Nota 6.5/10 — RAZOÁVEL
Éxes Gestora de Recursos tem 2 fundos analisados (EXES11, AGRX11). Nota média 6.5/10 (RAZOÁVEL).
A Éxes Gestora de Recursos é uma gestora independente de crédito estruturado sediada em São Paulo (Itaim Bibi), fundada em 2017 por Bruno Licarião e Artur Carneiro, ambos ex-BTG Pactual com mais de 20 anos de mercado e participação somada em mais de 200 operações que totalizam cerca de R$ 125 bilhões. A casa administra hoje mais de R$ 1 bilhão em cerca de 14 veículos — FIDCs, Fiagros, previdência e multimercados —, mas seu cartão de visitas no mercado listado são dois fundos: o Fiagro de papel AGRX11 (Éxes Araguaia, ~R$ 186 milhões de PL) e o FII de papel híbrido EXES11 (~R$ 140 milhões). O posicionamento é nítido: crédito privado pulverizado com forte viés de verticalização da originação, com proximidade ao produtor rural ("modelo botina suja") como vantagem competitiva no agro.
O diferencial estrutural da Éxes é operar a sua própria Éxes Securitizadora S.A. (CNPJ 55.085.811/0001-24), o que permite originar, estruturar, formalizar garantias e registrar grande parte dos lastros internamente — no EXES11, 73% dos ativos-alvo são de originação própria. A casa demonstra postura ativa diante de eventos de crédito: em 2025 conduziu a recuperação integral do CRA Valéria via excussão de garantias, recuperando inclusive multa e juros. Em contrapartida, foi exposta a defaults materiais no AGRX11 — Agrogalaxy provisionado em 99%, Agrosepac em vencimento antecipado (6,7% do PL) e waiver no Hinove —, prova de que o risco de crédito do agro é real. A governança terceiriza as funções de controle: BTG Pactual DTVM (admin/custódia do EXES11) e Banco Genial (AGRX11), com auditoria por PwC e Deloitte — separação relevante porque originação e securitização ficam dentro de casa. Os relatórios gerenciais são granulares, reforçando a transparência. Eventos recentes mostram apetite de crescimento: o EXES11 concluiu uma 5ª emissão que dobrou seu PL e a casa lançou em jan/2026 um fundo de terras de R$ 167 milhões (7.800 hectares no Maranhão, sale-and-leaseback), além de ter sondado a aquisição de Fiagros listados via M&A — conversas que não progrediram.
Vista como conjunto, a Éxes é uma especialista em crédito, não uma multiestratégia diluída. Os dois fundos listados se complementam e se entrelaçam: o AGRX11 é o flagship de crédito do agronegócio (14 CRAs mais Fiagro Éxes Terras e FIDC Xingu, com alienação fiduciária de terras e cobertura média acima de 200% em venda forçada), enquanto o EXES11 mistura 14 CRIs imobiliários, operações de terreno e — ponto importante — aloca 22% do próprio PL em cotas do AGRX11. Ou seja, quem compra EXES11 herda exposição indireta ao Fiagro da mesma casa. A carteira do EXES11 é equilibrada por indexador (56% CDI+4,6%, 44% IPCA+10,1%); o AGRX11 entrega DY de 15,16% com cota a 0,85 do valor patrimonial. A consistência de dividendos é o traço mais forte da casa: o EXES11 acumula 16 meses distribuindo R$ 0,13/cota com reserva, e o AGRX11 sustentou R$ 0,12–0,13/mês mesmo após o evento Agrogalaxy, graças à retenção conservadora de resultado (R$ 0,49/cota no pico em out/25). A dispersão de qualidade é estreita: as notas ficam entre 5,5 (AGRX11) e 6,0 (EXES11), ambos "middle grade" — competentes, porém pequenos e ainda em construção de escala.
A Éxes faz sentido para o investidor de renda que busca prêmio sobre o CDI e tolera risco de crédito privado, entendendo que DYs de 15–17% remuneram um risco real e não um almoço grátis. O AGRX11 é a porta de entrada para quem quer exposição direta ao crédito do agronegócio com garantias reais e desconto sobre o patrimônio; o EXES11 atende quem prefere um perfil imobiliário mais equilibrado por indexador, ciente de que carrega o Fiagro embutido. Para quem prioriza liquidez, grande base de cotistas ou aversão total a defaults, ambos pesam pouco. O que vigiar daqui pra frente: a evolução das operações em estresse (recuperações vs. novas provisões), a execução das emissões de crescimento sem diluir a qualidade da carteira e a permanência das reservas que hoje sustentam os dividendos. É uma casa competente e transparente, ainda em fase de ganho de escala — a nota 6,5 reflete gestão sólida com ressalvas de tamanho e concentração.
Segmentos de atuação: FII de Papel / Híbrido (CRIs + cotas de FIAGRO), Fiagro de Papel — Crédito do Agronegócio (CRA)