CDII11 — Sparta Infra CDI FIC FI-Infra

SPARTA INFRA CDI FIC FI INFRA RENDA FIXA CP — Fundo Incentivado de Investimento em Infraestrutura (Lei 12.431/2011) gerido pela Sparta, focado em debêntures incentivadas de infraestrutura brasileira indexadas ao CDI+ (energia, saneamento, telecom, rodovias). Versão CDI-indexada do JURO11 (IMA-B 5), com benchmark CDI + 2% a.a.

Recomendação: ACUMULAR · Nota 7,2/10 · Cotação R$ 99,98 · P/VP 0,9767 · DY 12m 16,5%

Análise e recomendação

O CDII11 é o FI-Infra CDI-indexado de R$ 2,81 Bi da Sparta — a versão floating do JURO11 (que é IMA-B 5). Investe ≥85% em debêntures incentivadas de infraestrutura (energia, saneamento, telecom, rodovias) atreladas ao CDI + 2% a.a., não ao IPCA. Isso muda toda a dinâmica: com a Selic em 14,75%, o carrego CDI+ é brutal e o fundo distribuiu R$ 17,21/cota em 12 meses — DY de ~16,5% isento de IR PF (equivale a ~20% bruto via gross-up de 17,5%), o maior do peer set. A isenção da Lei 12.431/2011 sustenta a tese. O P/VP de 0,97 (3,3% de desconto) reflete cota próxima do VP de R$ 102,37. O risco principal NÃO é marcação a mercado (CDI+ é floating, reajusta o indexador e quase não acumula desconto), mas sim a queda estrutural do DPS quando a Selic cair: o DPS já recuou de R$ 2,00 (set/25) para R$ 1,00 (mai/26), e um corte da Selic para 10-11% pode levar o DPS para R$ 0,70-0,80 (-40-50% vs pico). Para investidor que entende que está comprando carrego de juro alto temporário — e não um yield perpétuo de 16% — CDII11 é uma das melhores fontes de renda isenta enquanto a Selic estiver alta.

Tese de investimento

O CDII11 é um veículo de renda mensal isenta de IR ancorado em ~55 debêntures incentivadas multi-setor indexadas ao CDI+ (não ao IPCA). A tese estrutural combina a isenção da Lei 12.431/2011 com o carrego floating CDI + 2%: enquanto a Selic está em 14,75%, o fundo entrega DY de ~16,5% isento — equivalente a ~20% bruto via gross-up. O risco principal é estrutural e específico do CDI+: diferentemente dos pares IPCA+ (cujo risco é marcação a mercado em curva adversa), o CDII11 quase não sofre MtM (indexador floating reajusta semestralmente), mas seu DPS colapsa quando a Selic cair. Em ciclo de corte (Focus projeta Selic indo a 10-11% em 2027), o DPS pode recuar de R$ 2,00 (pico) para R$ 0,70-0,80 — queda de 40-50%. Posição na hierarquia FI-Infra: CDII11 oferece o maior DY do peer set (16,5% vs 11-14% dos IPCA+) e a melhor liquidez (R$ 7,84 Mi/dia), mas é o que mais perde yield no ciclo de corte. É carrego de juro alto, não renda perpétua.

Para quem é

  • Investidor PF que quer capturar o carrego de Selic alta com renda mensal isenta de IR enquanto o juro está elevado
  • Perfil moderado que aceita DPS variável (R$ 1,00-2,00) em troca do maior yield do segmento FI-Infra
  • Quem prefere baixa sensibilidade a marcação a mercado (CDI+ floating) em vez de duration longa IPCA+
  • Investidor que entende a mecânica CDI → Selic e sabe que o yield comprime no ciclo de corte
  • Quem busca alternativa isenta de IR superior ao CDB DI / LCI com diversificação automática multi-setor de infra
  • Cotista que valoriza liquidez secundária forte (R$ 7,84 Mi/dia, melhor do peer set)

Para quem não é

  • Quem busca renda mensal estável e previsível — o DPS oscila estruturalmente com a Selic
  • Investidor que confunde DY de 16% com yield perpétuo — ele comprime no ciclo de corte de juros
  • Quem quer se beneficiar de marcação positiva em queda de Selic — CDI+ não captura ganho de duration como IPCA+
  • Quem já tem JURO11/KDIF11/BDIF11 com peso relevante — sobreposição setorial alta (mesmo com indexador diferente)
  • Perfil que não tolera DPS caindo de R$ 2,00 para R$ 1,00 em poucos meses (é estrutural, não erro)
  • Investidor de longuíssimo prazo que quer travar yield real — para isso, IPCA+ (JURO11) é mais adequado

Pontos de atenção e riscos

DPS cai estruturalmente quando a Selic cair — risco PRINCIPAL do fundo

Por ser CDI-indexado, o carrego do CDII11 acompanha a Selic. Com Selic em 14,75% o fundo paga R$ 1,00-2,00/cota. Se a Selic cair para 10-11% (cenário Focus para 2027), o DPS pode recuar para R$ 0,70-0,80/cota — queda de 40-50% vs o pico de R$ 2,00 (set/25). O DY de 16,5% NÃO é perpétuo: é fotografia de um ciclo de juro alto. Quem compra esperando 16% pra sempre vai se frustrar no ciclo de corte.

DPS altamente variável (R$ 1,00 a R$ 2,00 em 12m) — normal, mas exige leitura correta

O DPS oscilou entre R$ 1,00 (mai/26) e R$ 2,00 (set/25) nos últimos 12 meses. Diferentemente do JURO11 (que ficou estável em R$ 1,00 por 14 meses), aqui a variação é estrutural do indexador CDI+ e do calendário de cupons das debêntures — NÃO instabilidade de gestão. O cotista deve olhar o acumulado 12m (R$ 17,21) em vez do mês isolado.

Pré-pagamento (call) de debêntures CDI+ em queda de Selic

Em ciclo de corte, emissores tendem a pré-pagar debêntures CDI+ e reemitir em IPCA+ (mais conveniente quando o juro real cai). Isso força o CDII11 a reinvestir caixa em papéis com carrego menor, acelerando a compressão do DPS além do efeito direto da Selic. É um risco duplo no ciclo de queda.

Compressão do spread CDI+ pressiona carrego de novas alocações

O excesso de demanda por debêntures incentivadas em 2025-2026 comprimiu spreads. Em CDI+, o spread médio caiu para faixa de CDI+2,0-2,5% em emissões recentes. Novas alocações entram com prêmio menor — efeito visível no DPS estrutural em 12-18 meses, somado ao efeito da Selic.

Risco regulatório Lei 12.431 — extinção da isenção fiscal

A isenção de IR via Lei 12.431/2011 é a viga estrutural da tese. Mudanças no marco fiscal que reduzam ou extingam a isenção tirariam parte central da atratividade — o DPS líquido cairia ~17,5% imediatamente (alíquota PF padrão). Probabilidade baixa em 12m, mas vigiar em ano eleitoral.

Fundo jovem — apenas 3,3 anos de histórico (IPO fev/2023)

O CDII11 fez IPO em fev/2023 — mais jovem que JURO11 (dez/2021), KDIF11 e BDIF11. Não atravessou um ciclo completo de corte de Selic como fundo CDI+. O comportamento do DPS num ciclo de queda prolongado ainda não foi observado na prática — só pode ser estimado pela mecânica do indexador.

Composição setorial granular não publicada em fontes públicas

Sparta não publica relatório gerencial detalhado em fontes abertas (site bloqueia scraping, HTTP 403). Composição setorial exata e lista de top emissores não confirmáveis em múltiplas fontes. Cotista PF depende de confiar na gestão Sparta para alocação granular. Estimativas setoriais baseadas em padrão FI-Infra CDI+.

Sustentabilidade dos dividendos

FI-Infra distribui ≥95% do resultado caixa por exigência regulamentar. Payout próximo de 100% é estrutural, não anomalia. O DPS variável (R$ 1,00-2,00) NÃO é sinal de deterioração — é o carrego CDI+ acompanhando a Selic e o calendário de cupons. A queda gradual de set/25 (R$ 2,00) a mai/26 (R$ 1,00) reflete a antecipação de corte de Selic pelo mercado, não esgotamento de crédito.

Sobre a gestora

A Sparta Administradora de Recursos é gestora especializada em crédito privado e renda fixa estruturada, com presença consolidada em FI-Infra. Gere dois fundos incentivados complementares: CDII11 (CDI+) e JURO11 (IMA-B 5) — oferecendo ao investidor as duas pontas do indexador. O CDII11, lançado em fev/2023, cresceu para R$ 2,81 Bi em ~3,3 anos com 70,6 mil cotistas — base pulverizada predominantemente PF, e já maior que o JURO11 (R$ 2,1 Bi). Limitação: divulgação pública de relatório gerencial granular é inferior a BTG (BDIF11) e Kinea (KDIF11) — site institucional bloqueia scraping (HTTP 403). Retorno de 62% acumulado desde o IPO sustenta a nota.

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