- Enterprise Value: €550 milhões fixados in Term Sheet vinculante.
- Comprador: Bipadosa S.L., controladora do grupo espanhol Megasa.
- Prazo: Até 10 semanas de exclusividade para contratos definitivos.
A Companhia Siderúrgica Nacional deu um passo concreto para tentar desatar o nó da sua alavancagem financeira. A assinatura do acordo preliminar para repassar os ativos alemães representa o movimento mais palpável do programa de desinvestimentos conduzido pela gestão.
O que aconteceu com a SWT e qual é o valor da operação?
A Companhia Siderúrgica Nacional comunicou ao mercado a assinatura de um Term Sheet vinculante com a Bipadosa S.L., empresa controladora do grupo industrial espanhol Megasa. O documento estabelece as bases para a alienação de todas as ações de emissão da Stahlwerk Thüringen GmbH (SWT), produtora de aços longos localizada em Unterwellenborn, Alemanha.
A operação foi estruturada com um Enterprise Value de €550 milhões, valor que ainda está sujeito a ajustes usuais para transações desse porte. A SWT havia sido integrada ao portfólio da CSN em 2012, em um movimento voltado para diversificar a geografia e o mix de produtos no segmento de aços longos, contando atualmente com capacidade instalada de 1,1 milhão de toneladas de aço por ano.
Por que essa venda importa para a estrutura de capital da CSN?
A transação faz parte do programa de desinvestimentos desenhado para equacionar em definitivo a estrutura de capital da companhia. Com uma alavancagem medida em 5,0574 vezes a relação entre dívida líquida e o EBITDA, a CSN carrega um passivo que pressiona o caixa e limita a flexibilidade operacional da empresa no Brasil e no exterior.
A venda de um ativo de grande porte na Europa reduz a exposição internacional da companhia e gera caixa potencial para abater obrigações financeiras de curto e médio prazos, combatendo o principal ponto de vulnerabilidade apontado pelos analistas de mercado.
Quais são os próximos passos e as condições para o negócio ser concluído?
O Fato Relevante detalha que o Term Sheet estabelece um período de exclusividade de até 10 semanas para a negociação final e assinatura dos documentos definitivos. Nesse intervalo, as equipes jurídicas e financeiras de ambas as partes vão delinear os contratos de compra e venda e cumprir condições suspensivas usuais em operações internacionais de fusões e aquisições (M&A).
Assinatura dos documentos definitivos e entrada de recursos no caixa para amortização de dívidas.
Impedimento regulatório, divergência de ajustes no valor ou falha no encerramento dentro das 10 semanas de exclusividade.
A Megasa, comprador do ativo, é um grupo tradicional na Europa com forte atuação na produção de aços longos na Espanha, França e Portugal, o que traz sinergias operacionais reais para a absorção da planta alemã da SWT.
O que isso muda para quem tem a ação CSNA3?
Para o investidor posicionado em CSNA3, a notícia é um sopro de alívio em meio a um cenário de cotações deprimidas e múltiplos pressionados. A ação negociada a R$ 6,21 sofre com o peso do endividamento multibilionário da holding. A concretização da venda da SWT não resolve sozinha a alavancagem da siderúrgica, mas prova que a gestão está disposta a desmobilizar ativos não essenciais para estancar a sangria financeira. O foco do mercado agora se volta para o cumprimento do prazo de exclusividade.
O que acompanhar daqui para frente?
Prazo de exclusividade — Acompanhar se o período de até 10 semanas será respeitado com anúncios de contratos definitivos.
Ajustes no Enterprise Value — Verificar se o valor final de €550 milhões sofrerá reduções expressivas após a auditoria final da operação.
Evolução da alavancagem — Monitorar os próximos balanços trimestrais para mensurar o impacto efetivo da entrada do recurso na dívida líquida da companhia.