A queda do ITUB4 esta semana não saiu do balanço — saiu das urnas. A ação acumula -19,69% desde o segundo turno das eleições junto com um Ibovespa que perdeu 18,12% no período, e hoje à noite o banco publica o resultado do terceiro trimestre de 2026 com projeções que não foram afetadas pelo choque político.
Por que a ação ITUB4 está caindo?
A ação ITUB4 está caindo porque o mercado brasileiro inteiro caiu depois do segundo turno das eleições. Não há notícia negativa específica sobre o Itaú: a queda de 19,69% na semana acompanha o movimento do Ibovespa, que perdeu 18,12% no mesmo período. A pressão, no entanto, não foi distribuída da mesma forma entre as grandes ações do mercado:
A Vale (VALE3) destoou do grupo com leve alta de 0,24% na semana — um ativo que depende principalmente do cenário externo e da demanda chinesa, menos suscetível a choques políticos domésticos. O Banco do Brasil caiu quase o dobro do que o Itaú por razões estruturais: o BBAS3 é um banco estatal, diretamente exposto ao risco de interferência governamental na política de crédito e de dividendos. Essa exposição amplifica a reação vendedora quando um novo governo começa. O Itaú é privado, com gestão autônoma, e isso historicamente age como amortecedor nesse tipo de choque.
A cotação da ação ITUB4 encerrou a sessão desta terça-feira a R$ 38,52, com variação de -0,40% no dia — uma estabilização depois da semana turbulenta. O grosso do movimento de venda já aconteceu; o que vem agora depende do que o balanço desta noite vai mostrar.
O que o Itaú vai divulgar no balanço do 3T26?
O Itaú Unibanco publica hoje, após o fechamento do mercado, o resultado do terceiro trimestre de 2026. As projeções compiladas pela LSEG apontam para lucro líquido de R$ 12,6 bilhões e receita de R$ 48,3 bilhões no período.
Consenso LSEG para o 3T26
Retorno sobre patrimônio líquido
Sobre o 3T25, estimativa Bradesco BBI
O Bradesco BBI projeta R$ 12,5 bilhões — praticamente estável na comparação com o trimestre anterior, mas com crescimento de 12% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo os analistas do BBI, o resultado seria sustentado por expansão moderada da carteira de crédito, melhora nas receitas de tesouraria e inadimplência dentro dos níveis esperados; o ponto de atenção são as receitas com serviços, que podem apresentar alguma pressão. O Goldman Sachs segue com visão de que o Itaú é o banco mais bem posicionado do setor, mesmo diante do cenário de crédito mais seletivo que marcou o terceiro trimestre.
Um resultado sólido hoje reverte a queda do ITUB4?
Não automaticamente — mas serve de âncora. O balanço desta noite responde à pergunta que o choque eleitoral impediu o mercado de calcular: os fundamentos do Itaú resistiram ao ambiente adverso, ou as projeções de setembro já não se sustentam?
Se o lucro confirmar os R$ 12,6 bilhões e o ROE se mantiver acima de 23,3%, o mercado passa a ter um número concreto para avaliar o preço atual de R$ 38,52. A queda de quase 20% na semana já desconta uma parcela relevante do risco político; um resultado forte estreita a distância entre o preço de hoje e o que as casas de análise enxergam como valor justo. O banco ainda tem o calendário de JCP do quarto trimestre à frente — o Itaú divulgou em outubro as regras para o novo JCP, e esse retorno ao cotista não foi cancelado pelo cenário eleitoral.
Se os números decepcionarem — particularmente se a inadimplência surpreender para cima ou as receitas de tesouraria ficarem muito abaixo do esperado —, o mercado vai interpretar que o choque eleitoral chegou mais cedo aos fundamentos do que as casas projetavam. Esse seria o gatilho para uma nova onda vendedora. Mas o consenso antes do resultado não aponta para esse cenário: as projeções do BBI e da LSEG foram construídas em ambiente de crédito seletivo e já embutem cautela.
O Itaú funciona como termômetro do setor bancário privado brasileiro. O que o banco mostrar hoje em inadimplência, margem financeira e qualidade de crédito vai calibrar a leitura do mercado sobre o quanto o choque político de outubro realmente contaminou os balanços do setor — não só o do Itaú, mas o de todos os bancos privados que ainda publicam resultados nesta temporada.
A queda da semana foi de mercado, não do banco — mas o balanço desta noite é o primeiro número real do Itaú no novo cenário político. Se lucro e inadimplência confirmarem as projeções, o papel terá fundamento para reagir; se decepcionar, a queda pode continuar. Não há o que fazer antes do resultado sair: a decisão de comprar mais, reduzir posição ou manter começa a ser calculada com os números em mãos, não antes.
Lucro abaixo de R$ 12,3 bi — sinaliza que as projeções pré-eleição já não se sustentam; reavalie a tese de curto prazo e verifique o que o banco vai dizer sobre inadimplência e carteira de crédito no call com analistas.
Inadimplência acima do padrão histórico do banco — o Itaú publica o índice de provisões junto com o resultado; alta fora do esperado sinaliza deterioração que o mercado ainda não precificou na cotação de R$ 38,52.
Resultado acima de R$ 12,6 bi com ROE ≥ 23,3% — base para a retomada; acompanhe se as casas de análise revisam o preço-alvo nos dias seguintes à divulgação, o que vai ditar a força de uma eventual recuperação.