Treasuries de 10 anos recuam após o CPI forte: o que a BlackRock vê no juro americano e o que muda para o seu bolso
INICIANTE

US10Y recua para 5,09% e devolve o salto do CPI de setembro

A BlackRock mudou de posição nos títulos, mas o mercado segue dividido sobre a próxima decisão do Fed.

O que aconteceu com o juro dos Treasuries de 10 anos?

O juro do Treasury de 10 anos recuou no pregão, para 5,09%, depois de saltar cerca de 0,10 ponto percentual na quarta-feira (14), quando a inflação ao consumidor dos EUA (o CPI) de setembro veio acima do esperado, segundo o InfoMoney. Na ocasião, o rendimento chegou perto do maior nível desde 2002.

Juro do Treasury de 10 anos (US10Y)5,09%

Cotação da nossa rodada de mercado.

Variação no dia-1,95%

Recuo do rendimento no pregão.

Salto de quarta (14)~0,10 p.p.

Alta puxada pelo CPI, segundo o InfoMoney.

A conta fecha de um jeito curioso: um recuo de 1,95% sobre um juro de 5,09% equivale a uns 0,10 ponto percentual, mais ou menos o que o juro tinha subido na quarta. Ou seja, o pregão devolveu o susto do CPI, mas não resolveu a discussão.

Uma pegadinha de vocabulário: a CNBC (via Times Brasil) titulou que os "Treasuries caem após CPI forte e mercado reavalia juros do Fed". Quando se diz que o título "cai", fala-se do preço; o juro (rendimento) anda no sentido contrário. Preço caindo é juro subindo, e hoje o movimento foi o inverso.

Por que o juro americano está tão alto este ano?

O InfoMoney aponta três causas para a alta dos juros americanos neste ano: petróleo mais caro, economia resiliente e forte emissão de dívida, tanto por governos quanto por empresas que investem em inteligência artificial (IA).

Petróleo mais caro+Economia resiliente+Emissão de dívida (governos e IA)=Treasury de 10 anos perto do maior nível desde 2002

Por que isso chega ao Brasil? Segundo o InfoMoney, os Treasuries são a principal referência de investimento de baixo risco do planeta. Quando o rendimento deles sobe, sobe junto o retorno que os investidores cobram para aplicar em ações, em títulos de empresas e em países emergentes como o Brasil. Na prática, o preço de quase tudo é recalculado a partir desse juro.

O pior já passou? O que a BlackRock separa nessa alta

Segundo o InfoMoney, a BlackRock, maior gestora do mundo, abandonou nesta semana a recomendação de venda de Treasuries. Mas a mesma gestora faz uma distinção que importa para o seu bolso: nem todo juro alto é igual.

A BlackRock separa a subida puxada por crescimento e demanda por investimentos, que considerava compatível com ativos de risco, daquela provocada por inflação persistente ou dúvidas sobre a credibilidade dos bancos centrais, vista como mais preocupante. O CPI de setembro coloca a inflação de volta no centro dessa conversa, e a resposta, diz o InfoMoney, divide alguns dos maiores investidores do mundo.

  • A BlackRock deixou de recomendar a venda de Treasuries nesta semana.
  • O juro de 10 anos recuou no pregão, para 5,09%, devolvendo o salto de quarta.
  • O CPI de setembro veio acima do esperado e recolocou a inflação no centro do debate.
  • A decisão do Fed está a duas semanas, e o mercado ainda reavalia o que esperar dela.
  • Grandes investidores estão divididos sobre se o pior já passou.

Treasuries a 5,29% ou Tesouro Prefixado a 13%: dá para comparar?

O Estadão colocou os dois lado a lado no título de uma matéria: "Treasuries a 5,29% ou Tesouro Prefixado a 13%?", prometendo mostrar onde ganhar mais e como diversificar. A diferença nominal é de 7,71 pontos percentuais.

Tesouro Prefixado (Estadão)13%
Treasuries (Estadão)5,29%
US10Y, nossa rodada5,09%

Cuidado com a comparação direta. O Treasury rende em dólar e o Tesouro Prefixado em reais, então a diferença de 7,71 pontos percentuais não é ganho garantido de ninguém: o câmbio entra na conta de quem compra Treasury. Os 5,29% do Estadão e os 5,09% da nossa cotação também podem não ser do mesmo momento ou do mesmo vencimento, e o título da matéria não detalha isso.

O que isso muda para quem investe no Brasil?

O recuo de hoje alivia, mas não muda o regime. A leitura da nossa redação é que o recuo pontual dos rendimentos tira um pouco de pressão sobre títulos longos, como os que o ETF TLT reúne, mas a trajetória de juros elevados nos Estados Unidos mantém a visão neutra para a classe.

O que isso muda para você

Se você tem renda fixa ou ações no Brasil, o juro americano continua sendo o piso do retorno que o mercado global exige, e ele segue perto do maior nível desde 2002. Um dia de recuo não justifica trocar de estratégia. Se está pensando em Treasuries, lembre que o rendimento em dólar tem o risco cambial por cima. Para quem não sabe se o juro vai cair ou subir, diversificar entre pós, prefixados e exposição global é o que o próprio título do Estadão sugere discutir.

O que acompanhar daqui para a frente?

1

A decisão do Fed, a duas semanas, segundo o InfoMoney. É o próximo teste de como o mercado precifica o CPI de setembro.

2

O US10Y em torno de 5,09%. Se voltar a subir os ~0,10 ponto percentual que devolveu hoje, o recuo foi só uma pausa.

3

A natureza da alta. Se vier de crescimento e demanda por investimento, a BlackRock considera compatível com ativos de risco; se vier de inflação persistente ou dúvida sobre os bancos centrais, o tom muda.

4

Petróleo e emissão de dívida, duas das três causas apontadas pelo InfoMoney para o juro alto neste ano.

Veredito: o recuo do Treasury de 10 anos para 5,09% é um alívio, mas o CPI de setembro acima do esperado recolocou a inflação no centro do debate, e grandes investidores seguem divididos sobre se o pior passou. Para o investidor brasileiro, a leitura é de atenção, não de pânico nem de euforia, até a decisão do Fed.