuo de 12,38% nos últimos 12 meses.
Se você possui ações do Santander (SANB11), o resultado do 3T26 exige paciência. A transição para um perfil de crédito mais seguro reduz a volatilidade do balanço, mas trava a distribuição expressiva de dividendos no curto prazo. Como os lucros estão rodando em patamar inferior aos anos anteriores, o volume absoluto pago em proventos tende a ser mais modesto até que o ROAE volte a superar a casa dos 15%.
A estrutura de capital do banco continua sólida e preservada. O índice de Basileia encerrou o terceiro trimestre em 15,1%, nível confortável e bem acima das exigências regulatórias do Banco Central. Essa folga de capital garante que a instituição não precisa reter caixa por sufoco regulatório, mas a menor geração interna de lucro limita o tamanho do dividendo distribuído por cota.
O que acompanhar nos próximos trimestres de SANB11?
A tese de investimento na ação SANB11 depende agora da velocidade com que o novo mix de clientes gerará receitas de serviços e comissões. No 3T26, as receitas de tarifas e comissões somaram R$ 5,417 bilhões (+1,6% no trimestre e -2,4% no ano), impulsionadas por cartões e seguros, compensando parcialmente a menor receita com corretagem e originação de títulos.
Recuperação do ROAE — Acompanhar se o retorno sobre o patrimônio consegue romper a barreira dos 13% nos próximos balanços à medida que o custo de provisão cai.
Comportamento da PDD e Inadimplência — Monitorar se as perdas com crédito continuam em trajetória descendente no comparativo trimestral (abaixo de R$ 7,4 bilhões).
Expansão de Receita com Tarifas — Observar o crescimento do segmento Select na venda de seguros e gestão de recursos para compensar a margem financeira mais magra.
Veredito: o que fazer com SANB11 após o 3T26?
O resultado do 3T26 do Banco Santander (SANB11) mostra uma empresa em plena arrumação de casa: sacrificou o lucro imediato e a margem alta do varejo popular para construir um balanço mais limpo, focado em alta renda e grandes empresas. Para o investidor de longo prazo focado em dividendos, a ação oferece solidez patrimonial (Basileia de 15,1%) e um rigoroso controle de custos, mas não promete ralis de rentabilidade no curto prazo. O papel tende a continuar pressionado enquanto o ROAE de 11,9% não mostrar sinais claros de aceleração rumo às médias históricas do setor bancário.