(Atualmente negociado como FTCA11 — ticker NCRA11 utilizado entre fev/2022 e mar/2025; antes EQIA11)
Recomendação: VENDA · Nota 3,5/10 · Cotação R$ 9,16 · P/VP 0,87 · DY 12m 16,58%
O NCRA11 é um Fiagro de papel da Fyto Capital (ex-NCH Brasil) que investe em 30 CRAs/CRIs do agronegócio. O ticker NCRA11 vigorou entre fev/2022 e 17/03/2025, quando passou a negociar como FTCA11 após rebranding da gestora — o ISIN B3 hoje é BRFTCACTF011. Em 08/05/2026 a cota fechou a R$ 9,16 (Investidor10) com VP/cota de R$ 10,55, P/VP 0,87 e DY 12m de 16,58% — um dos maiores entre Fiagros listados.
O DY alto, porém, embute risco real: 8,25% do PL está em inadimplência ativa (CRA Castilhos 5,68% — fazendas em consolidação para leilão, deságio 40%; CRI Cotribá 2,57% — cooperativa do RS com tentativa de RJ indeferida em 2ª instância). O fundo carrega PL pequeno (R$ 47 Mi), histórico de 3 rebrandings em 4 anos (EQIA11 → NCRA11 → FTCA11), liquidez baixa (R$ 51-98 mil/dia) e cota abaixo do preço da 2ª emissão (R$ 10,00). O retorno de 42,9% nos últimos 12m mostra que o pior já está parcialmente precificado, mas o desfecho dos créditos problemáticos vai definir os próximos 12-18 meses. Recomendação: apenas para investidor experiente em Fiagro de papel que aceite volatilidade de marcação e aposte na recuperação das garantias (silos R$ 150 Mi do Cotribá + fazendas Castilhos).
A tese do NCRA11 hoje gira em torno de três fatores: (i) DY 12m elevado (16,58%, ~148% do CDI gross up) em FIAGRO de papel com isenção de IR para PF; (ii) carteira diversificada de 30 ativos (HHI 0,043) com 91% em CDI+4,95% e 9% em IPCA+7,80%; e (iii) postura defensiva da gestão (29% em caixa) para atravessar Selic alta e spread apertado.
O contraponto é pesado: inadimplência ativa em 8,25% do PL (Castilhos + Cotribá), três rebrandings em 4 anos (EQIA11→NCRA11→FTCA11), PL pequeno (R$ 47 Mi) que limita escala, liquidez baixa (R$ 51-98 mil/dia) e cota 8% abaixo do preço da 2ª emissão. O NCRA11 hoje é uma aposta em recuperação de crédito agro: oferece prêmio elevado, mas exige tolerância a volatilidade e ao risco concreto de novas marcações negativas se Castilhos/Cotribá decepcionarem.
O fundo NÃO está queimando caixa em sentido estrito — gestão usa reservas para suavizar (em fev/26 distribuiu R$ 0,12 com resultado de R$ 0,101, usando R$ 0,019 das reservas). Estrutura é saudável enquanto Castilhos/Cotribá não pioram. Se Castilhos não recuperar (cenário pessimista), perda contábil pode forçar ajuste para R$ 0,10/cota.
A Fyto Capital Administradora de Recursos Ltda. é a denominação atual (desde 10/03/2025) do que antes era a NCH Brasil Gestora de Recursos. O CNPJ permanece o mesmo, mas a marca e estrutura sofreram rebranding relevante. Antes disso, em fev/2022, o fundo já tinha passado da gestão EQI (EQIA11) para a NCH (NCRA11), evidenciando duas trocas de marca de gestora em 4 anos.
A administração permanece com a BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM (desde o IPO), com custódia no Banco BTG Pactual e auditoria da Ernst & Young. O contato de RI da gestão é [email protected]. A estabilidade no administrador é o ponto positivo; a instabilidade na marca da gestora é o ponto de atenção. A Fyto também opera o FYTO11 (Fiagro de papel também, mas com perfil diferente — high yield).
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O NCRA11 (hoje negociado como FTCA11) encerra mar/2026 com PL de R$ 47,04 milhões, 7.757 cotistas, 70,74% do patrimônio alocado em 30 ativos (28 CRAs + 2 CRIs) e 29,2% em caixa (postura defensiva). A distribuição mensal oscila entre R$ 0,11 e R$ 0,14, com DY 12m de 16,58% (~148% do CDI gross up considerando isenção de IR para PF). A carteira é diversificada — revenda de insumos (44%), sucroalcooleiro (14%), cooperativas (13%), frigoríficos (9%), fertilizantes (8%), indústria (8%), grãos (6%) — em 15 estados. O lucro líquido FY2024-25 (jul/24-jun/25) foi de R$ 6,096 mi (Demonstrações ID 985815), vs R$ 5,857 mi no FY anterior, com retorno sobre PL inicial de 13,08%.
O quadro negativo é significativo. Primeiro, 8,25% do PL está em inadimplência ativa: CRA Castilhos (5,68%, Grupo Castilhos no oeste da BA com 90 mil hectares de terras) tem fazendas alienadas fiduciariamente em consolidação final para leilão e está precificado com deságio de 40%; CRI Cotribá (2,57%, cooperativa do RS de 1911) teve recuperação judicial indeferida em 2ª instância (cooperativas não têm legitimidade jurídica para RJ pela Lei 11.101/2005), com o administrador realizando stop accrual e a securitizadora convocando assembleia em fev/2026 para vencimento antecipado. Segundo, o fundo já teve três tickers (EQIA11 → NCRA11 → FTCA11) e duas marcas de gestora (EQI/NCH → NCH Brasil → Fyto Capital) em quatro anos, gerando ruído de governança. Terceiro, o PL pequeno limita escala de diligência e negociação de recuperação — a taxa mínima de admin de R$ 25 mil/mês (reajustada por IGP-M) consome ~0,64% do PL anualmente, peso desproporcional para fundo desse porte.
Olhando para frente, o caminho do NCRA11 depende centralmente do desfecho dos créditos problemáticos. As garantias do CRI Cotribá (4 silos avaliados em R$ 150 milhões, LTV de 0,28) sugerem ampla margem de recuperação — em cenário de execução normal, 70-90% do saldo devedor pode ser recuperado. O CRA Castilhos é mais incerto: 90 mil hectares de terras boas no oeste da BA têm valor real, mas o deságio de 40% no portfólio sinaliza expectativa de perda. Em paralelo, o cenário macro (Selic 14,5% em maio/2026 caindo para 11% em 12m segundo Focus) é de espada de dois gumes: queda comprime DPS nominal (91% do portfólio em CDI+4,95%) mas alivia o stress geral do crédito privado. Para o investidor, o NCRA11 hoje é uma tese de crédito agro com viés de recuperação: oferece DY de 16,58% e desconto de 13% sobre o VP, mas exige tolerância a risco concreto de inadimplência (potencial de NOVA marcação negativa) e à volatilidade de marcação até que Castilhos/Cotribá se resolvam (estimativa: 2T-4T 2026).