Ibovespa dispara e dólar desaba após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno — o que dizem os analistas Relevância8,0
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Flávio Bolsonaro lidera o primeiro turno e mercado reage com alta em ações e queda no dólar

O EWZ disparou no pré-mercado e o Goldman Sachs projeta o real cotado entre 4,50 e 4,80 por dólar.

Analistas de mercado projetam uma forte onda de valorização nos ativos brasileiros após o senador Flávio Bolsonaro (PL) contrariar as pesquisas de opinião e terminar o primeiro turno das eleições presidenciais na liderança, segundo relatórios divulgados nesta segunda-feira (5). O resultado das urnas no domingo (4) colocou o candidato do PL à frente com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%, contrariando as projeções de institutos de pesquisa que apontavam o petista na liderança.

Por que o mercado brasileiro disparou após o primeiro turno das eleições?

O mercado financeiro reagiu com forte otimismo porque o senador Flávio Bolsonaro superou as expectativas das pesquisas e assumiu a liderança no primeiro turno, o que reduz o prêmio de risco fiscal embutido nos ativos domésticos. De acordo com analistas ouvidos pela Reuters, a vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos obtida pelo senador do PL e a consolidação de um segundo turno em patamar mais favorável à direita trouxeram alívio imediato para as projeções econômicas.

Além da disputa presidencial, investidores digerem o avanço expressivo de partidos de direita e centro-direita no Senado e na Câmara dos Deputados. Esse arranjo legislativo é interpretado por analistas e gestores como um contrapeso institucional robusto. Na visão do mercado, a nova composição do Congresso funciona como uma trava contra mudanças estruturais radicais e sinaliza maior facilidade para a aprovação de reformas de austeridade, como medidas de contenção de gastos públicos e privatizações.

Como reagiram as ações brasileiras e o ETF EWZ no exterior?

Os ativos brasileiros negociados no exterior registraram forte alta logo nas primeiras horas da manhã de segunda-feira (5), antecipando o movimento de euforia que se refletiu na abertura da B3. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, registrou alta de 2,83% no pré-mercado, cotado a US$ 38,19, enquanto o ETF MSCI Brazil listado em Frankfurt chegou a disparar mais de 14%.

Esse movimento no exterior impactou diretamente os papéis mais líquidos do mercado local. Os recibos de ações (ADRs) de grandes companhias brasileiras negociados nos Estados Unidos apresentaram valorizações expressivas: os ADRs do Itaú Unibanco subiram 11,47%, o que impulsionou a procura pela ação ITUB3 e pela ação ITUB4 na abertura dos negócios em São Paulo. No setor de commodities, os ADRs da Petrobras saltaram 9,93%, elevando o otimismo em relação à ação PETR3 e à ação PETR4, enquanto os ADRs da Vale avançaram 6,10%, abrindo espaço para a valorização da ação VALE3.

Ativo (ADR no Exterior) Variação no Pré-Mercado Ações Impactadas na B3
Itaú Unibanco (ITUB) +11,47% ação ITUB3 / ação ITUB4
Petrobras (PBR) +9,93% ação PETR3 / ação PETR4
Vale (VALE) +6,10% ação VALE3

Por que o dólar desabou abaixo de R$ 5,00 após o resultado?

A cotação do dólar comercial apresentou uma queda acentuada de 4,44% na abertura dos negócios de segunda-feira (5), sendo negociado a R$ 4,985 na venda, refletindo a forte redução do prêmio de risco político e fiscal. O dólar futuro para novembro, contrato mais negociado na B3, acompanhou o movimento de baixa ao recuar 4,38%, cotado a R$ 5,023.

Diante deste cenário eleitoral, o banco de investimentos Goldman Sachs projetou que o real brasileiro pode se valorizar até a faixa entre 4,50 e 4,80 por dólar americano. De acordo com a instituição financeira, o patamar de 4,80 seria consistente com a compressão total do prêmio fiscal residual que havia sido acumulado desde o episódio de desvalorização cambial ocorrido em 2024. O Goldman Sachs destacou ainda que o real pode romper essa faixa e se valorizar além desses níveis caso o desfecho do segundo turno consolide um compromisso crível de consolidação fiscal e o cenário macroeconômico externo colabore.

O que aconteceu com as taxas de juros futuros (DIs) na B3?

As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) abriram a sessão de segunda-feira (5) em forte queda livre, registrando recuos de quase 100 pontos-base nos vencimentos mais longos. O DI com vencimento em janeiro de 2028 recuou 77 pontos-base, passando a operar em 12,735% contra o ajuste anterior de 13,509%, enquanto a taxa para janeiro de 2035 despencou 97 pontos-base, saindo de 14,131% para 13,16%.

Essa derrocada nas taxas de juros futuros reflete diretamente o alívio dos investidores em relação à trajetória da dívida pública e da inflação. Quando o mercado percebe uma menor probabilidade de descontrole fiscal, a exigência de prêmio de risco para financiar o governo no longo prazo diminui drasticamente. Para o investidor de renda fixa, esse movimento provoca uma forte marcação a mercado positiva nos títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+), valorizando os papéis na carteira de quem já estava posicionado.

Contrato DI Taxa Atual (05/10) Ajuste Anterior Queda (Pontos-Base)
Janeiro de 2028 12,735% 13,509% -77 bps
Janeiro de 2035 13,160% 14,131% -97 bps

O que os analistas recomendam acompanhar até o segundo turno?

Os investidores devem monitorar de perto a construção de alianças políticas e as declarações econômicas de ambos os candidatos até a votação decisiva do segundo turno, marcada para o dia 25 de outubro. Thierry Larose, gestor de carteiras da Vontobel, avalia que os mercados devem conceder o benefício da dúvida a Flávio Bolsonaro, confiando em anúncios rápidos sobre o ajuste fiscal que possam prolongar o rali dos ativos locais.

Por outro lado, Viktor Szabo, gestor de carteira de dívida de mercados emergentes da Aberdeen, classifica o cenário atual como altamente favorável para ações e câmbio, estimando que a consolidação dessa tendência pode abrir espaço para um ciclo de cortes de juros mais acentuado por parte do Banco Central. No entanto, os analistas alertam que a volatilidade deve continuar presente nas próximas semanas, à medida que as campanhas se reorganizam para disputar os votos decisivos que definirão o próximo presidente.

Atenção: Embora o resultado do primeiro turno tenha gerado uma reação inicial de euforia na B3 e no câmbio, a disputa presidencial segue aberta até o dia 25 de outubro. O investidor pessoa física deve evitar decisões precipitadas baseadas apenas no humor de curto prazo do mercado, mantendo a diversificação de sua carteira de investimentos.

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