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INTERMEDIÁRIO PTENES

CDII11 valor em novembro: cota caiu para R$ 90 e abriu 10% de desconto — o que muda?

Relatório gerencial de outubro confirma dividendo de R$ 1,00, mas o spread da carteira caiu de CDI+2% para CDI+1% e a indústria de debêntures incentivadas sofreu R$ 8 bilhões em resgates

O fundo de infraestrutura CDII11 valia cerca de R$ 100,55 no mercado quando este site publicou sua última análise; ao fechar outubro de 2026, chegou a R$ 90,48 — um desconto de quase 9% sobre o valor patrimonial de R$ 99,38 por cota. O dividendo mensal de R$ 1,00 se manteve. Mas há uma mudança estrutural que o relatório gerencial da gestora Sparta torna explícita: o spread de crédito da carteira recuou para CDI+1% ao ano, ante os CDI+2% que sustentavam a tese original do fundo.

Por que o valor de mercado do CDII11 está abaixo do patrimônio?

Em outubro, o mercado de debêntures incentivadas sofreu pressão intensa. A Sparta registrou resgates líquidos de aproximadamente R$ 8 bilhões na indústria de fundos da classe — e alerta que o movimento "pode continuar nos próximos meses". O contexto foi a elevada volatilidade na curva de juros em meio às incertezas do cenário eleitoral, e o fato de que fundos hedgeados, que representam a maior parcela do mercado, acumulam desempenho abaixo do CDI nas janelas de 12 e 24 meses — o que alimenta os pedidos de saída.

O CDII11 listado tem uma proteção que os fundos abertos não têm: quem quer sair vende as cotas no mercado secundário, e o fundo em si não precisa liquidar posições. A carteira permanece íntegra; o valor patrimonial de R$ 99,38 está preservado. O preço de mercado sofre porque a oferta de cotas supera a demanda — e é isso que empurra a cotação para abaixo do patrimônio. A própria Sparta reconhece o desconto no relatório e o classifica como "ampliação da atratividade no mercado secundário".

O spread encolheu de CDI+2% para CDI+1%: o que muda nos dividendos?

Essa é a mudança que mais importa para quem carrega a cota no longo prazo. Quando o site publicou a tese do CDII11, o carrego estimado era CDI+2% ao ano — fruto de um mercado de debêntures incentivadas com demanda moderada em 2023 e início de 2024. O relatório de outubro informa que o spread de crédito da carteira está em 1,0% ao ano, com carrego total de CDI+1,0%.

O excesso de demanda por debêntures incentivadas nos últimos dois anos comprimiu os spreads no mercado primário — era um risco que a análise publicada já apontava como "compressão de spread CDI+ em queda de Selic". Ele se materializou. Com a Selic em corte, o impacto no dividendo mensal tem dois vetores simultâneos: o CDI cai e, ao mesmo tempo, o spread que o fundo consegue capturar também é menor. No ciclo anterior, o spread mais generoso compensava parte da queda do CDI; agora não compensa mais.

O que isso significa para o piso do dividendo? A análise anterior estimava R$ 0,70–0,80 por cota quando a Selic atingisse 10–11%, calculada sobre carrego de CDI+2%. Com spread agora em CDI+1%, o piso recalculado é menor: se a Selic chegar a 10% e o CDI mensal ficar em torno de 0,80%, o carrego total seria de ~0,88% sobre o VP de ~R$ 99 — ou seja, DPS próximo de R$ 0,87 por cota. A queda possível a partir do nível atual de R$ 1,00 ainda é de 13%, mas o piso ficou mais perto do que a tese original indicava.

O que a gestão fez com a carteira em outubro

Em vez de encolher diante da turbulência, a Sparta aproveitou o movimento para aumentar a duration de crédito da carteira. A duration do spread de crédito foi para 5,0 anos — resultado de compras pontuais de papéis com vencimentos mais longos. A lógica é que, quando os spreads voltarem a fechar, papéis de duration maior capturam mais valorização de preço. É um posicionamento ativo que depende de o mercado de crédito normalizar — e que eleva o risco de marcação a mercado caso a pressão se intensifique antes disso.

O fundo manteve o hedge integral de taxa de juros, o que significa que oscilações na curva longa não afetam diretamente o valor patrimonial. A parcela de caixa da carteira ficou em 9,9% — colchão que serve tanto para aproveitar novas oportunidades quanto para absorver eventual volatilidade adicional.

Os dividendos mensais do CDII11: o que o relatório revela

O fundo pagou R$ 1,00 por cota em outubro — com liquidação em 16/11/2026. É o sexto mês consecutivo nesse patamar. A tabela abaixo mostra como a distribuição mensal se posicionou em relação ao CDI e ao DY acumulado em 12 meses:

Mês Pagamento R$/cota % do CDI DY 12m (a.a.)
Out/2026 16/11/2026 R$ 1,00 94% 14,4%
Set/2026 15/10/2026 R$ 1,00 91% 15,0%
Ago/2026 15/09/2026 R$ 1,00 90% 16,0%
Jul/2026 14/08/2026 R$ 1,00 81% 16,6%
Jun/2026 14/07/2026 R$ 1,00 — —
Mai/2026 15/06/2026 R$ 1,00 92% 17,6%

A coluna "% do CDI" conta uma história que o valor nominal esconde: em julho, R$ 1,00 representava 81% do CDI mensal; em outubro chegou a 94%. O numerador ficou flat, mas o denominador encolheu — sinal de que o CDI mensal está caindo conforme a Selic recua. Com o CDI mais baixo a cada ciclo de corte, o dividendo mensal vai continuar comprimindo mesmo que a carteira não mude mais nada.

18% 16% 14% Mai Jul Ago Set Out 17,6% 14,4%
DY acumulado em 12 meses do CDII11 (mai a out/2026). Fonte: relatório gerencial Sparta, fechamento 30/10/2026.

CDII11 vale a pena com desconto de 10%?

A pergunta correta não é se o desconto existe — existe, claramente. É saber se ele é passageiro (efeito técnico dos resgates da indústria, que pressiona preços mas não o VP) ou estrutural (o mercado está precificando um fundo que vai pagar menos do que a tese sugeria). Os dois casos são parcialmente verdadeiros.

O desconto técnico existe: a estrutura listada evita liquidações forçadas, e o valor patrimonial de R$ 99,38 está intacto. Para quem entrar hoje a R$ 89,58 (fechamento de 05/11), o DY sobre o preço de mercado — usando os R$ 13,98 de dividendos dos últimos 12 meses — fica em torno de 15,6% ao ano isentos de IR, superior ao DY de 14,4% calculado sobre o valor patrimonial. Esse é o "ganho" concreto de entrar no desconto, e ele só se realiza inteiro se a cota voltar ao VP antes de um novo corte de Selic esvaziar o carrego.

O desconto estrutural também existe: a compressão de CDI+2% para CDI+1% não foi um evento pontual de mercado — foi a normalização de um ambiente que estava excepcionalmente generoso em 2023. Quem entrou no fundo esperando carrego de CDI+2% pra sempre já não tem mais essa tese. Para quem pensa em ver os números completos do fundo e decidir, o dado mais relevante não é o desconto hoje, mas a trajetória do CDI nos próximos dois anos — porque é ela que determina onde o dividendo mensal vai parar.

O que isso muda para quem tem a cota

Se você comprou próximo de R$ 100, sua cota perdeu cerca de 10% de preço de mercado — mas os R$ 1,00 mensais não foram afetados e o valor patrimonial segue em R$ 99,38. A renda mensal isenta continua chegando. O risco que cresceu é o de médio prazo: com spread agora em CDI+1% e Selic em queda, o próximo piso do dividendo pode ser R$ 0,87 (nossa estimativa com Selic a 10%), e não os R$ 0,70–0,80 calculados com CDI+2% de spread. A diferença é pequena, mas é uma conta que piora um pouco mais do que o site indicava antes. Se você depende dessa renda no patamar atual, o relatório de outubro adiciona uma evidência a mais para revisar a posição.

1

Dividendo mensal abaixo de R$ 0,90 — sinaliza que o CDI já caiu para o patamar de 10,5–11% ou que houve pré-pagamento de debêntures CDI+ de alto spread na carteira. Reveja a posição se a renda mensal for prioridade.

2

Resgates da indústria superiores a R$ 15 bilhões em um mês — pode acelerar a pressão sobre os spreads, forçar venda de papéis no mercado secundário e comprimir ainda mais o carrego de novas alocações da carteira.

3

Desconto no P/VP acima de 15% — seja pelo VP caindo (deterioração de crédito) ou pela cotação recuando mais. P/VP abaixo de 0,85 muda significativamente o cálculo de risco × retorno e merece reavaliar a tese.

4

Decisão de Selic em dezembro pelo Banco Central — cada corte de 0,5 ponto percentual reduz o CDI mensal em ~0,04%; multiplicado pelo VP de ~R$ 99, isso tira aproximadamente R$ 0,04 do dividendo mensal. Com três a quatro cortes ainda projetados no Focus, o impacto acumulado estimado é de R$ 0,12–0,16 no DPS.