Por que a GGBR4 sobe hoje: Itaú BBA eleva a Gerdau para compra num dia de Ibovespa em queda Relevância4,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

Por que a GGBR4 sobe hoje com a recomendação de compra do Itaú BBA

O banco vê espaço de valorização para o papel, enquanto o restante do setor siderúrgico opera no vermelho.

O Itaú BBA elevou a recomendação da ação GGBR4 para compra, e a Gerdau reagiu: o papel subia 5,77% às 12h17 desta quinta-feira (29/10), a R$ 25,48, enquanto o Ibovespa recuava 3,58%. Para quem tem a ação, a boa notícia é clara; a pergunta que sobra é quanto dela já entrou no preço.

Por que a ação GGBR4 está subindo hoje?

Porque o Itaú BBA, segundo o InfoMoney, passou a recomendar a compra do papel. O banco argumenta que fundamentos mais fortes, somados a uma queda recente das ações, devolveram atratividade à relação entre risco e retorno da Gerdau.

“…a combinação de fundamentos mais fortes e uma queda recente das ações voltou a tornar a relação risco-retorno atrativa”InfoMoney, relatando a visão do Itaú BBA sobre a Gerdau

O SpaceMoney deu a mesma notícia com um número na manchete: o banco veria espaço de 29% para a ação. Dos textos a que tivemos acesso, só os títulos e o resumo vieram, então preço-alvo, prazo e a recomendação anterior do banco não constam. Qualquer conta de "quanto falta para o alvo" ficaria sem base, e por isso não a fazemos aqui.

O que dá para medir é o papel. O fechamento de ontem foi R$ 24,09 e, na apuração, a ação estava R$ 1,39 acima, a poucos centavos da máxima do dia (R$ 25,55; a mínima foi R$ 24,61). O volume financeiro chegou a R$ 173,3 milhões até aquela hora. O pregão ainda estava aberto, então tudo isso pode mudar até o fechamento.

A alta é da Gerdau ou o mercado ajudou?

Não ajudou: o mercado puxou para baixo. Com o Ibovespa em queda de 3,58%, a GGBR4 caminhou 9,35 pontos percentuais acima dele. A mediana das ações que acompanhamos mexia 1,73% (em módulo), de modo que a Gerdau andava mais de três vezes isso, num movimento que passa pouco do limiar de 5,74% que usamos para classificar um pulo anormal neste papel.

AtivoVariação às 12h17Leitura
GGBR4+5,77%Alvo do upgrade
GGBR3+7,34%Mesma empresa, ação ordinária
TUPY3-1,69%Par do setor
SHUL4-2,60%Par do setor
FESA4-2,65%Par do setor
PMAM3-6,67%Par do setor (em recuperação judicial)
Ibovespa-3,58%Referência do mercado

Os quatro pares do setor estavam no vermelho e só as duas ações da Gerdau subiam. Isso aponta para um movimento da empresa, não da siderurgia como um todo. As fontes não explicam por que a ordinária sobe mais que a preferencial. Mas, se o mercado inteiro cai e a Gerdau sobe, a recomendação do banco é a explicação que as manchetes oferecem. Falta saber se os fundamentos que ele cita são os que já conhecemos.

O que mudou na Gerdau para o banco mudar de ideia?

O Itaú BBA fala em "fundamentos mais fortes", sem detalhar o quê nos textos que lemos. O dado público mais recente da empresa é o resultado do terceiro trimestre: segundo o que mostramos na análise do 3T26, o EBITDA ajustado foi de R$ 3,8 bilhões (+9,9%), puxado pelas operações nos Estados Unidos, e o conselho aprovou R$ 0,34 por ação em dividendos. Esse valor equivale a cerca de 1,3% do preço de R$ 25,48.

O lucro também chamou atenção. Como explicamos em outro texto sobre o resultado, a Gerdau lucrou R$ 1,52 bilhão (+39,7%) mesmo com queda no volume de vendas de aço. Ligar esse balanço ao upgrade é leitura nossa: o banco, nas fontes, não cita o 3T26 de forma expressa. Mas a lógica que ele descreve se encaixa assim:

Fundamentos mais fortes+Queda recente das ações=Risco-retorno atrativo, diz o Itaú BBA

A segunda peça merece atenção: o argumento depende de a ação ter caído antes. Quanto mais ela sobe hoje, menos "queda recente" sobra para sustentar o desconto. Mas isso nos leva à pergunta de quem pensa em entrar agora.

Vale comprar a GGBR4 agora que o Itaú BBA recomenda?

A recomendação é um argumento, não um gatilho. Parte do espaço que o banco enxerga já foi percorrida hoje, e não sabemos se os 29% da manchete foram medidos sobre o preço de ontem ou o de hoje. Se foram sobre o de ontem, o que resta é menor do que o título sugere. Quem espera o fechamento e os detalhes do relatório decide com mais informação.

E a GGBR3? A manchete trata da GGBR4, e as fontes não dizem se a recomendação vale também para a ordinária. No dia, ela sobe mais, mas isso é movimento de preço, não confirmação de tese.

Upgrade protege contra queda? Não. Outro exemplo do universo siderúrgico e metalúrgico: o BTG elevou a TUPY3 para compra no começo do mês, como contamos na cobertura da recomendação, e hoje o papel recua 1,69%. Recomendação de casa grande muda o humor de um dia, mas não impede o mercado de pesar mais.

O que isso muda para quem tem ou quer ter a ação

Se você já tem a GGBR4, o upgrade reforça a tese, mas nada na empresa mudou em 24 horas: o balanço e o dividendo de R$ 0,34 por ação são os mesmos de ontem. Se está de fora, não há pressa que justifique comprar no calor de uma alta contra o mercado. O que o upgrade entrega de novo é uma opinião de peso, e quem a pesa por conta própria sai mais seguro.

O que acompanhar daqui para frente?

1

O fechamento de hoje — comparar com o R$ 24,09 de ontem mostra se o ganho sobreviveu ao pregão inteiro; às 12h17 o papel estava em R$ 25,48.

2

A máxima do dia — o papel esteve a centavos de R$ 25,55; fechar longe disso indica que a euforia da manhã esfriou.

3

O relatório do Itaú BBA — preço-alvo, prazo e a recomendação anterior dizem o tamanho real do espaço, hoje conhecido só pela manchete de 29%.

4

O Ibovespa — com o índice em queda de 3,58%, uma virada para cima no mercado pode tirar parte da vantagem relativa da Gerdau; uma piora pode testar a força do upgrade.