(Fundo originalmente de galpões logísticos — vendeu todos os imóveis e virou FoF; em jun/2026 está em processo de cisão parcial e liquidação)
Recomendação: VENDA / DECIDIR MIGRAÇÃO · Nota 2,5/10 · Cotação R$ 65,97 · P/VP 0,7616 · DY 12m 12,55%
O RELG11 deixou de ser um fundo de tese contínua: ele é hoje um veículo em desmonte. Originalmente um FII de galpões logísticos, ao longo de 2024-2025 a gestora REC vendeu todos os imóveis e converteu o fundo em um FoF que carrega apenas cotas de outros três fundos — GGRC11 (logística, 63% da carteira), SNFZ11 (Fiagro de terras, 26%) e TRCO11 (11%). Em mar/2026 a administradora convocou os cotistas e, no termo de apuração de 04/05/2026, ficou aprovada a cisão parcial do fundo seguida de liquidação da parcela remanescente.
O desfecho já está em curso: 976.183 cotas (73,15%) manifestaram interesse e migraram para o RLGX11 (REC Logística II, um fundo com prazo determinado que será liquidado em até 2 anos entregando ativos e/ou caixa). O RELG11 segue negociando com as 358.379 cotas remanescentes (26,85%), mas esse saldo será liquidado — os ativos restantes serão alienados ao RECM11 (REC Multiestratégia, mesmo gestor/admin, operação com conflito de interesses) e os cotistas receberão cotas do RECM11 e/ou caixa. A cota negocia a R$ 65,49 contra VP de R$ 86,62 (P/VP 0,76), DPS de R$ 0,80/mês (DY mercado ~14,7%). Recomendação: isto não é mais uma decisão de "comprar ou não" — é uma decisão de evento. Quem ficou no RELG11 receberá cotas do RECM11/caixa na liquidação; novos investidores não devem entrar buscando renda recorrente. Para a maioria dos cotistas a leitura é VENDA / acompanhar o cronograma de liquidação.
Não há mais uma 'tese de investimento' tradicional no RELG11 — há uma tese de evento. O fundo vendeu os galpões, virou FoF e está em cisão parcial + liquidação. 73,15% das cotas já migraram para o RLGX11 (veículo com prazo determinado, liquidação em até 2 anos e taxa de liquidação de 6% do PL); o RELG11 remanescente (26,85%) será liquidado vendendo seus ativos ao RECM11 da própria gestora.
Para quem está dentro, a decisão já passou: quem não se manifestou no período (08-22/05/2026) permaneceu no RELG11 e receberá, ao fim da liquidação, cotas do RECM11 e/ou caixa. Para quem está de fora, comprar o RELG11 hoje a R$ 65,49 (P/VP 0,76) é apostar que o valor de liquidação dos três fundos investidos, líquido de taxas e despesas, supera o preço pago — uma aposta de arbitragem de desconto, não de renda. O DPS de R$ 0,80/mês continua sendo pago, mas é finito e cessa com o encerramento.
O fundo está distribuindo R$ 0,80/cota mas gerando apenas ~R$ 0,69/cota de caixa nos últimos 3 meses. A reserva de R$ 1,02/cota (R$ 1,36 milhão total) cobre cerca de 9-10 meses nesse ritmo. Sem aumento da receita das cotas (via ajuste de preço GGRC11 ou aquisição de fundo com cap rate maior), o DPS deve ajustar para o nível sustentável (R$ 0,68-0,70) entre set/2026 e dez/2026.
A REC Gestão de Recursos S.A. é a gestora do RELG11 e de uma família de fundos imobiliários e de CRI (REC Multiestratégia/RECM11, REC One, REC Master, REC FAMI, REC Cotas Amortizáveis), além de atuar como consultora de investimento no REC Recebíveis e REC Renda — somando aproximadamente R$ 3,5 bi sob gestão. A administração fiduciária é da BRL Trust DTVM desde o início.
A condução do RELG11 nos últimos dois anos foi de desinvestimento e reorganização: vender os galpões logísticos, migrar para uma carteira de cotas de fundos e, por fim, propor a cisão parcial + liquidação. O ponto de atenção de governança é o uso recorrente de operações entre fundos da própria casa (a venda dos ativos remanescentes ao RECM11, declaradamente em conflito de interesses, e a criação do RLGX11 como veículo-espelho). É uma gestora estruturada, mas o cotista do RELG11 está sendo encaminhado para outros produtos da mesma família, não para uma saída em caixa limpo.
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O RELG11 (FII REC Logística) encerra abr/2026 com PL de R$ 121,29 milhões, 4.013 cotistas e uma carteira que não tem mais nenhum imóvel: é 100% um FoF composto por cotas de GGRC11 (~63%), SNFZ11 (~26%) e TRCO11 (~11%), além de um resíduo de renda fixa. O fundo, que estreou na B3 em 2019/2020 como veículo de galpões logísticos a R$ 100/cota, vendeu todos os imóveis ao longo de 2024-2025 e, no exercício de 2025, registrou prejuízo contábil de R$ 44,49 milhões (-R$ 33,33/cota) pela reversão do valor justo dos imóveis e pela marcação dos fundos investidos — derrubando o VP/cota de R$ 128 (dez/24) para R$ 86 (mar/26). A cota negocia a R$ 65,49 (P/VP 0,76), com DPS estável de R$ 0,80/mês (DY mercado ~14,7%, 134% do CDI líquido).
O fato decisivo, porém, é que o RELG11 deixou de ser uma tese contínua: na consulta formal aberta em 16/04/2026 e apurada em 04/05/2026, os cotistas aprovaram a cisão parcial do fundo (criando o RLGX11 — REC Logística II) seguida da liquidação da parcela remanescente. No período de manifestação (08-22/05/2026), 976.183 cotas (73,15%) optaram por migrar para o RLGX11, restando ao RELG11 apenas 358.379 cotas (26,85%) na data de corte de 27/05/2026. O RLGX11 é um veículo de prazo determinado (liquidação em até 2 anos) com taxa de liquidação de 6% do PL, e o RELG11 remanescente será liquidado mediante alienação de seus ativos ao RECM11 — operação entre fundos do mesmo gestor (REC) e administrador (BRL Trust), expressamente caracterizada como potencial conflito de interesses, com entrega aos cotistas de cotas do RECM11 e/ou caixa.
Para o investidor, a leitura prática é direta. Quem já é cotista e não se manifestou permaneceu no RELG11 e receberá, ao fim da liquidação, cotas do RECM11 e/ou caixa — deve acompanhar o cronograma (ainda a ser publicado) e decidir entre esperar a liquidação ou vender no mercado secundário, onde a liquidez tende a secar após a saída de 73% das cotas. Quem está de fora não deve enxergar o RELG11 como fonte de renda recorrente: o DPS de R$ 0,80, ainda que bem coberto hoje, é finito e cessa com o encerramento. A única razão racional para comprar hoje seria uma aposta de situação especial — arbitrar o P/VP de 0,76 apostando que o valor de liquidação líquido (já descontados taxa de liquidação, despesas e o risco de marcação na venda intra-grupo) supere os R$ 65,49 pagos. É uma operação de risco de evento, não de FII tradicional. Por isso a recomendação é VENDA / decisão de evento, com nota baixa que reflete o estágio de desmonte do fundo, não um juízo sobre os fundos investidos (GGRC11/SNFZ11/TRCO11), que devem ser analisados por conta própria.