BofA vê Selic a 11,25% em 2027 e indica 3 ações para ganhar com a queda dos juros Relevância4,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

EQTL3 e mais duas ganham com juros do BofA — como o cenário da instituição projeta a Selic a 11,25% e impulsiona essas ações?

Relatório aponta Equatorial (EQTL3), Ecorodovias (ECOR3) e Allos (ALSO3) como os principais destaques para surfar a redução do custo de capital.

O que o Bank of America projetou para a Selic em 2027?

O Bank of America (BofA) estima que a taxa Selic deve alcançar 11,25% até o final de 2027. De acordo com relatório divulgado pela instituição financeira aos seus clientes, o alívio na taxa básica de juros vai beneficiar diretamente empresas com dívidas atreladas ao CDI e ativos de longo prazo, com destaque para a Equatorial (EQTL3), a Ecorodovias (ECOR3) e a Allos (ALSO3).

Essa revisão de cenário macroeconômico traça um caminho gradual para a convergência dos juros no Brasil. Na visão do banco de investimento, a desaceleração da inflação e o reajuste das expectativas do mercado criam espaço para que o Banco Central reduza a Selic nos próximos anos, saindo do patamar restritivo atual para um nível mais neutro.

A projeção do BofA coloca o patamar de 11,25% em 2027 como o ponto final estimado para o ciclo de cortes. Esse movimento altera o cálculo de valuation das empresas negociadas na Bolsa brasileira (B3), já que a taxa de desconto utilizada para trazer os fluxos de caixa futuros a valor presente diminui, favorecendo companhias com alto endividamento produtivo ou perfil de investimento prolongado.

A tese central da casa: Quando a Selic cai para a faixa de 11,25%, a redução da taxa de juros não atua apenas barateando o crédito para o consumidor final, mas reduz diretamente a despesa financeira líquida de empresas com alavancagem operacional relevante.

Por que a queda da Selic afeta diretamente o valuation das empresas?

Quando a taxa básica de juros permanece em patamares elevados, o custo de capital corporativo se eleva, pressionando a margem de lucro líquida de empresas que utilizam capital de terceiros para financiar sua expansão. Com a Selic a 11,25% projetada pelo Bank of America para 2027, ocorre um duplo alívio nas demonstrações financeiras das companhias listadas.

O primeiro efeito é a redução direta das despesas financeiras. Empresas brasileiras emitem majoritariamente debêntures e captam empréstimos bancários balizados pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que caminha colado à Selic. Cada corte de 1 ponto percentual na taxa de juros representa uma economia direta de milhões de reais em juros da dívida, turbinando o lucro líquido do exercício sem a necessidade de aumento na receita operacional.

O segundo efeito diz respeito ao custo médio ponderado de capital (WACC). No modelo de fluxo de caixa descontado, juros menores resultam em taxas de desconto mais baixas. Isso faz com que os lucros projetados para daqui a cinco ou dez anos valham mais no presente, provocando uma repaginação nos múltiplos das ações no mercado secundário.

Empresa (Ticker) Setor de Atuação Sensibilidade à Selic Gatilho do BofA
Equatorial (EQTL3) Utilities / Energia Alta (Alavancagem) Queda nas despesas financeiras e dívida atrelada ao CDI.
Ecorodovias (ECOR3) Infraestrutura / Concessões Alta (Capex / Longo Prazo) Alívio de refinanciamento e expansão do tráfego.
Allos (ALSO3) Shopping Centers / Imobiliário Alta (Consumo e Cap Rates) Recuperação de consumo e valorização de ativos físicos.

Quais são as 3 ações preferidas do BofA para surfar o ciclo de cortes?

O Bank of America apontou três nomes específicos como suas escolhas preferenciais entre as empresas de maior sensibilidade à queda dos juros no mercado brasileiro. A seleção do banco levou em consideração a qualidade dos ativos, a alavancagem financeira atual e o potencial de repassificação das cotas na B3.

1. Equatorial Energia (EQTL3)

A Equatorial figura na lista do BofA por ser uma das principais operadoras de utilidade pública do país, com atuação forte nos segmentos de distribuição, transmissão e saneamento. A empresa possui investimentos intensivos em capital e uma estrutura de endividamento expressiva voltada para a modernização das concessões adquiridas.

Com a taxa Selic em queda rumo aos 11,25%, a Equatorial reduz seu custo da dívida, destravando geração de caixa livre para os acionistas. A tese do banco baseia-se na combinação de previsibilidade operacional, reajustes tarifários protegidos pela inflação e forte alívio do resultado financeiro conforme os juros recuam.

2. Ecorodovias (ECOR3)

No setor de infraestrutura e concessões rodoviárias, a Ecorodovias foi destacada pelo Bank of America devido à longa duração de seus contratos de concessão. Companhias que gerenciam rodovias possuem contratos de longo prazo em que o custo de capital é o fator determinante do valor justo da ação.

A consolidação da Selic a 11,25% até 2027 melhora o perfil de rolagem das dívidas da Ecorodovias, que foram contratadas para financiar os pesados compromissos de capex das novas concessões. Além disso, juros mais baixos impulsionam a atividade econômica geral, estimulando o tráfego de veículos leves e pesados pelas praças de pedágio.

3. Allos (ALSO3)

A Allos, gigante do setor de shopping centers resultante da fusão entre Aliansce Sonae e BR Malls, representa a aposta do BofA no segmento imobiliário comercial e de varejo. O setor de shoppings sente a pressão dos juros altos em duas frentes: no custo da dívida imobiliária e na taxa de ocupação/vendas dos lojistas.

Segundo o BofA, a queda projetada na Selic melhora as condições de crédito das famílias e aumenta a renda disponível, impulsionando as vendas nas lojas físicas. Ao mesmo tempo, a compressão dos *cap rates* (taxa de retorno exigida para ativos imobiliários) eleva o valor patrimonial do portfólio de shoppings da Allos e reduz o custo do endividamento corporativo.

Como a Selic em 11,25% impacta a alocação de carteira do investidor?

A estimativa de Selic a 11,25% em 2027 apresentada pelo Bank of America sugere um ambiente em que a renda fixa pós-fixada continuará entregando retornos nominais de dois dígitos por algum tempo, mas com rendimento real gradualmente menor à medida que o mercado ajusta as taxas futuras.

Para o investidor pessoa física, o estudo do BofA reforça a necessidade de antecipar o movimento de migração parcial para a renda variável antes que o ciclo de cortes seja totalmente precificado pelos ativos. Historicamente, as ações brasileiras tendem a antecipar a queda dos juros, registrando valorização nos meses anteriores e nos estágios iniciais das reduções da Selic pelo Banco Central.

Atenção aos riscos: Projeções macroeconômicas de longo prazo estão sujeitas a desvios provocados por incertezas fiscais domésticas e mudanças no cenário econômico global. A indicação do BofA reflete o cenário base da instituição no momento da análise.

O que acompanhar a partir de agora?

Para o investidor que acompanha a tese do Bank of America, a trajetória da taxa de juros deve ser monitorada através de quatro fatores fundamentais nos próximos trimestres:

  • Comunicados e Atas do Copom: As sinalizações do Comitê de Política Monetária sobre o ritmo dos cortes e a taxa terminal desejada pelo Banco Central.
  • Relatório Focus: A evolução semanal das projeções do mercado financeiro para a inflação (IPCA) e a Selic até 2027.
  • Resultado financeiro das empresas: A demonstração do resultado do exercício (DRE) de EQTL3, ECOR3 e ALSO3, verificando se a despesa financeira líquida já apresenta retração nos relatórios trimestrais.
  • Curva de juros futuros (DI): O comportamento das taxas dos contratos de DI de longo prazo na B3, que balizam o custo do capital de terceiros para novas emissões de dívida.