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INTERMEDIÁRIO PTENES

ICRI11 no Q2/2026: resultado cresceu 15%, MAGOPPF foi trocada e a carteira girou — o que realmente mudou

Informe Trimestral Q2/2026 mostra R$ 3,44/cota de resultado de caixa, caixa quase dobrado e posição problemática encerrada

O que o Informe Trimestral Q2/2026 do ICRI11 revelou?

Que o resultado de caixa subiu para R$ 13,29 milhões (R$ 3,44/cota), 14,6% acima do Q1; o caixa quase dobrou (R$ 16,7M → R$ 32,2M); e a posição em MAGOPPF — alvo de provisão anunciada em junho — foi trocada por cotas da GENIAL INVESTIM, encerrando aquele risco específico.

R$ 3,44
Resultado/cota Q2/2026
+14,6%
Vs. Q1/2026
R$ 32,2M
Caixa em jun/2026 (+93%)
R$ 6,13
Distribuído no semestre/cota

O ICRI11 (Itaú Crédito Imobiliário IPCA FII) é um fundo de papel da Itaú Asset Management, com 33 CRIs em carteira — a maioria indexada a IPCA+ (a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa) ou a CDI+ (a taxa básica dos juros de mercado mais um spread). Cobra 1,00% a.a. de administração, sem taxa de performance, e tem cerca de 12.752 cotistas distribuídos em 3.857.359 cotas. O Informe Trimestral Estruturado com competência em 30/06/2026 (documento 1285153) trouxe três eixos de notícia: o resultado cresceu, uma posição problemática foi encerrada e vários CRIs foram girados. A seguir, o que os números mostram — sem veredicto. Para o contexto anterior, vale a análise de mai/2026.

O resultado de caixa: R$ 3,44 por cota no trimestre

FIIs distribuem com base no resultado de caixa — o dinheiro que efetivamente entrou (juros recebidos, vendas realizadas) menos o que saiu (despesas). É diferente do resultado contábil, que inclui marcações e provisões que ainda não viraram caixa. No Q2/2026, o resultado financeiro de caixa do ICRI11 foi de R$ 13.286.464 (R$ 3,443 por cota), contra R$ 11.590.286 (R$ 3,004 por cota) no Q1 — uma alta de 14,6%.

Boa parte dessa alta veio de um item que não se repete: o ganho na venda de títulos e valores mobiliários (TVM). Quando o fundo vende um CRI ou uma cota por mais do que pagou, essa diferença entra como receita — mas é pontual, depende de haver o que vender e a que preço. No Q2 esse ganho foi de R$ 1.442.852, quase 10 vezes os R$ 148.622 do Q1. Excluindo esse componente não recorrente, o resultado do trimestre fica em torno de R$ 11,8 milhões (aproximadamente R$ 3,06 por cota, ou cerca de R$ 1,02 por cota ao mês) — o patamar que reflete a geração corrente da carteira.

Linha de caixaQ1/2026Q2/2026Variação
Receitas de juros TVMR$ 12.051.789R$ 12.205.399+1,3%
Ganho na venda de TVM (não recorrente)R$ 148.622R$ 1.442.8529,7×
Despesas totaisR$ 1.017.294R$ 1.123.928+10,5%
Taxa de administraçãoR$ 928.941
Resultado financeiroR$ 11.590.286R$ 13.286.464+14,6%
Resultado por cotaR$ 3,004R$ 3,443+14,6%

A receita de juros — o motor recorrente — cresceu apenas 1,3% entre os trimestres, e as despesas subiram 10,5%. Ou seja: descontado o ganho de venda, a geração corrente ficou praticamente estável de um trimestre para o outro.

O que aconteceu com o MAGOPPF

Além dos CRIs, o ICRI11 carrega uma fatia em cotas de outros FIIs. Uma dessas posições era o MAG OPP FII (MAGOPPF, CNPJ 62.105.992/0001-79), com 205.674,93 cotas avaliadas em R$ 21.158.167 no Q1. Em 05/06/2026 foi anunciada uma provisão sobre esse ativo — o reconhecimento contábil de uma perda potencial, que reduz o valor patrimonial sem necessariamente ser uma saída imediata de caixa.

No Informe Q2, no lugar do MAGOPPF aparece a GENIAL INVESTIM (CNPJ 05.816.451/0001-15) — com exatamente as mesmas 205.674,93 cotas, mas CNPJ diferente e valor de R$ 15.257.033. Mesma quantidade de cotas, entidade distinta e um valor R$ 5,9 milhões menor indicam que a posição foi trocada, com a perda sendo realizada no valor patrimonial (VP) — o valor contábil do fundo dividido pelo número de cotas.

A reserva do ICRI11 — o resultado acumulado que o fundo guarda para suavizar distribuições — encerrou junho/2026 em R$ 2,99 por cota e absorveu o impacto sem que as distribuições fossem cortadas. Com a troca para GENIAL INVESTIM, o risco específico ligado à provisão do MAGOPPF foi encerrado. A perda de R$ 5,9 milhões pesou no VP; a distribuição, que depende do resultado de caixa, não foi afetada.

A rotação de CRIs: o que saiu e o que entrou

O Informe Q2 também mostra um giro relevante na carteira de CRIs. Cinco posições que constavam no Q1 não aparecem mais no Q2, e quatro novas entraram — incluindo duas de grande porte.

Saíram (presentes no Q1)Valor no Q1
HABITASEC 24E1394847R$ 20,04M
VIRGO 24K0003802R$ 15,66M
OPEA 23F0046476R$ 7,79M
OPEA 20K0777893 (era Tibério Inc)R$ 4,80M
TRUE 22J0020689R$ 2,24M
Entraram (novas no Q2)Valor no Q2
CANAL 26E3886906R$ 19.727.735
COMPANHIA PROVINCIA 25J2931803R$ 19.582.417
ROCK 25J3005313R$ 8.735.959
OPEA 26C4869290R$ 4.962.775

As duas maiores entradas — CANAL (R$ 19,7M) e COMPANHIA PROVINCIA (R$ 19,6M) — respondem por quase R$ 40 milhões de novas alocações. As posições estruturais da carteira seguiram entre os destaques: HSI (Retrofit Leblon, IPCA+12,44%) em R$ 26,65M como maior posição; Órigo (geração distribuída, IPCA+9,47%) em R$ 22,31M; Salas (incorporação em MT, IPCA+13,32%) em R$ 21,52M; Lotisa (incorporação em SC, CDI+2,50%) em R$ 20,08M; e CashMe III (home equity Cyrela, IPCA+8,75%) em R$ 20,03M.

Liquidez: o caixa quase dobrou

A posição de liquidez do fundo — dinheiro em conta mais títulos públicos, que são o "caixa" mais líquido de um FII — saltou entre os trimestres. Em março, eram R$ 24.745 em disponibilidades mais R$ 16.689.375 em títulos públicos, totalizando R$ 16,7 milhões. Em junho, subiu para R$ 168.633 mais R$ 31.996.275, chegando a R$ 32,2 milhões — uma alta de 93%.

Um caixa quase dobrado pode significar coisas diferentes: recursos aguardando novas alocações (pré-alocação para CRIs que ainda serão contratados) ou uma postura mais defensiva, mantendo liquidez à mão. O Informe Trimestral, por si, não detalha a intenção — isso costuma aparecer nos relatórios gerenciais mensais, com a composição e os comentários do gestor.

O semestre H1/2026 fechado

Somando os dois trimestres, o resultado acumulado no primeiro semestre de 2026 foi de R$ 24.876.750. Por lei, FIIs precisam distribuir ao menos 95% do resultado de caixa apurado no semestre — é o chamado payout obrigatório (a fração do resultado que é repassada aos cotistas). O fundo declarou 95%, o equivalente a R$ 23.632.913, ou R$ 6,127 por cota no semestre.

Desse total, R$ 19.865.399 já haviam sido pagos antecipadamente ao longo do trimestre, restando R$ 3.767.514 a distribuir. Em resumo: dos R$ 24,9M gerados no semestre, R$ 23,6M foram declarados aos cotistas, a maior parte já foi paga e o remanescente segue programado.

Os números do H1/2026 em resumo

  • Resultado acumulado no semestre: R$ 24.876.750
  • 95% declarado para distribuição: R$ 23.632.913 (R$ 6,127/cota)
  • Já pago antecipadamente: R$ 19.865.399
  • Remanescente a pagar: R$ 3.767.514
  • VP/cota (jun/2026): R$ 99,50 — cotação R$ 89,54 — P/VP 0,90

O P/VP (preço sobre valor patrimonial) de 0,90 indica que a cota negociava em bolsa cerca de 10% abaixo do valor patrimonial de junho. É um dado de contexto de mercado, não uma recomendação.

O que acompanhar daqui pra frente

Três frentes ajudam a ler os próximos capítulos deste FII: (1) como o fundo vai realocar o caixa de R$ 32,2M — se entra em novos CRIs, quais indexadores e taxas, ou se a liquidez permanece elevada; (2) os próximos relatórios gerenciais mensais, que trazem a composição detalhada da carteira e os comentários do gestor sobre as trocas do trimestre; e (3) o DPS (dividendo por cota) dos próximos meses, para verificar se o patamar de geração recorrente — cerca de R$ 1,02 por cota ao mês, excluído o ganho de venda não recorrente — se confirma.

Onde aprofundar