INRD11 — Inter Residence FII

ex-LUGG11 (Luggo) — fundo de tijolo residencial multifamily com 5 prédios de aluguel

Recomendação: MANTER · Nota 6,2/10 · Cotação R$ 75,05 · P/VP 0,66 · DY 12m 10,93%%

Análise e recomendação

Multifamily estabilizado a 0,66x VP, com DPS de R$ 0,71 em abr/2026 (novo recorde histórico, +2,9% vs mar/2026) e ocupação acima de 90% há 15 meses consecutivos. O fundo entrega o que o segmento residencial promete: receita pulverizada (490 unidades, 5 prédios), proteção parcial via IPCA, distratos em queda (2,7%) e ativos em cidades-âncora (BH, Curitiba, Campinas).

O calcanhar de Aquiles é a liquidez. Volume médio de R$ 380 mil/mês em dez/25 (R$ 18 mil/dia útil) é incompatível com posições acima de R$ 100 mil — sair sem mover preço pode levar 50+ dias úteis. Some isso ao desconto patrimonial persistente (P/VP entre 0,55 e 0,70 desde 2023) e ao número decrescente de cotistas (de 7.905 em dez/24 para 5.945 em abr/26 — queda de 25% em 16 meses, possivelmente influenciada por recompras): há um sinal de mercado de que o fundo é negligenciado, não esquecido por engano.

Vale a entrada se você tem horizonte 3+ anos, tolera baixa liquidez e quer exposição a renda residencial pulverizada. Não vale se você precisa de DPS estável (variou R$ 0,52–0,71 em 24m), saída rápida ou alocação grande (>R$ 100 mil).

Tese de investimento

O INRD11 é um FII de tijolo residencial multifamily estabilizado. O fundo possui 5 prédios próprios em 4 cidades — Cipreste e Inter Residence Barbacena (BH), Cenarium (Campinas), Lindóia e Ecoville (Curitiba) — totalizando 490 unidades de aluguel residencial, com receita pulverizada por mais de 450 inquilinos pessoa física.

A tese é simples: receita previsível de aluguel residencial, ajustada por IPCA, em ativos prontos. A proposta não é especulação imobiliária nem ganho de capital agressivo — é exposição a renda mensal de aluguel, com o fundo atuando como senhorio profissional para 490 famílias. O ciclo de vida desse modelo é estável: aluguel residencial não tem vacância prolongada como escritório (mercado de ocupação rápido) e não depende de inquilino-âncora como shopping ou logística (risco pulverizado).

O desafio é entregar isso com escala e custo eficiente. 1,00% a.a. de taxa total, em fundo de R$ 134 mi gerindo 490 unidades, exige operação enxuta — terceirização de portaria, manutenção e cobrança via parceiros. A gestão Inter Asset entrega isso há 6 anos, com DPS subindo de R$ 0,02 (jan/2020 — primeiro mês pós-IPO) para R$ 0,71 (abr/2026, novo recorde) e ocupação acima de 90% sustentadamente.

O preço de mercado de R$ 77,95 vs VP de R$ 118,34 (P/VP 0,66) reflete três coisas: (1) liquidez baixíssima (volume R$ 18 mil/dia útil), (2) reavaliação negativa de 2024 que ainda não foi totalmente revertida, e (3) ceticismo geral do mercado com FIIs residenciais como classe — segmento subrepresentado no IFIX e com poucos pares.

Para quem é

  • Investidores que querem renda mensal estabilizada com proteção parcial via IPCA, em formato pulverizado e com horizonte de 3+ anos. Posição satélite (3-5% da carteira) para quem busca exposição ao segmento residencial brasileiro sem depender de inquilino único, e tolera baixa liquidez do papel.

Para quem não é

  • Quem precisa de DPS perfeitamente estável (variou R$ 0,52–0,71 em 24m), saída rápida (volume R$ 18k/dia), alocação grande (>R$ 100 mil — tempo de saída desproporcional), ganho de capital agressivo (multifamily não tem upside especulativo) ou exposição premium (ativos são padrão B em bairros médios).

Pontos de atenção e riscos

Liquidez muito baixa

Volume médio negociado caiu de R$ 1,39 mi/mês em jan/25 para R$ 380 mil em dez/25 — média diária de R$ 18 mil/dia útil. Incompatível com posições > R$ 100 mil (saída pode levar 50+ dias absorvendo 20% do volume).

Cotistas em queda — 25% em 17 meses

Número de cotistas saiu de 7.905 (dez/24) para 5.945 (abr/26) — queda de 60 cotistas só em mar→abr/2026. Parte explicada pelo programa de recompra de cotas, mas o ritmo de saída sugere desinteresse persistente do mercado pelo papel.

Concentração em apenas 5 ativos

Cipreste/BH (28,8% receita) + Cenarium/Campinas (22,6%) + Lindóia/Curitiba (18,4%) + Ecoville/Curitiba (19,2%) + Inter Residence Barbacena/BH (11,1%). Vacância em qualquer prédio impacta materialmente o DPS.

Vacância de 26% no Inter Residence Barbacena

O ativo mais novo (adicionado na 2ª emissão em nov/2022) está com 73,7% de ocupação em dez/25, contra 92,9% do consolidado. Gestão tenta aumentar receita com Short Stay (R$ 2.757/mês/unidade vs ~R$ 4.000 do Long Stay) — estratégia em teste.

Reavaliação negativa em 2024 reduziu PL

PL/cota caiu de R$ 123,77 em mar/24 para R$ 117,50 em jun/24 (-5%) — laudo de reavaliação reconheceu queda. Embora estável desde então, mostra que o VP/cota não é imune à precificação dos imóveis.

Histórico curto pós-rebranding

O fundo mudou de LUGG11 (Luggo) para INRD11 (Inter Residence) em nov/2022, junto com a 2ª emissão. Comparação histórica de longo prazo com pares precisa considerar essa transformação.

Sustentabilidade dos dividendos

O DPS de R$ 0,71/cota é confortavelmente sustentável. Nos últimos 12 meses, o fundo gerou resultado caixa de ~R$ 9 mi e distribuiu ~R$ 8,87 mi — payout médio de 95%. Caixa líquido cresceu de R$ 2,08 mi (mar/26) para R$ 2,09 mi (abr/26) mesmo após o pagamento da maior distribuição da história do fundo.

A receita de aluguel pulverizada por 490 unidades dá previsibilidade alta — vacância marginal e inadimplência de 0,21% mantêm o fluxo de caixa estável. A subida do DPS reflete a melhora gradual da ocupação (de 84% no início de 2024 para 92,9% em dez/25) e o reajuste dos contratos por IPCA.

Único ponto de atenção: caixa líquido de R$ 2,09 mi é equivalente a apenas ~2,9 meses de distribuição — fundo trabalha sem grande reserva. Em caso de vacância súbita em ativo grande (Cipreste ou Cenarium), o ajuste no DPS seria rápido.

Sobre a gestora

A Inter Asset é o braço de gestão de recursos do grupo Inter (CNPJ 05.585.083/0001-41), sediada em Belo Horizonte. Administra o INRD11 desde a constituição em dez/2019, originalmente sob a marca LUGG11 / Luggo, rebatizado em nov/2022 para Inter Residence quando o fundo absorveu o ativo Inter Residence Barbacena na 2ª emissão.

A gestão tem se mostrado disciplinada na operação: ocupação consolidada acima de 90% há 14 meses, distratos em queda (de 7,6% em jan/25 para 2,7% em dez/25), DPS crescente e estável (R$ 0,55 em set/22 → R$ 0,69 em mar/26 — alta de 25% em 3,5 anos). Taxa total de 1,00% a.a. (administração + gestão + administração imobiliária) é baixa para o trabalho operacional envolvido em gerir 490 unidades residenciais com locação direta — comparável à mediana de FIIs de tijolo, mas sem o overhead de FoF.

O programa de recompra de cotas iniciado em 2024 (620 cotas canceladas até dez/25) sinaliza alinhamento — o gestor reconhece o desconto e usa caixa para gerar valor por cota. Pontos de atenção: o suporte ao papel no mercado é fraco (volume despencou em 2025), e a comunicação se restringe ao Relatório Gerencial mensal — não há lives, calls ou programa de relacionamento ativo com cotistas.

Ver a análise completa da gestora Inter Asset Gestão de Recursos Ltda. →

Conclusão

O Inter Residence FII (INRD11) é o que promete ser: um fundo de tijolo residencial multifamily estabilizado, com 5 prédios próprios em 4 cidades, 490 unidades pulverizadas e DPS que cresce devagar mas de forma consistente. Em abr/2026, o fundo distribuiu R$ 0,71/cota — novo recorde histórico, alta de 2,9% sobre mar/2026 — equivalente a DY anualizado de 10,9% sobre o preço de mercado de R$ 77,95.

A tese é honesta e bem executada. Ocupação consolidada acima de 92% há 15 meses, distratos caindo de 7,6% para 2,7% em 12 meses, inadimplência abaixo de 0,3%, taxa total de 1,00% a.a. e LTV zero. A gestão Inter Asset entrega o que prometeu desde o IPO em 2019 (como LUGG11/Luggo) — o rebranding em 2022 não interrompeu a trajetória de melhora operacional. Caixa líquido cresceu R$ 14,6 mil em abr/2026 mesmo após pagar a distribuição recorde — confirmando que o DPS atual é sustentável, não forçado.

O paradoxo do papel está no P/VP de 0,66. Por um lado, a cotação a R$ 77,95 vs VP/cota de R$ 118,34 sugere desconto de 34% — mas esse desconto está presente desde 2023, é estrutural. Os modelos de preço justo divergem: o A1 (Selic 14,75% + prêmio 4,5%) sugere R$ 44, enquanto A2 (P/VP pares) sugere R$ 96 e A3 (DY pares) sugere R$ 80. A média ponderada com fator qualidade dá preço justo central de R$ 76 — basicamente alinhado com o mercado.

O verdadeiro vilão é a liquidez. Volume médio de R$ 17 mil/dia útil em dez/2025 (queda de 73% em 12 meses), com cotistas saindo (de 7.905 para 5.945 em 17 meses, -25%). É o papel ficar mais barato porque ninguém olha — e não por estar mal precificado. Para investidor pequeno (até R$ 50 mil), a liquidez é tolerável. Para qualquer alocação séria (>R$ 100 mil), o papel deve ser tratado como ilíquido — saída leva 30+ dias absorvendo 20% do volume diário.

O trade central aqui é esperar queda de Selic. Em cenário onde Selic Focus aponta 11% em 12 meses, o componente A1 do preço justo migra de R$ 44 para R$ 77-82, levando o preço justo central para R$ 90+. Combinado com possível reavaliação positiva dos imóveis em 2026-2027, R$ 100/cota em 24 meses é alcançável. Mas é trade de horizonte longo (1-3 anos), não trade tático.