RZAK11 — Riza Akin FII

Multiestratégia: CRI + crédito estruturado + securitização (8 núcleos Riza)

Recomendação: MANTER · Nota 5,5/10 · Cotação R$ 84,07 · P/VP 0,9514 · DY 12m 16,01%

Análise e recomendação

O RZAK11 é o maior FII de papel multiestratégia da Riza Asset: 35 CRIs + 9 FIIs distribuídos por oito núcleos de gestão (Real Estate, Infra, Securitização, Agro, Direct Lending, Allocation e Renda Fixa) e quatro estratégias macro (Crédito Estruturado, Pulverizado, Aquisição de Reais, Carteira). A carteira tem 49% em IPCA+ a 10,11% a.a. de spread, 31% em CDI+ a 3,34% e 11% em INCC-DI+ a 11,88% — bem balanceada para o ciclo atual.

O fundo paga R$ 1,10/cota há 7 meses com DY 12m de 16,0% (sobre cotação de R$ 83,39 em 01/06/2026), P/VP 0,94 e cota patrimonial R$ 88,36. O guidance da gestora é R$ 1,00–R$ 1,10/mês para os próximos três meses, sustentado pelos R$ 0,42/cota retidos em sobras (~R$ 3,7 mi). O principal risco é a exposição residual aos CRIs Starbucks (R$ 6,5 mi em recuperação judicial desde dez/2023) e o payout de 102,5% acumulado em 2025 — distribuição levemente acima da geração, sustentada por sobras e ganho de capital em FIIs. Para investidor que entende complexidade e busca renda alta indexada a IPCA+CDI, é uma das melhores opções da casa Riza.

Tese de investimento

O RZAK11 é o maior FII de papel multiestratégia da Riza Asset e oferece exposição a 8 núcleos de gestão simultâneos (Real Estate, Infra, Securitização, Agro, Direct Lending, Allocation, Renda Fixa). Em vez de um FII de papel "clássico" focado em CRI corporativo IPCA+, o RZAK11 combina CRIs de incorporação (Mitre, Direcional, MRV), de infraestrutura (energia solar, portos), pulverizados (Helbor, Galleria) e cotas de FIIs irmãos da casa Riza (RZAT11, RZLC11, BRL Direcional, etc.).

A tese funciona em três frentes: (1) Renda alta com diversificação de risco de crédito — DY de 16,0% com 49% IPCA+ a 10,11% e 31% CDI+ a 3,34%, distribuído por 51 ativos; (2) Originação proprietária Riza — 8 núcleos da casa originam CRIs e estruturas que outros gestores não acessam; (3) Hedge IPCA/CDI explícito — a carteira é desenhada para ter ganho patrimonial em curva fechando E carrego mais alto em SELIC alta. O guidance R$ 1,00-R$ 1,10/mês aponta DPS estável até pelo menos jul/2026.

Para quem é

  • Investidor que quer exposição a CRI multiestratégia com gestão ativa Riza
  • Quem aceita complexidade (8 núcleos, 51 ativos) em troca de DY alto e diversificação interna
  • Perfil que quer hedge implícito IPCA/CDI sem precisar montar dois FIIs separados
  • Quem busca FII de papel com posições cruzadas em FIIs irmãos da casa (originação interna)
  • Investidor de horizonte 3-7 anos buscando renda mensal robusta indexada

Para quem não é

  • Investidor que prefere FII de papel "puro" focado só em CRI corporativo IPCA+ (KNCR11/MCCI11 fazem isso melhor)
  • Quem não tolera exposição residual a inadimplência (CRIs Starbucks em RJ desde dez/2023, R$ 6,5 mi)
  • Perfil avesso a alavancagem (RZAK11 opera 102,87% do PL via compromissadas reversas)
  • Quem prefere transparência simples — entender 51 ativos exige leitura de 22 páginas de Relatório Gerencial
  • Investidor que prioriza taxa de administração baixa (1,25% é acima da média)

Pontos de atenção e riscos

CRIs Starbucks em recuperação judicial desde dez/2023

R$ 6,54 milhões da posição original de R$ 50,2 milhões em CRIs Starbucks (III, IV e V — emitidos pela SRC 6/Southrock) estão em recuperação judicial há 28 meses. A Zamp adquiriu a operação Starbucks no Brasil em jun/2024 por R$ 101,8 mi, mas o valor foi para dívidas trabalhistas e fornecedores — os CRIs ficaram fora do escopo. A garantia hoje é cerca de R$ 3 mi em recebíveis de cartão de crédito retidos judicialmente. Saldo segue sendo negociado por acordo parcelado plurianual condicionado ao sucesso da recuperação.

Payout 2025 de 102,5% — distribuiu acima do que gerou

Em 2025 fechado o fundo teve resultado caixa de R$ 107,8 mi (R$ 12,24/cota) e distribuiu R$ 110,5 mi (R$ 12,55/cota) — payout 102,5%. O excesso veio de sobras retidas dos meses anteriores. Em janeiro/2026 isolado o payout foi de 161% (R$ 0,68 gerado, R$ 1,10 distribuído), com a queda de receita FII por postergação de eventos de ganho de capital. O ritmo só é sustentável porque o fundo retém parte dos meses bons em sobras — em fev/26 ainda há R$ 0,42/cota retidos.

Alavancagem de 102,87% via compromissadas reversas

O fundo opera com alavancagem bruta de 102,87% do PL (R$ 798 mi de ativos sobre R$ 776 mi de PL) usando operações compromissadas reversas. O passivo aparece como R$ 35,1 milhões em "Outros valores a pagar" no Informe Mensal de mar/26. A estratégia amplia retorno mas em ciclo de juros altos o custo da estrutura come parte do carrego. Em 2025 a despesa financeira oscilou entre +R$ 4,2 mi e -R$ 1,5 mi por mês.

Concentração no Real Estate (43% do PL)

Apesar do nome "multiestratégia", o fundo é concentrado em núcleo Real Estate (42,92% do PL), seguido de Securitização e Carteiras (24,80%) e Infraestrutura (21,75%). Um ciclo ruim para incorporadoras (que dominam o devedor de Real Estate) afeta desproporcionalmente o fundo — exemplos atuais: CFL Inc. (Sul), Mitre (SP), Direcional, MRV. A diversificação de 35 CRIs reduz, mas não elimina, esse risco setorial.

Taxa de performance de 15% acima do CDI

O fundo cobra 15% sobre o que excede CDI (sem benchmark de IPCA, ao contrário do RZAT11). Com SELIC a 15% a.a., o benchmark é exigente — em dez/2025 a taxa de performance foi de R$ 1,46 mi (R$ 0,17/cota), reduzindo as sobras disponíveis. Em 2025 inteiro foram R$ 1,46 mi pagos, ou seja, a taxa só dispara em meses excepcionais.

Ciclo esperado de corte de juros pode reduzir CDI+

O Banco Central sinalizou início de ciclo de corte da SELIC (atualmente em 15% a.a.) — a gestora cita explicitamente em fev/2026. 31% da carteira é CDI+ a spread médio de 3,34%, então uma queda de SELIC de 200-300 bps reduziria diretamente o carrego do fundo. A mitigação é a alta exposição IPCA+ (49%), mas o impacto pode ser visível em 2027 caso o ciclo se materialize.

Sustentabilidade dos dividendos

O fundo gerou em média R$ 1,07/cota nos últimos 12 meses e distribuiu R$ 1,11/cota — payout 102,5%. A diferença vem das sobras retidas (R$ 0,42/cota ainda disponível em fev/2026) + ganhos de capital em FIIs do portfólio. O dividendo R$ 1,10 atual é sustentável em 2-3 trimestres mesmo se nada melhorar; depois disso depende de ciclo de receita melhor (IPCA mais alto, novos kickers, queda do custo da alavancagem). Risco material só se SELIC cair forte E IPCA ficar baixo simultaneamente — cenário não-base.

Sobre a gestora

A Riza Asset (ex-Riza Capital) é uma gestora independente focada em crédito imobiliário, sale-leaseback e estratégias estruturadas. O RZAK11 é o maior fundo de papel da casa — 8 núcleos de gestão (Real Estate, Infra, Securitização, Agro, Direct Lending, Allocation, Renda Fixa) coexistem em um único portfólio sob gestão ativa. Em jun/2025 a Riza fez cisão parcial e a gestão do fundo passou para a Riza Allocation Gestora de Recursos (CNPJ 47.138.945/0001-38), com a mesma equipe-chave.

A casa tem track record sólido em RZAT11 (sale-leaseback, nota 7,8), RZAG11 (CRA), RZTR11 (terras agrícolas) e RZLC11 (logística). A originação proprietária via 8 núcleos é o diferencial competitivo do RZAK11 — o fundo tem acesso a CRIs e FIIs que outros gestores não originam.

Ver a análise completa da gestora Riza Asset Management →

Conclusão

O RZAK11 é uma boa opção de FII de papel para investidor que quer exposição multiestratégia com gestão Riza, sem precisar montar 4-5 FIIs separados. A combinação de 8 núcleos (Real Estate, Infra, Securitização, Agro, Direct Lending, Allocation, Renda Fixa) num único veículo é genuinamente diferenciada — a casa Riza tem originação proprietária que outros gestores não acessam.

O DPS atual R$ 1,10/mês está sustentável no curto-médio prazo (sobras de R$ 0,42/cota + caixa de R$ 23 mi cobrem 2-3 trimestres mesmo com payout 105%). O guidance do gestor é R$ 1,00–R$ 1,10 para os próximos 3 meses, e o P/VP de 0,94 oferece pequeno desconto sobre o valor patrimonial. A cotação de R$ 83,39 (01/06/2026) está abaixo do preço justo estimado de R$ 92, com upside de ~10% em cenário-base.

Os principais riscos são concentração em Direcional (~14%) e Mitre (~7,5%) via look-through, exposição residual aos CRIs Starbucks (R$ 6,5 mi em recuperação judicial desde dez/2023) e a alavancagem de 102,87% via compromissadas reversas. Para perfil de investidor moderado-arrojado (perfil 3,6/5,0 no nosso modelo) que aceita complexidade, é uma das melhores opções da casa Riza.