Nota 5.0/10 — REGULAR
Urca Gestão de Recursos tem 2 fundos analisados (URPR11, XPCM11). Nota média 5.0/10 (REGULAR).
A Urca Gestão de Recursos (CNPJ 31.818.879/0001-07) é o braço de gestão de fundos da Urca Capital Partners, boutique de investment banking fundada em 2009 por Leonardo Nascimento — engenheiro pelo Instituto Militar de Engenharia, ex-UBS Pactual/BTG e ex-Bain & Company. Por cerca de doze anos atuou como assessoria de M&A com viés em educação (assinou a venda da rede Sistema Elite por R$ 90 Mi ao Gera Venture Capital em 2012), migrando a partir de 2015 para crédito imobiliário e recebíveis pulverizados. Hoje tem dois FIIs listados na B3 — URPR11 (2020) e XPCM11 (assumido em ago/2025) — dentro da ambição declarada de erguer um banco de investimentos full service. Para o investidor de FIIs, porém, o retrato atual é de uma casa com nota REGULAR (5,0/10) e dois fundos em situação difícil.
O DNA da Urca é de investment banking e estruturação, não de gestão de patrimônio de varejo — o que explica tanto a competência técnica em montar operações de crédito quanto a fragilidade na fase de cobrança e turnaround. O time é credenciado: além de Leonardo Nascimento, são sócios gestores do URPR11 Caio Braz Santos (ex-sócio da Click S.A., onde geriu carteira de consignado de ~R$ 4 bi, ex-HSBC) e Alexander Ruszkay, com conselho consultivo de peso — Celso Barros (ex-head do Morgan Stanley Brasil), Alfred Dangoor (ex-head de DCM do Bradesco BBI) e Clara Costellini (PhD em Economia pela FGV). A governança formal está em ordem: administração na Vórtx DTVM (URPR11) e na Oslo Capital DTVM (XPCM11), com taxa de gestão de 0,95% a.a. + 20% sobre o que exceder IPCA+7% no URPR11. O evento mais positivo do período é a transparência operacional da DF auditada de dez/25 do XPCM11, que mostra corte real de custos. Por outro lado, a postura de não repassar juros de devedores inadimplentes no URPR11 — defensável tecnicamente — derrubou a cota e expôs que a tese original de crédito subestimou o risco de execução.
Os dois fundos parecem opostos, mas compartilham a mesma cicatriz: são teses de retorno elevado que dependem de execução, e a execução falhou ou ainda não se provou.
O que os une é a natureza de risco-execução comprada barato: ambos negociam a fração do valor patrimonial (P/VP 0,22 e 0,40) porque o mercado precifica que a Urca terá de operar — cobrar, renegociar, locar — para destravar valor, e não apenas administrar renda passiva. A dispersão de qualidade entre os dois é baixa: não há um fundo "âncora" saudável que compense o problemático. É um portfólio inteiramente concentrado em situações especiais, sem fundo de renda estabilizado que sirva de lastro de reputação.
A Urca é uma gestora para o investidor de situações especiais, que entende e tolera risco de crédito e de execução, sabe ler relatório gerencial e aceita volatilidade alta em troca de assimetria. Quem busca renda previsível e capital preservado não deve se posicionar pela renda passada: o DY de 14,84% do URPR11 é miragem estatística sobre cota caída, e o XPCM11 não distribui. Para quem acompanha de perto, o que vigiar é objetivo — no URPR11, a resolução dos CRIs em estresse (D'Paula, Maravista, Ilha do Sol, Barbosa, Riacho Doce) e a normalização do DPS; no XPCM11, a aprovação da oferta e do capex de R$ 5 Mi e a queda consistente da vacância para baixo de 25%. Enquanto esses gatilhos não se materializarem, a Urca permanece uma casa tecnicamente capaz, mas ainda não validada como gestora de FIIs de varejo — competente em estruturar, em teste de fogo na hora de executar. Cobertura analítica, sem recomendação de compra.
Segmentos de atuação: Papel / CRI Pulverizado (Multipropriedade, Loteamento, Residencial), Tijolo / Lajes Corporativas (Escritórios B/C — monoativo regional)