Recomendação: NEUTRO COM RISCO ALTO · Nota 4,8/10 · Cotação R$ 4,73 · P/VP 0,5611 · DY 12m 16,97%
O Informe Trimestral 1T2026 (entrega 13/05/2026) revela que ARRI11 distribuiu R$ 5,18 Mi (R$ 0,25/cota acumulada — média R$ 0,083) mas gerou apenas R$ 4,69 Mi de resultado financeiro no trimestre — Item L = -R$ 493 mil (negativo), indicando que pagou R$ 493 mil acima do resultado financeiro acumulado. O resultado contábil foi maior (R$ 5,60 Mi) por causa do ajuste a valor justo dos TVMs (+R$ 2,82 Mi não realizado). Mesmo após o corte para R$ 0,07 em mar/2026, o DPS ainda está acima da geração financeira do trimestre. Caixa de R$ 4,64 Mi dá cobertura de ~3 meses se a recomposição prometida via IPCA+ acruada não vier — o que tornaria um novo corte (para R$ 0,06) cenário plausível.
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O ARRI11 é um FII de papel high yield gerido pela Open Kapital, com PL de R$ 174,7 Mi (abr/2026) e portfólio de 27 ativos: 20 CRIs (~80%), 6 FIIs (~14% — incluindo o problemático AROK), 1 FIDC (3,35%) e caixa (2,6%). O fundo foi constituído em 2018 como Átrio REIT e passou por reestruturação CVM 175 em dez/2023, virando Open K. A carteira de CRIs distribui-se por 8 estados e 5 setores (Loteamento 28,7%, Incorporação 38,9%, Corporativo 13,9%, Logística 10,3%, Hotelaria 8,2%), com carrego médio de IPCA+11,65% e CDI+5,03%.
O resultado de 2025 foi destaque: R$ 20,3 Mi (+99% vs R$ 10,2 Mi em 2024) e resultado por cota de R$ 0,98. O dividendo de R$ 0,09/cota/mês se manteve estável por 17 meses (set/2024 a fev/2026), gerando DY LTM de 16,97% sobre o preço de mercado (RG abr/2026) — equivalente a ~20% bruto considerando isenção de IR para PF. Porém, em mar/2026 o DPS foi cortado para R$ 0,07 (queda de 22%) e o valor se repetiu em abril e maio/2026 — três meses consecutivos no novo patamar, confirmando que o corte não foi pontual. A recomposição via correção monetária IPCA+ acruada prometida em mar/2026 ainda não se refletiu no provento.
Um avanço material vs análises anteriores: a ressalva da PwC sobre o FIDC Diamante (R$ 5,83 Mi, 3,32% PL) nas demonstrações de 2024 foi resolvida em 2025 — a opinião do auditor saiu limpa no exercício 2025. Esse fator era um peso significativo da nota anterior e merece reavaliação positiva. Por outro lado, a posição AROK FII (11,4% do PL, R$ 19,93 Mi) permanece como ponto crítico: é um FII não listado em bolsa da mesma Open Kapital, com avaliação opaca e potencial conflito de interesse. A carta do gestor no RG abr/2026 reafirma que segue trabalhando na venda dos ativos da carteira do AROK para geração de ganho de capital, com operações de realização em andamento.
Os riscos restantes são bem mapeados: CRIs Raposo + Raposo II (14,7% do PL) venceram em 20/03/2026 e seguiam na carteira sem liquidação no RG abr/2026; CRI Five Senses SR (6,06%) recebeu notificação extrajudicial da Oliveira Trust em 18/03/2026 por ausência de repasse; CRI Ipatinga permanece inadimplente desde jul/2022 (1,17% do PL, já provisionado, processo judicial há quase 4 anos); 86% da carteira em High Yield amplia o risco de crédito; performance fee de 20% sobre CDI consumiu ~10% do resultado em 2025 (R$ 1,89 Mi). O P/VP de 0,57 oferece 43% de desconto sobre o VP (R$ 8,43) — um dos maiores do bucket papel_misto. Preço justo modelado em R$ 6,19 (faixa R$ 5,63-6,62), upside de ~28% sobre R$ 4,84. O catalisador macro é a queda da Selic projetada para 11% em dez/2026 (Focus).