CSAN3 cotação hoje: o gráfico da virada depois que o UBS-BB elevou a Cosan para compra com alvo de R$ 4,70 Relevância6,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

CSAN3 cotação hoje e o novo preço-alvo de R$ 4,70 do UBS-BB

Ação engata três pregões de alta após elevação de recomendação e relatório citar possível venda de fatia da Compass

A ação CSAN3 fechou o último pregão, sexta-feira (6), a R$ 2,77, com alta de 10,80%. Foi o terceiro dia seguido de ganho, puxado por dois fatos: o UBS-BB elevou a recomendação da Cosan para compra e circulou a notícia de uma possível venda de fatia da Compass. Mesmo assim, a ação ainda vale quase metade do que valia antes do tombo de outubro.

Qual a cotação da CSAN3 hoje e o que mostra o gráfico?

Como sábado não tem pregão, vale o fechamento de sexta: segundo o Money Times, a ponta positiva do Ibovespa foi encabeçada pela Cosan (CSAN3), que encerrou a sessão em alta de 10,80%, a R$ 2,77. Antes disso, segundo a TradeMap, os papéis subiram 5,29% na quarta (4) e 4,60% na quinta (5). Somando os três pregões, a alta é de cerca de 22% sobre o fechamento de terça (3), que pela nossa conta, voltando das variações diárias, ficou perto de R$ 2,27.

R$ 6 R$ 4 R$ 2 R$ 0 alvo UBS-BB: R$ 4,70 R$ 5,20 R$ 2,77 R$ 2,39 ~R$ 2,27 R$ 2,77 23/10 26/10 28/10 03/11* 06/11
A alta da semana só devolveu o terreno perdido depois de 26/10. O alvo do banco fica acima até do preço de antes do tombo. *Valor de 03/11 estimado por nós a partir das variações diárias.

O tombo aconteceu num dia só. Segundo um levantamento publicado na sexta, a ação fechou a R$ 5,20 na sexta antes do 2º turno (23 de outubro) e caiu 46,7% no primeiro pregão depois dele. Em nossa análise da queda de 26 de outubro, registramos que a Cosan não havia divulgado nenhum fato novo naquele dia. Para a análise técnica, o Investing.com aponta que as primeiras resistências estão em R$ 2,81 e R$ 2,93, enquanto a mínima recente de R$ 2,16 é a principal referência de suporte. Mas o gráfico não explica por que o UBS-BB mudou de ideia.

O que o UBS-BB disse sobre a Cosan?

Na quinta-feira (5), o banco subiu a recomendação de neutra para compra. Segundo o Money Times, para o banco, o mercado exagerou na penalização da companhia, que acumula queda de aproximadamente 40% em um mês e negocia com desconto de 35% a 45% em relação ao valor de seus ativos. O relatório é assinado por Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Alberto Valerio.

Esse desconto é o centro do argumento. A Cosan é uma holding: o valor dela vem das fatias que tem em Rumo, Compass, Raízen e outras empresas, menos a dívida da própria holding. Para chegar ao alvo, segundo o Seu Dinheiro, o UBS-BB utiliza o método de soma das partes (SOTP), considerando os preços-alvo de Rumo, Compass e Raízen. Por isso o alvo da Cosan depende do que o banco espera de cada controlada:

EmpresaRecomendação do UBS-BBPreço-alvo
Cosan (CSAN3)Compra (era neutra)R$ 4,70
Rumo (RAIL3)CompraR$ 22
Compass (PASS3)CompraR$ 38
Raízen (RAIZ4)VendaR$ 0,16

A Raízen continua com recomendação de venda, e isso pesa. A dona da Shell no Brasil tem sido a principal fonte de problemas do grupo, como contamos em nossa análise da queda da RAIZ4. Na prática, o banco põe o valor da Cosan em Rumo e Compass e trata a Raízen quase como zero. Falta saber quanto a ação andaria se o mercado concordasse com o banco.

Quanto a CSAN3 pode subir se o desconto da holding fechar?

Até o alvo, a distância é de cerca de 70% sobre o fechamento de sexta (conta nossa: 4,70 ÷ 2,77). Para justificar esse número, o UBS-BB diz que o desconto adequado seria de 20% a 30%, caso a holding mantenha sua estrutura atual, ou de 10% a 20% se avançar em direção à dissolução, objetivo já mencionado pela administração para os próximos três a cinco anos.

Dá para isolar o efeito do desconto. Mantendo constante o valor dos ativos, o desconto sair do meio da faixa atual (40%) para outro patamar move a ação na proporção entre "o que sobra" em cada caso. É uma estimativa nossa, e não conta com nenhuma valorização das controladas:

Desconto fica em 40%0%

O mercado segue cobrando o risco da dívida e a ação só acompanha as controladas.

Cai para 25%+25%

Holding mantida, desconto no meio da faixa justa do banco (0,75 ÷ 0,60).

Cai para 15%+42%

Dissolução avança e o acionista passa a ter ações das controladas (0,85 ÷ 0,60).

O resto do caminho até o alvo depende de Rumo e Compass chegarem aos preços que o banco projeta. A Compass, por exemplo, avançava 5,06%, a R$ 20,57, às 13h30 de sexta, bem abaixo dos R$ 38 do alvo. Todo esse otimismo, porém, esbarra num número que o próprio relatório traz.

O que pode dar errado: juros e dívida

O risco está no custo da dívida. Segundo o Seu Dinheiro, considerando uma taxa de juros de 15% em 2027, o UBS-BB projeta que o índice de cobertura de juros (ICR) da Cosan caia para 0,6 vez, ante 1,2 vez estimada para 2026. Abaixo de 1 vez, o que a holding recebe das controladas não paga nem os juros. A empresa já disse que considera adequado um índice entre 1,5 e 2 vezes, mas, para o banco, esse patamar só seria alcançado em 2029 ou 2030 caso os juros permaneçam próximos de 15%.

O UBS-BB vê esse risco como lento, não como urgente: a instituição também afirma não enxergar riscos de liquidez imediatos, mesmo diante da pressão dos juros sobre a geração de caixa. A nossa ficha da Cosan, de 29/10, segue no mesmo sentido. A dívida líquida está em 8,5 vezes o EBITDA, contra mediana histórica de 3,7 vezes, e a nota de fundamentos é 4,5 de 10. A recomendação do banco não muda esses números. Muda a leitura do preço: para ele, o mercado cobrou caro demais por um risco que já era conhecido.

Vale lembrar o histórico. Em setembro de 2025, segundo o Seu Dinheiro, o UBS BB rebaixou a sua recomendação para a Cosan de compra para neutro, após uma desvalorização de 40% no último mês. Agora o banco elevou depois de uma queda de tamanho parecido. Quem comprou naquela época ainda está no prejuízo, e é por isso que a próxima peça importa tanto.

A venda de fatia da Compass muda a conta?

Pode mudar, e é a única peça capaz de reduzir a dívida no curto prazo. Segundo o Investing.com, a alta de sexta veio depois que o Pipeline, do Valor Econômico, informou que a holding estaria em negociações avançadas para vender 25% da Compass, controladora da Comgás, a uma gestora ligada ao governo de Abu Dhabi. O Bradesco BBI estima que a fatia valha cerca de R$ 3,5 bilhões com base na cotação da Compass, sem que esse valor represente um preço negociado.

Pela nossa conta, esse valor cobriria uns 29% da dívida líquida de R$ 12,2 bilhões da holding no 2º trimestre. Um site chegou a divulgar 38%, número que a divisão não confirma. A Cosan detém 76,18% da Compass, segundo o balanço do segundo trimestre, e continuaria como controladora mesmo depois da venda. Há duas ressalvas. A primeira: a Cosan disse a jornalistas que não vai comentar e, até a tarde desta sexta, não havia publicado fato relevante. A segunda: o UBS-BB não inclui desinvestimentos em seu cenário-base. Uma venda confirmada seria ganho extra sobre a tese do banco. As conversas pela Rumo, lembre-se, acabaram sem acordo, como mostramos em nossa análise do fim da negociação pela Rumo.

A CSAN3 paga dividendos? E o que vigiar agora?

A Cosan não paga dividendos desde 2024. O último pagamento foi de R$ 0,4515 por ação, com data-ex em 06/06/2024, e o Status Invest registra zero em proventos nos últimos 12 meses. Com a cobertura de juros abaixo do nível que a própria empresa considera adequado, a prioridade do caixa é a dívida. Proventos não entram no horizonte. A boa notícia recente foi de outro tipo: o acordo com a Receita, detalhado em nossa análise da transação tributária, eliminou R$ 3,2 bilhões em contingências com desembolso de R$ 200 milhões.

O que isso muda para quem tem a ação

A recomendação do banco tira o rótulo de "ação quebrada" e dá uma referência de valor justo para a holding. A dívida, porém, continua a mesma. Quem comprou antes de 23/10 ainda está perto de 47% no prejuízo. Para essa pessoa, o repique não é motivo para comprar mais no impulso nem para vender correndo: a decisão depende de a venda da Compass sair e do balanço confirmar o caixa. Para quem pensa em entrar, a tese do banco é uma aposta de prazo longo, que depende da queda dos juros.

O primeiro teste tem data. Segundo o Investing.com, o próximo teste será o balanço de 13 de novembro, após o fechamento, quando os investidores poderão avaliar a evolução da dívida e a geração de caixa da holding. Dele, interessam três números: a dívida líquida contra os R$ 12,2 bilhões do 2º trimestre, os dividendos recebidos das controladas no semestre e qualquer comunicado oficial sobre a Compass.

Resumo: o UBS-BB tem argumento para dizer que a Cosan ficou barata. Com desconto de 35% a 45%, o preço embute muito pessimismo. Mas o banco também escreve que a cobertura de juros cai em 2027 se a Selic ficar em 15%. A alta da semana precificou a esperança. A confirmação depende da venda da Compass, que só vale com fato relevante, e do balanço de 13/11. Por isso mantemos o veredito "observar".