AZZA3 preço: CADE torna definitiva a cisão entre Arezzo e Soma. Por que a ação segue perto da mínima? Relevância4,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

AZZA3 o que aconteceu com a cisão aprovada pelo CADE

O aval definitivo do CADE eliminou o risco regulatório, mas o mercado ignora a boa notícia e pune a ação com juros altos e dívida pressionada.

A Azzas 2154 informou que, em 4 de novembro, recebeu a certidão de trânsito em julgado da decisão do CADE que aprovou sem restrições a divisão da empresa em duas companhias abertas. A ação AZZA3 chegou a esse dia valendo R$ 13,84, perto da mínima de 12 meses: o aval já era esperado, e o que derrubou o preço foi outra coisa.

Qual o preço da AZZA3 depois do aval definitivo do CADE?

Pelo nosso banco de dados, a ação AZZA3 fechou 4 de novembro a R$ 13,84, queda de 45,0% no ano e de 29,2% no mês, a poucos centavos da mínima de 12 meses (R$ 13,29). Segundo a ADVFN, os papéis operavam em alta na manhã de quinta-feira (05/11), o primeiro pregão depois do comunicado. Mas um dia de alta não muda a tendência: a ação ainda vale menos da metade da máxima de 12 meses, de R$ 30,70.

Para ter uma ideia do desconto: com cerca de 202 milhões de ações em circulação, R$ 13,84 por ação dá à empresa um valor de mercado de aproximadamente R$ 2,8 bilhões (conta nossa). O patrimônio líquido é de cerca de R$ 8 bilhões. A bolsa paga R$ 0,35 por cada real de patrimônio, número que bate com o P/VP de 0,35 da nossa ficha.

O que exatamente o CADE fez em 4 de novembro?

Ele tornou definitiva uma decisão que já existia. A aprovação sem restrições da Superintendência-Geral saiu em 14 de outubro, e o site noticiou isso na matéria sobre o aval do CADE à divisão da Azzas. Na época, a própria companhia avisou que a decisão transitaria em julgado 15 dias após a publicação do despacho de aprovação. O prazo correu sem recurso e saiu a certidão. Trânsito em julgado significa que a decisão se tornou definitiva e não cabe mais recurso.

Então a notícia é real, mas pequena. Ela não traz nada que o mercado não esperasse. O que ela faz é eliminar uma hipótese ruim, a de um terceiro contestar a operação no órgão antitruste. Do lado regulatório, a cisão não tem mais pendência.

O CADE saiu do caminho. Faltam o conselho e os acionistas.Etapas que a Azzas apontou como condição para concluir a reorganização

A Azzas esclarece que a reorganização depende ainda das aprovações societárias aplicáveis. Segundo o InfoMoney, isso inclui as deliberações do conselho de administração e da assembleia de acionistas. Até lá, a empresa continua funcionando com a estrutura atual. Se a cisão está mais perto de sair, sobra a pergunta que importa: por que o preço desabou mesmo assim?

Se a cisão avançou, por que a AZZA3 caiu de R$ 26 para R$ 14?

Porque a queda não teve nada a ver com o CADE. O gráfico mostra que a ação subiu justamente no período em que a cisão andava e caiu depois, por outros motivos.

R$ 30 R$ 25 R$ 20 R$ 15 R$ 10 25,16 16,77 16,38 24,31 25,96 14,47 13,84 início 02/09 25/09 14/10 19/10 29/10 04/11
Os pontos são datas-chave, sem espaçamento proporcional ao tempo. A alta aconteceu enquanto a cisão avançava; a queda veio depois do primeiro aval do CADE. Valores em R$ (Investidor10, InfoMoney, Money Times, ADVFN, Trademap, BTG e banco do site).

A ação começou o ano em R$ 25,16 e escorregou até setembro com balanços fracos. No 2T26, a receita caiu 8,2%, para R$ 2,7 bilhões, e o EBITDA recorrente recuou 29,1%. A recuperação de outubro foi movida por duas expectativas: a cisão e a venda da Farm Rio, que atraiu rumores de propostas bilionárias. Depois do segundo turno, o vento virou. Entraram juros mais altos no horizonte, a CBS de 11,3% proposta pelo TCU, que pesa sobre o varejo de moda, e a incerteza sobre o valor da Farm. Esses pontos estão detalhados na análise da queda da AZZA3 após a eleição. Do pico de 19/10 até 04/11, a perda foi de 46,7%.

Em resumo, o preço de hoje embute um cenário pior para juros, impostos e consumo, e o certificado do CADE não mexe em nenhum desses fatores. Para o acionista, a dúvida passa a ser outra: o que ele vai receber quando a separação sair?

O que o acionista da AZZA3 recebe na cisão, e o que ainda não se sabe

A regra básica está definida desde o anúncio de setembro. Pelo desenho anunciado, os acionistas da Azzas receberão ações das duas companhias resultantes da cisão. A troca de ações prevista entre os blocos de Alexandre Birman e Roberto Jatahy vale só para eles. O minoritário não precisa escolher um lado. A Arezzo&Co ficará com calçados, acessórios e Hering, e a Soma, com marcas como Animale, NV e Reserva.

  • O aval antitruste é definitivo, sem restrições e sem venda obrigatória de marcas.
  • O minoritário recebe ações das duas empresas, sem precisar optar.
  • Duas empresas separadas facilitam a leitura do resultado de cada negócio, que hoje sai misturado num balanço só.
  • A proporção de ações de cada empresa, o cronograma e a data da assembleia ainda não foram divulgados.
  • Também não se sabe que código cada empresa vai usar na bolsa, nem se o ticker AZZA3 continua existindo.
  • Não está definido como a dívida vai ser dividida. Hoje ela soma 1,46 vez o EBITDA, acima da mediana histórica de 0,61 vez.

O último item é o que mais pesa no preço. Com cobertura de juros de 0,96, o lucro operacional atual não paga totalmente a despesa financeira. A empresa que ficar com a maior parte da dívida vai começar a vida na bolsa mais frágil. Há ainda um ponto que a ficha da ação esconde: o dividendo.

O dividend yield de 17,89% da AZZA3 é real?

Não como promessa. O yield de 12 meses soma R$ 2,48 por ação, que vieram de dois dividendos pagos no fim de 2025: R$ 0,8915 com data-ex em 24/11/2025 e R$ 1,5847 com data-ex em 22/12/2025, ambos referentes ao ano de 2025. Em 2026, nosso banco não registra nenhum provento com data-ex. O yield alto é resultado do preço baixo dividindo um pagamento antigo.

A conta mostra até quando esse número dura. Se nada novo for declarado, o primeiro pagamento sai da janela de 12 meses em 24/11 e o yield cai para cerca de 11,5% (R$ 1,5847 ÷ R$ 13,84). Depois de 22/12, vai a zero. Um dividendo extraordinário depende de a venda da Farm se concretizar: Gabriel Magno, da AW Capital, estimou que uma transação poderia gerar um extraordinário de 50% do preço da ação em setembro. É uma projeção dele, e nenhuma proposta vinculante foi confirmada.

Se você está decidindo agora, a pergunta é o que vai mexer no preço nas próximas semanas.

O que vai mexer no preço da AZZA3 daqui pra frente?

São três eventos, e todos estão no calendário próximo. Como já mostramos ao explicar a entrada da AZZA3 na carteira recomendada, a tese é de desconto profundo com execução incerta. Nosso cálculo de preço justo dá R$ 40,93, mas com confiança baixa: um valor quase três vezes o preço não serve como alvo. O BTG tem preço-alvo de R$ 40 e recomendação de compra.

1

Balanço do 3T26, em 11/11: no 2T26 a receita caiu 8,2%. Se a queda ficar abaixo disso e a geração de caixa operacional se mantiver na casa dos R$ 356 milhões do trimestre anterior, a tese de caixa sobrevive. Mais uma queda de EBITDA perto de 30% reforça o desconto.

2

Convocação da assembleia da cisão: o edital tem de trazer a proporção de ações de cada empresa e a divisão da dívida. A dívida em relação ao EBITDA de cada empresa nova, comparada ao 1,46 vez atual, diz qual das duas nasce mais frágil.

3

Farm Rio: só um fato relevante com proposta vinculante e valor conta. Rumor sem documento na CVM já fez a ação subir e devolver tudo mais de uma vez em 2026.

Até o balanço, o certificado do CADE resolve uma dúvida que o mercado já não tinha. Quem compra a R$ 14 está apostando nos três pontos acima, não no órgão antitruste.