HIRE11 — Hire FII
HIRE Fundo de Investimento Imobiliário — Responsabilidade Limitada (CNPJ 63.806.554/0001-09). Veículo de logística/industrial multilocatário ancorado pelo TRXF11 (85% das cotas), criado em dez/2025 sob Resolução CVM 175 com gestão da Hire Gestão de Recursos (Hire Capital).
Recomendação: MANTER · Nota 5,5/10 · Cotação R$ 100,36 · P/VP 1,0021 · DY 12m 11,5%
Análise e recomendação
O HIRE11 é um veículo cativo criado em dez/2025 pela Hire Capital com âncora do TRXF11, que detém ~85% das cotas. Os 5 galpões adquiridos (107 mil m² ABL em SP e RJ) foram comprados de fundos/empresas do mesmo grupo econômico (HLog I, HBR, Hlog SP 3, CLJ) em transações com conflito de interesses declarado — autorizadas em AGE de 04/12/2025 com laudos da Cushman Wakefield. O DPS está em ramp-up acelerado (R$ 0,67 em jan → R$ 1,01 em abr/26), com yield on cost de 11,9% guiado pelo gestor. Risco principal: liquidez praticamente nula (R$ 492 k/dia) e free float restrito a ~15% das cotas, o que faz o cotista minoritário ser price taker em qualquer cenário de saída. Para o público geral, a recomendação é EM_ANALISE — só faz sentido para quem aceita ser carona estrutural do TRXF11 com prêmio de transparência.
Tese de investimento
HIRE11 é um veículo logístico cativo criado em dez/2025 pela Hire Capital com âncora estrutural do TRXF11. Os 5 galpões (107 mil m² ABL) foram comprados em bloco do próprio grupo Hire, e o TRXF11 detém ~85% das cotas. A tese é: acessar yield on cost de ~12% projetado em logística B/B+ Sudeste, em rito de maturação acelerada, aceitando como contrapartida liquidez baixíssima e dependência total da governança Hire.Para quem é
- Investidor de longo prazo que aceita carry de 12% e baixa liquidez como troca explícita
- Quem já tem TRXF11 e quer exposição direta aos ativos comprados (cap rate maior, sem camada do FoF)
- Quem busca hedge IPCA puro em logística — 83% dos contratos em IPCA
- Investidor que monitora ativamente conflito de interesses e prestação de contas trimestral
Para quem não é
- Quem precisa liquidar posição em janela curta — free float de ~1% torna saída quase impossível sem leilão
- Investidor que busca renda mensal previsível — DPS ainda está em ramp-up (R$ 0,67 → R$ 1,01 em 4 meses) e pode oscilar conforme rotação de contratos em 2026-2027
- Quem rejeita exposição estrutural a partes relacionadas (todas as 5 aquisições com conflito declarado)
- Carteiras que já têm TRXF11 com peso relevante — sobreposição direta de ativos via look-through
- Quem busca diversificação geográfica — portfólio 100% no Sudeste
Pontos de atenção e riscos
Free float minúsculo — TRXF11 controla 85% das cotas
Pelo Informe Anual (ID 1150830), 1 cotista PJ (presumivelmente TRXF11) detém 85,24% das cotas (2,33 mi cotas) e outra PJ tem 13,59% — sobra apenas ~1,17% em pessoas físicas (32 mil cotas, ~R$ 3,2 Mi a valor de mercado). Saída de qualquer holder relevante derruba o preço; entrada significativa de minoritário é praticamente impossível sem mover o preço.Operação 100% conflituada com o grupo Hire
Os 5 ativos adquiridos vieram todos de partes relacionadas: HLog I (mesma gestora, Cabreúva R$ 140,9 mi), HBR (sócios comuns à gestora, Água Chata R$ 73,4 mi + Bonsucesso R$ 96,5 mi), Hlog SP 3 (Galeão R$ 77,4 mi) e CLJ (Jaguaré R$ 14,6 mi). Total R$ 402,8 mi. Conflitos foram aprovados em AGE 04/12/2025 com 100% das cotas e laudos da Cushman Wakefield — o preço pago ficou em média 4,3% acima do laudo. Estrutura legítima mas amarra o destino do fundo ao grupo gestor.R$ 166,9 mi em obrigações por aquisição de imóveis (PL 60% comprometido)
Pelo Informe Mensal de mar/2026 (ID 1161708), o passivo de obrigações por aquisição de imóveis monta R$ 166,9 milhões — equivalente a 60,7% do PL do fundo. Pela estrutura divulgada pelo TRXF11 (1ª parcela R$ 181 mi compensada com cotas, 2ª R$ 53,5 mi à vista, 3ª R$ 115,2 mi em até 12 meses), o saldo casa com as parcelas remanescentes. Eventual atraso/inadimplência exigiria nova emissão ou alienação.DY trailing 12m oficial de apenas 3,5%
Como o fundo só pagou 4 rendimentos (jan, fev, mar, abr/26), o DY trailing 12m fica em ~3,5% — irrelevante. O DY estabilizado projetado (anualizando o DPS abr/26 de R$ 1,0054) é de ~12%. Investidor que olha rankings genéricos de DY 12m descarta o fundo erroneamente. Quem entrar precisa enxergar a normalização das receitas em 6-12 meses.Liquidez R$ 492 k/dia incompatível com posições > R$ 100k
Volume médio diário citado no brief (R$ 492 k) significa que uma posição de R$ 500 mil leva 5 dias úteis para liquidar sem mover preço; R$ 1 mi leva ~10 dias. Não é fundo para investidor institucional nem para quem prevê necessidade de saída rápida — é fundo para carry de longo prazo na esperança de melhoria de liquidez quando/se o TRXF11 reduzir participação.Taxa de gestão dobra após 3 anos
Funds Explorer e a página do gestor citam taxa de gestão de 0,5398% a.a. nos primeiros 3 anos, subindo para 0,9435% a.a. + performance 20% sobre IPCA+6%. O regulamento (ID 1052926) registra a versão pós-3 anos em 0,9135% a.a. + min R$ 50 mil/mês corrigido por IPCA. Equivale a desconto de ~R$ 0,11/cota/ano no DPS quando a taxa cheia entrar em vigor (dez/2028).
Sustentabilidade dos dividendos
O DPS está em ramp-up acelerado — fundo recebeu portfólio em dez/25 e aluguéis começaram a fluir progressivamente. Em mar/26 (último Informe Mensal disponível) o payout estava em ~100% da geração mensal (R$ 2,62 mi distribuídos vs R$ 2,61 mi de resultado financeiro). Caixa de R$ 17,3 mi é suficiente para 6,4 meses de DPS atual mas o uso natural é honrar a 3ª parcela de aquisição (R$ 115 mi até dez/26) — provavelmente via emissão ou caixa gerado. Sustentabilidade até o horizonte depende da renovação dos contratos curtos (jan/26 Bonsucesso e out/26 Cabreúva).
Sobre a gestora
Gestora independente fundada em 2016, especializada em ativos imobiliários (corporativos, logísticos, residenciais, loteamentos e crédito imobiliário). Atuou como braço imobiliário da HIX Capital e é controladora dos veículos da família HLog. O HIRE11 é o primeiro FII listado em bolsa com mandato direto sob a marca Hire — historicamente operava via fundos fechados restritos. A ancoragem pelo TRXF11 funcionou como selo de aprovação inicial, mas exige da gestora prestação de contas com critério dobrado dado o conflito estrutural com partes relacionadas.Ver a análise completa da gestora Hire Gestão de Recursos Ltda. (Hire Capital) →
Conclusão
O HIRE11 é um caso atípico: nasceu em dez/2025 como veículo logístico cativo do TRXF11, que detém ~85% das cotas, e foi montado em uma única operação em bloco com 5 galpões do próprio grupo Hire — todos com conflito de interesses formalmente declarado, aprovados em assembleia com 100% das cotas, com laudos independentes da Cushman Wakefield. Não há ilegalidade, mas há concentração estrutural que define o caráter do fundo.
O ramp-up do DPS é positivo (R$ 0,67 → R$ 1,01 em 4 meses, +50%) e converge para o yield on cost de 11,9% projetado pelo gestor — equivalente a DY de ~12% sobre a cota a R$ 100. Em mar/26, o fundo gerava praticamente o que distribuía (R$ 2,62 mi vs R$ 2,61 mi), portanto não há queima de caixa.
O risco real não está no portfólio (galpões classe B em hubs consolidados do Sudeste, com inquilinos multilocatário em 4 de 5 ativos e indexação 83% IPCA) — está na microestrutura do fundo: free float de ~1%, volume médio de R$ 492 k/dia e dependência integral da governança Hire/TRXF11. Para o investidor que aceita esse trade-off, HIRE11 entrega exposição direta a logística B com cap rate de 12% sem passar pelo FoF. Para os demais, é redundância ou armadilha de liquidez.