Suno Asset

Nota 7.3/10 — BOA

Suno Asset tem 6 fundos analisados (SNAG11, SNEL11, SNME11, SNFF11, SNCI11, SNFZ11). Nota média 7.3/10 (BOA).

A Suno Asset é o braço de gestão de recursos do Grupo Suno, ecossistema fundado por Tiago Reis em fevereiro de 2017 como casa de análise independente "buy and hold" e hoje referência em educação financeira no Brasil (mais de 800 mil inscritos no YouTube). A gestora propriamente dita nasceu em 2021 e administra cerca de R$ 2 bilhões diretamente, dentro de um grupo que aconselha aproximadamente R$ 6 bilhões e mira R$ 10 bilhões até dezembro de 2026. São cerca de 240 mil cotistas somados — base que reflete um diferencial competitivo raro entre asset managers de FIIs: um funil orgânico de captação alimentado pela própria marca de mídia e research.

Track record e governança

A liderança técnica está nas mãos de Vitor Lopes Duarte (CIO), ex-presidente da Banestes DTVM, onde geriu R$ 5,9 bilhões — incluindo o tradicional BCRI11. A estrutura conta com José Eduardo Daronco como Head de RI e Gabriel Chueke em Compliance. O ponto mais sensível de governança em uma casa que também faz research e notícias é o conflito de interesses, e a Suno comunica que as operações de Research, Asset e Notícias são segregadas e independentes — vigilância que o investidor deve manter, mas que está formalmente endereçada.

A administração e custódia ficam majoritariamente com nomes de primeira linha: BTG Pactual administra SNME11, SNFF11 e SNCI11; SNEL11 é administrado pela Singulare com auditoria PwC; SNFF11 tem auditoria KPMG. Não foram identificados processos, sanções ou eventos regulatórios negativos públicos contra a gestora — histórico limpo, ainda que jovem (5 anos de Asset).

Estratégia e fundos sob gestão

O portfólio de 6 a 8 fundos listados cobre um leque amplo: crédito agro (SNAG11), terras agrícolas (SNFZ11), geração distribuída solar (SNEL11), papel CRI middle-risk (SNCI11), multiestratégia híbrido (SNME11) e FoF (SNFF11), além de FIA, FI-Infra e previdência fora da bolsa. A tese de conjunto é de diversificação real entre classes de ativos reais e crédito, com forte aposta em FIAGRO e infraestrutura — segmentos onde a casa tenta se diferenciar de concorrentes mais concentrados em tijolo e papel tradicional.

As notas internas mostram dispersão moderada de qualidade: vão de 6.7 (SNAG11) a 5.7 (SNFZ11), média na faixa "boa" (7.3 consolidado). Os dividend yields são consistentemente altos — entre 12,3% e 15,1% — sustentados por carregos de crédito (CDI+3,7% no SNAG11, CRIs high yield a 19% no SNME11). A consistência de proventos aparece com força no SNCI11, com DPS de R$ 1,00 mantido por 15 meses seguidos e alavancagem zerada em abril/26.

Há uma lógica clara de consolidação e ganho de escala: a fusão de SNFF11 (FoF com 71 FIIs, negociando a P/VP 0,86) dentro do SNME11 foi aprovada em AGE por 75% dos cotistas, criando um veículo multiestratégia de mais de R$ 800 milhões com conclusão prevista para o 1º semestre de 2026. Os fundos se complementam: SNAG11 e SNFZ11 cobrem o agro por ângulos distintos (crédito versus capital em terra), SNCI11 e SNME11 cobrem crédito imobiliário em perfis de risco diferentes, e SNEL11 traz o vetor infraestrutura/ESG (selo CVM "Investimento Sustentável").

Pontos fortes e de atenção

  • Captação orgânica diferenciada via marca Suno — SNAG11 é o maior FIAGRO por cotistas (127 mil+) e captou R$ 301,4 mi na 5ª emissão, acima da meta.
  • Track records de alfa reais: SNEL11 +80,72% desde o IPO (vs IFIX +39%), SNME11 +17,85% sobre IFIX, SNFF11 124% do índice em 5 anos.
  • Gestão de risco de crédito sólida: SNAG11 com inadimplência zero em ciclo agro difícil (2024-2025); SNCI11 com workouts ativos e transparentes.
  • CIO com bagagem comprovada e administradores/auditores de primeira linha.
  • Casa jovem em FIAGRO: SNFZ11 tem tese de ganho de capital em terra a 10 anos, com TIR-alvo de 12,11% real ainda não testada por um ciclo completo.
  • Yields altos vêm de risco: CRIs high yield (19%) e middle-risk com workouts (CRI RDR, AIZ, Vanguarda, Solar Junior ~6,91% do PL do SNCI11) exigem acompanhamento da recuperação.
  • Conflito de interesses estrutural: research, mídia e asset sob o mesmo guarda-chuva — a segregação declarada deve ser monitorada na prática.
  • Concentração de originador: no SNFZ11, fazendas e CRAs vêm do mesmo grupo (Jequitibá Agro), elevando o risco de contraparte.

Para qual investidor faz sentido

A Suno Asset faz sentido para o investidor de FIIs que busca renda alta e diversificação em ativos reais e crédito alternativo (agro, energia solar, CRI), com tolerância a risco acima da média de tijolo. O perfil conservador tende a se concentrar no SNCI11 (renda previsível e alavancagem zerada), enquanto o moderado a arrojado encontra mais valor no combo SNAG11/SNEL11 e no veículo consolidado SNME11. O investidor de longo prazo e alta tolerância é o público-alvo do SNFZ11, cuja tese de valorização de terra ainda não foi validada por ciclo completo. O que vigiar: a efetiva segregação entre as áreas do grupo, a evolução dos workouts de crédito, a concentração de originador no agro e a entrega da consolidação SNME11/SNFF11 no prazo prometido.

Segmentos de atuação: FIAGRO – Terras Agrícolas (Híbrido: 75% terras + 24% CRA), Fiagro Multicategoria — Crédito Agro com Imóveis Rurais, FoF (Fundo de Fundos) — em fusão com SNME11, Híbrido / Multiestratégia (CRI + FII + Ações), Outros — Infraestrutura de Energia Solar (Geração Distribuída), Papel / CRI Middle Risk (HG + HY balanceado)

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