Itaú Asset

Nota 8.7/10 — MUITO BOA

Itaú Asset tem 3 fundos analisados (ICRI11, RURA11, ITRI11). Nota média 8.7/10 (MUITO BOA).

A Itaú Asset Management é a maior gestora privada de fundos do Brasil, com mais de 60 anos de atuação e mais de R$ 1,2 trilhão sob gestão no consolidado do grupo Itaú Unibanco — dos quais mais de R$ 80 bilhões em estratégias de Retorno Absoluto/Multimercado. Com cerca de 240 colaboradores e presença internacional (Brasil, Buenos Aires, Santiago e Nova York), a casa carrega o peso institucional do maior conglomerado financeiro do país. No universo de FIIs e Fiagros listados, sua prateleira inclui ICRI11, RURA11, ITRI11, além de TMPS11, ILOG11 e ICDI11 — ao todo seis ou mais veículos em bolsa. Atribuímos nota 8.7 (MUITO BOA) à gestora.

Track record e governança

O histórico é dos mais sólidos do mercado brasileiro. A Itaú Asset foi eleita 15 vezes melhor gestora pelo Guia de Fundos da FGV (2001, 2005, 2008, 2009 e a sequência ininterrupta de 2013 a 2023) e levou o Prêmio Outliers InfoMoney 2025 como melhor gestora do ano.

  • Recebeu da S&P Global Ratings a classificação AMP-1 (Forte), com prática de gestão "Muito Forte" — o degrau mais alto da escala. A S&P destaca imagem de marca muito forte, amplo canal de distribuição via Itaú Unibanco e mix diversificado de produtos e clientes.
  • A administração dos fundos imobiliários é feita pela Intrag DTVM, do mesmo grupo — integração total entre gestora e administradora, um diferencial de controle raro no setor.
  • Auditoria pela PwC (verificada ao menos no RURA11) e investimento elevado em governança, infraestrutura, controles e integração ESG, inclusive com whitepaper de investimentos responsáveis em parceria com a E Fund Management.
  • Sem eventos regulatórios negativos junto à CVM para a gestora. A atualização do Anexo III da Resolução 175 prevista na Agenda CVM 2026 é tema geral de mercado, não específico da casa.

Estratégia e fundos sob gestão

Os três fundos analisados cobrem segmentos complementares e mostram a abrangência da casa. O ICRI11 (nota 7.4) é o FII de papel IPCA+, com 33 CRIs, 63% indexados ao IPCA+ (taxa MTM 10,22%) e 27% ao CDI+, originação proprietária via Itaú BBA e taxa de administração de apenas 1,00% a.a. sem performance. O RURA11 (nota 6.6) é o Fiagro de crédito, com PL de R$ 1,65 bilhão e que estreou em março de 2022 como o maior Fiagro do país em volume e cotistas. O ITRI11 (nota 6.4) é o FoF híbrido lançado em março de 2024, com 81%+ em FIIs listados, CRIs, ações de incorporadoras e uma fatia em fundos de desenvolvimento.

A leitura de conjunto revela um padrão importante: apesar da excelência da gestora, a qualidade dos fundos é moderada e dispersa (notas 7.4, 6.6 e 6.4). Os três negociam com P/VP abaixo de 1,00 (0,94, 0,85 e 0,85), sinal de que o mercado aplica desconto, e oferecem DYs atrativos (12,94%, 14,93% e 12,22%). É uma marca forte cuja prateleira ainda precisa converter reputação institucional em performance consistente de cada veículo.

Pontos fortes e de atenção

  • Escala de R$ 1,2 trilhão em AuM e respaldo do grupo Itaú Unibanco.
  • Originação proprietária via Itaú BBA, com CRIs co-financiados (Lotisa, Idea Zarvos, entre outros).
  • Taxas competitivas: 1,00% a.a. sem performance no ICRI11 e no RURA11, e 1,20% a.a. sem performance no ITRI11.
  • Rating AMP-1 da S&P e transparência elevada nos relatórios.
  • Taxa de performance do RURA11 de 20% sobre CDI+1% — agressiva para a categoria de crédito agro.
  • P/VPs abaixo de 1,00 nos três fundos — o mercado precifica desconto e ainda não validou plenamente as teses.
  • PDD do RURA11 de R$ 57,6 milhões (3,5% do PL), reflexo do risco de crédito do agronegócio.
  • ICRI11 com base pequena de cotistas (11.673), concentrada em clientes afluentes do Itaú, o que pode pesar na liquidez.
  • ITRI11 ainda novo (26 meses), com histórico curto, embora já tenha rendido 18,47% em 12 meses pós-IPO, 1,65 pp acima do IFIX.

Para qual investidor faz sentido

A Itaú Asset faz sentido para o investidor que valoriza solidez institucional, governança AMP-1 e taxas enxutas, aceitando que a qualidade individual dos fundos é boa mas não excepcional. Quem busca renda em papel IPCA+ encontra no ICRI11 a opção mais barata e conservadora; o RURA11 atende a exposição ao agro de crédito para quem tolera a PDD e a taxa de performance; e o ITRI11 serve ao investidor disposto a um FoF híbrido jovem com viés de ganho de capital. O que vigiar: evolução da PDD do RURA11, a manutenção dos payouts do ICRI11 (reserva subiu para R$ 2,40/cota) e a consolidação do histórico do ITRI11. É cobertura analítica, não recomendação de compra.

Segmentos de atuação: FII de Papel — CRI Híbrido (IPCA+ e CDI+), Fiagro — Crédito (CRAs do agronegócio), Outros / Híbrido (FII de FIIs + CRI + Ações + Desenvolvimento)

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