Em 28/10, a carteira recomendada do Rico aos Poucos passou a ter 20% em fundos imobiliários (eram 10%) e 10% em Ibovespa (eram 5%), com o dinheiro vindo do caixa e dos imóveis de leilão. A ação AZZA3 virou metade da fatia de bolsa, comprada depois de a bolsa brasileira cair forte após a eleição.
Por que a AZZA3 está caindo — e por que entrou na carteira?
A ação AZZA3, da Azzas 2154 S.A., foi escolhida pela nossa carteira como metade da fatia do Ibovespa, com preço de entrada de R$ 14,86 em 28/10/2026. A decisão nasce de um contexto de mercado em estresse, e não de uma leitura isolada da empresa: a bolsa brasileira caiu forte depois da eleição, e a carteira trata esse pessimismo como o momento em que oportunidades aparecem.
O material desta mudança não detalha as causas da queda da própria AZZA3. Quem quer essa parte encontra a conta feita na nossa análise de por que a AZZA3 caiu após a eleição. Aqui, o ponto é outro: o que a carteira fez com o dinheiro e o que isso muda para quem a acompanha.
E o que ela fez foi mexer em quatro pesos de uma vez.
O que mudou nos pesos da carteira recomendada?
Quatro linhas se moveram: o caixa encolheu, os FIIs dobraram, o Ibovespa dobrou e os imóveis de leilão zeraram. Dólar e TLT ficaram onde estavam. Os valores abaixo estão em pontos percentuais da carteira inteira.
| Fatia da carteira | Antes (28/10, antes da mudança) | Depois |
|---|---|---|
| Caixa | 35 | 30 |
| Dólar | 25 | 25 |
| TLT (títulos longos dos EUA) | 15 | 15 |
| FIIs | 10 | 20 |
| Ibovespa | 5 | 10 |
| Imóveis de leilão | 10 | 0 |
| Tesouro IPCA+, Ouro, S&P 500, Bitcoin | 0 | 0 |
A conta fecha com o caixa no centro. Ele cedeu pontos para FIIs e Ibovespa em partes iguais, e recebeu uma parte do que saiu dos imóveis; a outra parte dos imóveis foi direto para FIIs.
Mas por que mais bolsa e mais fundos justamente agora, e por que o Ibovespa não foi além disso?
Por que a carteira aumentou FIIs e Ibovespa?
Porque, na visão da carteira, o momento é de estresse e a oportunidade nasce em meio a risco e pessimismo. Com a bolsa em queda forte depois da eleição, o caixa que antes esperava passou a ter destino em ativos que ficaram mais baratos, e os FIIs entram por receberem a maior parte do reforço.
O Ibovespa também só dobrou, e não foi além, por uma razão de método: subir a fatia do índice genérico acima disso só valeria se houvesse papel escolhido dentro dela. Comprar o índice inteiro com mais peso seria apostar na média; a carteira prefere apostar em nomes que consegue defender um a um. Daí a novidade da próxima seção.
Antes dela, porém, é preciso explicar o que saiu, porque a saída dos imóveis de leilão costuma ser mal interpretada.
Os imóveis de leilão saíram porque a tese deu errado?
Não. A carteira recomendada tirou os imóveis de leilão, que iam de 10% para zero, sem perda de tese. A saída vem de limitações práticas de ter esse ativo numa carteira acompanhada por leitores comuns:
- Falta de liquidez: imóvel não se vende com um clique, ao contrário de cota de FII ou ação.
- Exige capital mais alto para entrar do que os outros ativos da carteira.
- A conta da carteira não captava o lucro típico da estratégia, que é comprar barato e vender a preço justo.
- A tese de comprar abaixo do valor continua de pé; o que muda é o veículo para acompanhá-la.
O último ponto é o que mais pesa. Uma carteira que mede variação de preço de ativos não enxerga o ganho de quem compra um imóvel em leilão e o revende pelo valor de mercado, então o método de medir falhava com esse ativo, e a tese não. Os cinco pontos que foram para FIIs ficaram num ativo parecido na ideia (imóvel), porém líquido e acompanhável dia a dia.
Quais ativos específicos entram, e a que preço?
Pela primeira vez, a carteira passa a nomear os ativos dentro das fatias de bolsa e de fundos imobiliários, com o preço de entrada de 28/10/2026. A performance de cada nome será acompanhada desde essa data. O restante de cada fatia segue o índice: o próprio Ibovespa na bolsa e o IFIX nos fundos.
| Ativo | Fatia | Peso na fatia (%) | Peso na carteira (pontos) | Preço de entrada (R$) |
|---|---|---|---|---|
| AZZA3 | Ibovespa | 50 | 5 | 14,86 |
| Índice Ibovespa | Ibovespa | 50 | 5 | — |
| TRXF11 | FIIs | 20 | 4 | 67,07 |
| TGAR11 | FIIs | 20 | 4 | 40,59 |
| KFOF11 | FIIs | 10 | 2 | 73,41 |
| IFIX (índice) | FIIs | 50 | 10 | — |
A coluna de pontos é a fatia multiplicada pelo peso do ativo dentro dela. Isso mostra, por exemplo, que a AZZA3 sozinha pesa cinco pontos na carteira inteira, tanto quanto todo o resto do Ibovespa, e que os três fundos escolhidos somam dez. Metade da fatia de FIIs segue o IFIX justamente para não depender só de três nomes.
Dos fundos, o TGAR11 foi tema de uma leitura nossa sobre o risco de corte de dividendo e o que o valor de liquidação protege, e o TRXF11 tem a análise depois das compras, da emissão e da recompra de cotas. Vale ler antes de tirar qualquer conclusão sobre o preço de entrada.
Como comprar na B3 cada ativo da carteira?
Nem todos os itens têm um código óbvio. Os que têm ticker na B3 ou um título equivalente:
- TLT, os títulos longos do Tesouro americano: o código na B3 é BTLT39, um BDR. Nossa análise do TLT e expectativas explica a exposição.
- Ouro: GOLD11.
- Tesouro IPCA+: o título é o Renda+ 2065, hoje com peso zero na carteira.
- S&P 500 e Bitcoin: sem ticker indicado na carteira, e também com peso zero.
Quem seguia a carteira passa a ter nomes e preços de entrada para comparar com o que aconteceu desde 28/10, e não só pesos abstratos. Isso não é recomendação individual de investimento: é a carteira do Rico aos Poucos, com a visão que descrevemos aqui, sem promessa de ganho e sem considerar o seu perfil, seu prazo ou o que você já tem. Para ver pesos e desempenho atualizados, a página da carteira recomendada é o lugar de referência.
Ativos escolhidos podem cair depois da entrada, e a bolsa brasileira já vinha em queda forte. Decida com o seu próprio planejamento, e não a partir da carteira de ninguém.