TRX Gestora de Recursos

Nota 8.3/10 — MUITO BOA

TRX Gestora de Recursos tem 3 fundos analisados (TRXF11, TRXY11, TRXB11). Nota média 8.3/10 (MUITO BOA).

A TRX Gestora de Recursos (CNPJ 13.362.610/0001-87) foi fundada em 13 de janeiro de 2011, em São Paulo, e se consolidou como uma das principais gestoras independentes de FIIs de tijolo do Brasil. À frente estão os sócios-fundadores Luiz Augusto Faria do Amaral (CEO — engenheiro civil pela Mackenzie, pós em economia pela FGV, gestor habilitado pela CVM, com mais de 120 operações de BTS/SLB no currículo) e José Alves Neto (COO — mais de 20 anos em operações imobiliárias e mais de 15 milhões de pés quadrados desenvolvidos). A casa carrega na própria história um marco do mercado nacional: a captação de R$ 3 bilhões no TRXF11, a maior captação de um FII imobiliário na história do Brasil. Hoje gere três fundos listados (TRXF11, TRXY11 e TRXB11), com AUM que orbita a casa dos bilhões — R$ 6,88 bi pelo registro da Mais Retorno e cerca de R$ 10 bi pela própria comunicação institucional, refletindo mais de 150 imóveis e centenas de milhares de cotistas.

Track record e governança

O histórico da TRX desde 2011 amadureceu na tese de renda urbana, e o resultado mais visível está no carro-chefe: o TRXF11 acumulou +76,02% contra +25,94% do IFIX desde janeiro de 2020, segundo a plataforma da gestora, posicionando-se como o 3º maior fundo de tijolo da B3. O fundo tem mais de 300 mil cotistas (302.950 pela Mais Retorno) e R$ 6,17 bilhões de patrimônio, sustentando track record consistente desde o IPO de 2019.

Na governança, dois movimentos recentes merecem registro. Em março de 2026 a TRX contratou Paulo Tilkin, com 11 anos de Iguatemi, para liderar a tese de Shopping Centers — sinal de ampliação da equipe especializada para além do varejo de renda. Em agosto de 2025, o Apex Group assumiu a administração fiduciária, sem impacto operacional para o cotista; o administrador de referência continua sendo a BRL Trust DTVM. Cabe nuance entre os veículos: o TRXY11 é recente (17 meses de vida) e o TRXB11 opera como satélite controlado — 98,92% de suas cotas estão nas mãos do próprio TRXF11, de modo que o pequeno cotista é minoritário em assembleia.

Estratégia e fundos sob gestão

Olhando o conjunto, a TRX não repete o mesmo fundo três vezes: ela monta três veículos com papéis distintos e complementares. O TRXF11 é a âncora de renda — renda urbana premium em contratos atípicos longos (BTS e SLB) com correção pelo IPCA, 122 imóveis, 382 inquilinos, 17 estados, 7 segmentos e WAULT de 12 anos. O TRXY11 é o hedge fund imobiliário ativo, que combina CRIs, FIIs, ações imobiliárias e permutas residenciais num único veículo, com gestão ativa no secundário e PL que saltou de R$ 36 Mi para R$ 316 Mi em três emissões. Já o TRXB11 é o satélite de SLB varejista, com 14 imóveis alugados a Sendas/Assaí (66% da receita) e PCAR3 (34%), captando via securitizações para o ecossistema do TRXF11.

Essa arquitetura ancora-se em locatários e ativos institucionais de peso — Hospital Albert Einstein (entrega prevista para jul/2026), Sírio-Libanês (do portfólio Brookfield adquirido) e Shopee. A contrapartida honesta é a dispersão de qualidade entre os veículos: as notas internas vão de 8.5 (TRXF11) a 5.5 (TRXY11) e 4.3 (TRXB11), evidenciando que o brilho do carro-chefe não se transfere automaticamente aos satélites.

Pontos fortes e de atenção

  • Track record do TRXF11, batendo o IFIX com folga desde 2020 e figurando como 3º maior tijolo da B3.
  • Captação recorde de R$ 3 bi, demonstrando capacidade de execução e acesso a capital.
  • Carteira robusta e diversificada: WAULT de 12 anos, 382 inquilinos, vacância de 0,46% e 69,8% da receita em contratos atípicos.
  • Liquidez e fundadores presentes desde 2011, com expertise comprovada em BTS/SLB.
  • TRXY11 com cota -18% em 17 meses (dividendos somando ~21% nominal): tese de gestão ativa ainda sem histórico longo para validar o alpha prometido.
  • TRXB11 com P/VP de 1,80 — artefato matemático da baixíssima liquidez (apenas 603 cotistas externos). Quem compra no secundário a R$ 177,55 contra VP de R$ 98,70 corre risco de perda nominal de até 44% em qualquer evento estrutural.
  • Concentração GPA/PCAR3: o bloco histórico do GPA responde por 24,24% no TRXF11, e a PCAR3 passou por recuperação extrajudicial (acordo de mai/2026 atenuou, mas não eliminou, o risco).

Para qual investidor faz sentido

O perfil conservador, focado em renda previsível, encontra na TRX seu melhor representante pelo TRXF11: maduro, diversificado, contratos atípicos longos e guidance de R$ 0,90–0,93/cota até dez/2026. O investidor ativo, em busca de alpha, pode olhar o TRXY11 como aposta na competência de gestão ativa da casa — mas com a ressalva de histórico curto e cota ainda no negativo. Já o TRXB11 só faz sentido de forma indireta, via TRXF11: para o cotista de mercado, é uma armadilha de preço, não uma oportunidade. O que vigiar daqui para frente: a entrega do Albert Einstein e a conclusão do MOU com o Atakarejo em 2026, a evolução da nova frente de Shopping Centers sob Paulo Tilkin, a recuperação da cota do TRXY11 e os desdobramentos do risco PCAR3 sobre a receita do carro-chefe. Esta análise é informativa e não constitui recomendação de compra.

Segmentos de atuação: Híbrido / Multiestratégia (Multicategoria ANBIMA), Tijolo / Desenvolvimento — Multicategoria (varejo atacadista + supermercado, SLB com PCAR3/Sendas), Tijolo / Renda Urbana — Multicategoria (varejo, atacado, logística, educação, saúde, agências, shoppings)

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