(FIAGRO Imobiliário de recebíveis do agronegócio — carteira concentrada na cadeia de insumos)
Recomendação: COMPRA · Nota 7,0/10 · Cotação R$ 83,02 · P/VP 0,8384 · DY 12m 20,4%
O EGAF11 é um Fiagro de papel da Ecoagro (gestão Eco Gestão de Ativos + co-gestão Multiplica) que investe em 39 CRAs e FIDCs do agronegócio, com tese concentrada na cadeia de insumos — o segmento que a gestão considera o mais resiliente do agro. Em 01/06/2026 a cota fechou a R$ 89,61 contra VP/cota de R$ 99,18 (mar/2026), P/VP 0,90 e DY 12m de 19,0% sobre a cotação (~17,2% sobre o VP), entre os maiores do segmento.
O grande diferencial é a qualidade do crédito: a gestão reporta inadimplência virtualmente zero, com 87% da carteira em séries seniores (subordinação de 20% a 50%), 13% em cotas únicas com alienação fiduciária de garantia real relevante, cessão fiduciária de recebíveis em razões de 100% a 150% e mais de 38,9 mil clientes elegíveis subjacentes — pulverização que vai muito além dos 39 ativos. O fundo cresceu de R$ 30 Mi (IPO, dez/2021) para R$ 310,6 Mi de PL e de 613 para 12.197 cotistas. O lucro líquido do exercício encerrado em 30/06/2025 foi de R$ 47,2 milhões (R$ 15,08/cota), +24% sobre o exercício anterior. Pontos de atenção: taxa de administração de 1,2% a.a. mais performance de 10% sobre o que exceder CDI+1%, alavancagem via compromissada reversa (carteira alocada a 108,8% do PL) e a dependência do CDI (Selic em 14,75% e em ciclo de corte) que pressiona o DPS nominal para baixo. Recomendação: COMPRA para quem busca renda isenta de IR com risco de crédito baixo e diversificado no agro de insumos, aceitando taxas mais altas e a aritmética de queda do CDI.
A tese do EGAF11 assenta em três pilares: (i) crédito agro de alta qualidade — 87% em séries seniores com subordinação de 20-50%, garantias pulverizadas e inadimplência reportada zero; (ii) concentração na cadeia de insumos (88% do PL), o elo mais resiliente do agro, com veto explícito a produtor rural direto; e (iii) DY elevado e isento (19,0% 12m sobre o preço, ~17,2% sobre o VP) com cota a P/VP 0,90.
Os contrapontos são de custo e de ciclo, não de crédito: taxa de 1,2% a.a. + performance de 10% sobre CDI+1%, alavancagem via compromissada reversa (carteira a 108,8% do PL) e dependência de CDI num ciclo de Selic em queda que comprime o DPS nominal. É um Fiagro de papel para quem quer renda isenta com risco de crédito baixo e diversificado, aceitando taxas acima da média e a aritmética da queda dos juros.
O fundo distribui em torno de 97% do resultado, com colchão de ~R$ 0,51/cota retido. A cobertura é saudável e não há queima de caixa — a distribuição vem do carrego recorrente da carteira CDI+. O risco do DPS é de compressão nominal com a queda da Selic, não de sustentabilidade.
A Ecoagro (Eco Gestão de Ativos Ltda.) foi fundada em 2007 e atua como elo entre a cadeia produtiva do agronegócio e o mercado de capitais, estruturando e securitizando operações de crédito agro. É uma das casas mais tradicionais em CRA do país. A co-gestão é da Multiplica – Crédito & Investimento, gestora resultante da fusão (2020) de uma casa de crédito estruturado com outra de ativos líquidos; o diretor de gestão Utcho Levorin tem mais de 40 anos de mercado.
A administração, custódia e escrituração ficam com a Vórtx DTVM, e a auditoria com a Next Auditores Independentes. A combinação Ecoagro (originação/estruturação de CRA) + Multiplica (gestão de portfólio) + Vórtx (administração) é robusta. O ponto de atenção não é a competência da gestão — é o custo: taxa de 1,2% a.a. mais performance de 10% sobre o que exceder CDI+1%.
Ver a análise completa da gestora Eco Gestão de Ativos + Multiplica (co-gestora) →
O EGAF11 (Ecoagro I Fiagro) encerra mar/2026 com PL de R$ 310,6 milhões, 12.197 cotistas e 39 ativos (37 CRAs + 2 FIDCs), com alocação a 108,83% do PL via compromissada reversa (funding de R$ 30 Mi) e spread médio de CDI+5,03% (emissão). A distribuição mensal oscila entre R$ 1,06 e R$ 1,58, com DY 12m de 19,0% sobre o preço (~17,2% sobre o VP), isento de IR para PF. A carteira é dominada pela cadeia de insumos (88% do PL), com séries seniores (87%, subordinação de 20-50%), cotas únicas com alienação fiduciária de garantia real (13%), cessão fiduciária de recebíveis em razões de 100% a 150% e mais de 38,9 mil clientes elegíveis subjacentes. O fundo cresceu de ~613 cotistas no IPO (dez/2021) para 12.197, e o lucro líquido subiu de R$ 38,1 Mi (FY2024) para R$ 47,2 Mi (FY2025, R$ 15,08/cota).
O grande diferencial é a qualidade do crédito: a gestão (Ecoagro + Multiplica, administração Vórtx, sem trocas de marca desde o IPO) reporta inadimplência virtualmente zero, fruto de uma tese disciplinada — rating proprietário investment grade, garantias pulverizadas, veto explícito a produtor rural direto e foco no elo mais resiliente do agro. Em um segmento onde pares carregam de 2% a 8% de inadimplência, o EGAF11 entrega o maior DY do grupo (19,0%) com qualidade superior. Os contrapontos são de custo e ciclo: taxa de administração de 1,2% a.a. somada a performance de 10% sobre o que exceder CDI+1% (estrutura cara), alavancagem via compromissada reversa (108,8% do PL, que amplifica resultados nos dois sentidos) e dependência quase total do CDI (98% da carteira), que comprime o DPS nominal num ciclo de Selic em queda.
Olhando para frente, o EGAF11 é uma tese de renda isenta de qualidade. O desconto de 9,6% no P/VP (cota R$ 89,61 vs VP R$ 99,18) oferece margem de segurança e upside de marcação de ~11% se a cota convergir ao VP, tendo o VP como teto natural. O principal risco não é de crédito — é a aritmética do CDI: com o Focus projetando Selic em ~12,25% no fim de 2026, o DPS nominal deve recuar para a faixa R$ 1,10-1,25, levando o DY de 19% para ~16%. O risco latente é setorial: 88% em insumos e ~42% em soja num setor que passou por estresse em 2024-2025 — até aqui sem contaminar a carteira. Para o investidor, é um dos Fiagros de papel mais sólidos do mercado: DY alto e isento, crédito bem garantido e desconto sobre o VP, em troca de taxas acima da média e da compressão nominal de DPS que vem com a queda dos juros.