- Sinal verde político: A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e o Congresso mais conservador agradam a Faria Lima.
- O nó fiscal: O gestor Thomas avalia que o rali dos ativos só será sustentável se houver um plano real para controlar as contas públicas.
- O que fazer: Até que essa resposta apareça, a cautela com ativos de risco e a preferência por renda fixa indexada à inflação continuam no radar.
A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais e o fortalecimento de partidos de direita no Congresso Nacional abriram espaço para um alívio nos ativos brasileiros, mas o otimismo definitivo da Faria Lima ainda depende de uma resposta clara sobre o ajuste das contas públicas, segundo avaliação do gestor Thomas divulgada pelo Money Times.
Como o resultado do 1º turno mexe com seus investimentos?
A reação inicial do mercado financeiro reflete uma melhora na percepção de risco político. A consolidação de uma maioria de centro-direita no Congresso reduz as chances de propostas consideradas heterodoxas ou de aumento descontrolado de impostos sobre o setor produtivo nos próximos anos.
No entanto, the gestor Thomas pondera que a política econômica prática pesa mais do que a ideologia partidária no longo prazo. Para ele, o investidor não deve se deixar levar apenas pelo entusiasmo eleitoral imediato, pois a trajetória da dívida pública brasileira continua em um patamar que exige reformas profundas e corte de gastos estruturais.
A nova configuração do Legislativo facilita a aprovação de pautas pró-mercado, privatizações e marcos regulatórios estáveis.
Independentemente de quem vença no segundo turno, o orçamento federal segue engessado e exige medidas duras de contenção.
Essa dualidade explica por que o mercado pode apresentar volatilidade nos próximos dias. Enquanto as ações de empresas estatais e setores expostos à economia doméstica tendem a ensaiar uma recuperação, as taxas de juros de longo prazo continuam pressionadas, refletindo o receio de que o próximo governo adie o ajuste fiscal necessário.
Qual é a pergunta que o próximo presidente precisa responder?
A grande dúvida que paira sobre as mesas de operação é: como o próximo governo pretende equilibrar as contas sem sufocar o crescimento? O gestor Thomas aponta que o mercado já precifica um cenário de receitas infladas, mas o que realmente fará a diferença para a queda estrutural dos juros é o controle rígido das despesas.
Se o candidato vencedor apresentar uma equipe econômica de perfil técnico e comprometida com metas fiscais críveis, a tendência é de um forte fechamento na curva de juros futuros. Isso beneficiaria diretamente a Bolsa de Valores e os fundos imobiliários, que hoje sofrem com a concorrência dos títulos públicos que pagam taxas elevadas.
Se o governo eleito focar no corte de despesas estruturais, o prêmio de risco cai, o dólar recua e a Bolsa pode buscar novas máximas históricas.
Se a nova gestão mantiver a expansão de gastos sob a justificativa de apoio político, a inflação persistirá alta, forçando o Banco Central a manter a Selic elevada.
O que isso muda para quem investe em Ações, FIIs e Renda Fixa?
Para o investidor pessoa física, o momento exige equilíbrio na carteira. A renda fixa pós-fixada e os títulos atrelados ao IPCA continuam sendo excelentes portos seguros, pois garantem proteção contra a inflação e rentabilidade real elevada enquanto o cenário fiscal não se resolve de forma definitiva.
No mercado de ações, setores que dependem menos do cenário macroeconômico doméstico, como exportadoras e utilidades públicas (energia e saneamento), oferecem maior resiliência. Já os fundos imobiliários de tijolo, que possuem ativos reais de alta qualidade, podem se tornar grandes oportunidades de compra caso o risco fiscal comece a ceder e a curva de juros futuros aponte para baixo.
Não mude sua estratégia de investimentos com base apenas no resultado do primeiro turno. A liderança de Flávio Bolsonaro melhora o sentimento de curto prazo, mas a segurança real para aumentar a exposição em ativos de risco (como ações e FIIs) só virá quando o plano de voo para a dívida pública for formalmente apresentado.
O que o investidor deve monitorar a partir de agora?
Até a definição do segundo turno e a montagem da nova equipe de transição governamental, o mercado deve operar em compasso de espera. Os discursos dos candidatos sobre teto de gastos, autonomia do Banco Central e reformas administrativas serão os principais termômetros para os preços dos ativos.
O investidor deve evitar decisões extremas, como zerar a carteira de ações ou concentrar todo o patrimônio em títulos prefixados de longo prazo, que carregam alta volatilidade caso o estresse fiscal retorne.
Sinalizações econômicas — Monitore os nomes cotados para os ministérios da Fazenda e do Planejamento de ambos os lados da disputa.
Comportamento do dólar — A moeda americana abaixo de patamares críticos sinaliza que o fluxo de capital estrangeiro está retornando ao país.
Curva de juros futuros — Fique de olho nas taxas dos DIs longos; se elas começarem a cair, é o sinal verde definitivo para aumentar a fatia de FIIs e ações na carteira.
Veredito Rico aos Poucos
O resultado do primeiro turno trouxe um fôlego político importante para o mercado, mas a matemática fiscal não escolhe partido. A recomendação é manter uma carteira diversificada, aproveitando as taxas gordas da renda fixa indexada à inflação, enquanto aguardamos a resposta para a pergunta que o gestor Thomas levantou: como o Brasil vai pagar as suas contas nos próximos quatro anos?