XPCA11 — XP Crédito Agrícola FIAgro
XP CRÉDITO AGRÍCOLA - FUNDO DE INVESTIMENTO NAS CADEIAS PRODUTIVAS AGROINDUSTRIAIS IMOBILIÁRIO - FIAGRO-IMOB. (CNPJ 41.269.527/0001-01). Constituído em 12/08/2021, início operacional 04/11/2021. ISIN BRXPCACTF004. Categoria ANBIMA: FIAgro TVM Gestão Ativa – TVM.
Recomendação: MANTER · Nota 5,6/10 · Cotação R$ 7,9 · P/VP 0,8103 · DY 12m 16,56%
Análise e recomendação
O XPCA11 é um FIAgro de crédito agrícola da XP Vista Asset com 72,7% em CRA + 22% em FIDC Agro + 2% em CRI Agro. Em mar/2026 distribuiu R$ 0,11/cota, equivalente a DY ~16,3% líquido (isento IR), com cota a R$ 8,04 negociando 17% abaixo do VP (R$ 9,74). O fundo sofreu corte severo em out-dez/2024 (DPS caiu para R$ 0,04 e R$ 0,01) por causa da RJ da Agrogalaxy, mas se recuperou em 2025 estabilizando o DPS em R$ 0,11. Atenção: os últimos 2 meses (jan-fev/26) mostram resultado caixa abaixo da distribuição (queima de ~R$ 2,5-3 Mi/mês). Caixa líquido de R$ 17,2 Mi cobre 6-9 meses de queima no ritmo atual. Tese: prêmio atraente para quem aceita risco de crédito agro num ambiente de Selic 14,75% e safra com margens apertadas.
Tese de investimento
O XPCA11 é um FIAgro de crédito agrícola que oferece exposição diversificada ao crédito do agronegócio brasileiro (CRA + FIDC Agro + CRI Agro). Com DY ~16,3% líquido (isento) e P/VP 0,83, é uma alternativa interessante para investidor que entende risco de crédito agro e busca renda fluida num ambiente de Selic 14,75%.
O fundo tem gestor disciplinado (XP Vista, visitas de campo regulares), sem alavancagem e caixa líquido de R$ 17,2 Mi (~3-9 meses de cobertura). O risco principal é o ambiente macro do agronegócio em 2026: margens apertadas no sucroenergético (~35% do portfólio), conflito Irã-Israel pressionando custos de insumos, e a Agrogalaxy ainda como ferida aberta da RJ de 2024.
Para quem é
- Investidor que aceita risco de crédito agro em troca de prêmio sobre Selic
- Quem busca isenção de IR via FIAgro/FII e tem horizonte de 12-24 meses
- Investidor que entende o setor agro e acompanha safra/preços de commodities
- Quem prioriza renda mensal e tem disposição para tolerar volatilidade do DPS
Para quem não é
- Investidor que precisa de renda absolutamente previsível (corte de out-dez/24 mostra que oscilação é real)
- Quem não quer exposição a risco de inadimplência de devedores corporativos (Agrogalaxy é precedente)
- Investidor avesso a setores cíclicos (sucroenergético ~35% do portfólio)
- Quem prefere ativos imobiliários físicos a recebíveis (XPCA11 NÃO tem imóveis)
- Investidor que confunde FIAgro com FII tradicional — risco/retorno/dinâmica são diferentes
Pontos de atenção e riscos
Exposição à RJ da Agrogalaxy (devedor inadimplente)
A Agrogalaxy, uma das maiores revendas de insumos agrícolas do Brasil, protocolou Recuperação Judicial em 02/12/2024. XPCA11 detinha exposição via CRA e cortou DPS de R$ 0,085 (set/24) para R$ 0,04 (out/24), R$ 0,04 (nov/24) e R$ 0,01 (dez/24) enquanto provisionava. Em mar/2026 o gestor ainda menciona Agrogalaxy como único devedor inadimplente do portfólio. Recuperação parcial do crédito ainda em curso.Resultado caixa abaixo da distribuição em jan-fev/26
Resultado líquido caixa em jan/26 foi R$ 2,78 Mi e em fev/26 R$ 2,43 Mi, ambos abaixo da distribuição de R$ 5,46 Mi/mês (DPS R$ 0,12). Em mar/26 melhorou para R$ 3,81 Mi mas ainda abaixo dos R$ 5,01 Mi distribuídos (DPS R$ 0,11). Padrão de queima de caixa de ~R$ 1-3 Mi/mês. Caixa líquido (R$ 17,2 Mi em mar/26) cobre ~6-9 meses no ritmo atual sem ajustar DPS.Setor sucroenergético em ciclo de baixa
Comentário do gestor em set-nov/2025 destaca queda de preços do açúcar e cenário desafiador para etanol em 2026. Várias usinas no portfólio (UISA, ACP, FS Bioenergia) operam neste setor. Margens apertadas em 2026/2027 podem pressionar pagamentos. Gestor cita que muitas empresas alongaram passivo nas safras anteriores, mitigando o impacto.Cota P/VP 0,83 com VP estável em R$ 9,74
Desconto de 17% sobre VP, em linha com o spread médio do setor de FIAgro em 2026. VP estável (R$ 9,63 → R$ 9,74 em 6 meses) indica que a carteira de CRA está bem marcada. O desconto reflete prêmio de risco do agronegócio brasileiro num ambiente de Selic 14,75% e margens apertadas, não problema estrutural do fundo.Triplo choque de custos do conflito Irã-Israel-EUA
Gestor relata em fev/2026 (relatório de fev/26) que o conflito no Oriente Médio elevou energia, fretes marítimos e fertilizantes (especialmente ureia — 35% importada do Oriente Médio). IMEA estima que alta de 30% nos nitrogenados eleva custo do milho em ~5%. Risco indireto: produtores do portfólio com hedge fraco podem sofrer compressão de margem na safra 2026/27.Gestor com balanço e disciplina de visita
XP Vista Asset (R$ 16 bi sob gestão consolidada) faz visitas de campo periódicas — fev/2026 visitou Palotina (PR) e Nova Mutum (MT) para acompanhar plantio. Histórico de gestão ativa: alienações oportunísticas (UISA, Itaueira) e reciclagem de portfólio. Não é gestor passivo. Positivo.
Sustentabilidade dos dividendos
Atenção: nos últimos 3 meses (jan-mar/26) o fundo distribuiu mais do que gerou em caixa (~R$ 2 Mi/mês de queima). DPS R$ 0,11 está sendo bancado parcialmente pela reserva.
O caixa líquido de R$ 17,2 Mi (item 10 do Informe Mensal) cobre 8-9 meses de queima neste ritmo sem ajustar DPS. Se aquisições recentes (UISA, Cibra, Minerva, Wehrmann) entrarem no carrego, queima deve diminuir ou inverter.
Resultado caixa em mar/26 já melhorou (R$ 3,81 Mi vs R$ 2,43 Mi em fev) — sinal de que o reinvestimento está fluindo. Cenário-base é DPS R$ 0,11 mantido nos próximos 6-9 meses.
Sobre a gestora
A XP Vista Asset Management é o braço de gestão de fundos imobiliários e de crédito estruturado da XP Inc., uma das maiores corretoras e gestoras independentes do Brasil. Faz parte do mesmo grupo da XP Investimentos CCTVM (administradora). A gestora tem equipe dedicada de crédito agro com disciplina de visita a campo (Mato Grosso, Paraná, Goiás) e foco em monitoramento de safra. Histórico no XPCA11: navegou a crise da Agrogalaxy em 2024 com cortes transparentes do DPS para reconstituir reserva, e recuperou para R$ 0,11/cota desde 2025. Limitação: taxa de performance de 10% s/ excedente do CDI é gatilhada quando a Selic alta empurra o CDI para perto da rentabilidade da carteira — pode reduzir o spread líquido ao cotista.Ver a análise completa da gestora XP Vista Asset Management Ltda. →
Conclusão
O XPCA11 é um FIAgro de crédito agrícola da XP Vista Asset Management, com R$ 443 Mi de patrimônio distribuídos em 72,7% CRA + 22% FIDC Agro + 2% CRI Agro. NÃO é um FII tradicional — é um veículo de crédito corporativo do agronegócio brasileiro, com dinâmica de risco/retorno própria.
Os pilares positivos são claros: DY 16,3% líquido (isento IR) com Selic em 14,75% — spread de ~1,5 ponto líquido / 4,5 pontos no equivalente bruto. P/VP 0,83 com VP estável. Sem alavancagem. Gestor disciplinado com visitas de campo regulares. 94.881 cotistas e liquidez de R$ 1,13 Mi/dia. Caixa líquido de R$ 17,2 Mi (3,9% do PL) — confortável.
Os pontos de atenção são igualmente claros: (1) a RJ da Agrogalaxy (dez/2024) ainda não foi homologada e segue como único inadimplente; (2) o setor sucroenergético, que representa ~35% do portfólio, entra em ciclo de baixa em 2026/27; (3) o conflito Irã-Israel pressiona custos de insumos via ureia e fretes; (4) nos últimos 3 meses (jan-mar/26) o resultado caixa ficou abaixo da distribuição — queima de ~R$ 2 Mi/mês que o caixa cobre por 8-9 meses sem ajuste.
O histórico de gestão da crise Agrogalaxy é um case de transparência: gestor cortou DPS para R$ 0,01 em dez/2024 para reconstituir reserva e recuperou em 3 meses. Isso é o contrário do que se vê em fundos que escondem deterioração mantendo DPS artificial — XPCA11 ajusta quando precisa.