Por que o USIM5 está caindo: balanço do 3T26 abaixo do esperado derruba ação 7,86%
INTERMEDIÁRIO PTENES

Lucro da Usiminas frustra o mercado e USIM5 despenca — veja o que pesou no balanço do 3T26

O consenso projetava R$ 300 milhões, mas a queda de 18% no volume de minério comprimiu o EBITDA para R$ 558 milhões.

O balanço do 3T26 das ações da Usiminas (USIM5) é a resposta. A empresa entregou lucro de R$ 243 milhões — uma virada real ante o prejuízo de R$ 3,5 bilhões no mesmo trimestre do ano passado —, mas o mercado esperava R$ 300 milhões. A diferença de R$ 57 milhões, somada ao rebaixamento da InvesTalk no mesmo dia, foi suficiente para a ação cair 7,86% no pregão desta sexta-feira.

Por que o USIM5 está caindo hoje?

Quando um resultado vem abaixo do consenso, o mercado pune antes de ler os detalhes. O consenso de analistas (IBES) projetava lucro líquido de R$ 300,11 milhões para a ação USIM5 no 3T26. A Usiminas entregou menos.

Consenso esperavaR$ 300 miestimativa IBES
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Resultado veioR$ 243 mi3T26 divulgado em 30/10

O papel abriu em alta — chegou a R$ 5,37 na máxima do pregão — e reverteu para a mínima de R$ 5,03, saindo de R$ 5,47 no fechamento anterior. Volume financeiro de R$ 123,2 milhões confirma que a saída foi real, não ruído de baixa liquidez. Dias assim, com volume acima da média e queda expressiva, tendem a refletir convicção dos vendedores.

O que o balanço do 3T26 revelou: cada linha conta uma parte da história

Indicador 3T26 2T26 Variação
Receita líquida R$ 6.202 mi R$ 6.131 mi +1%
EBITDA ajustado R$ 558 mi R$ 761 mi -27%
Lucro líquido R$ 243 mi R$ 428 mi -43%
Caixa e aplicações R$ 6.747 mi R$ 6.823 mi -1%
Volume vendas minério (mil t) 2.014 2.469 -18%

A receita mal se mexeu entre os dois trimestres (+1%), o que torna a compressão do EBITDA — de R$ 761 milhões para R$ 558 milhões — ainda mais reveladora. Quando a receita fica estável e a margem cai nessa proporção, o problema está nos custos ou no mix de produtos: a empresa vendeu quase o mesmo em valor, mas ficou com muito menos no bolso. A linha do caixa é o único dado tranquilizador: R$ 6,7 bilhões, quase intacto em relação ao trimestre anterior e 12% acima de um ano atrás.

O que puxou o EBITDA para baixo: a mineração perdeu volume e a siderurgia perdeu tração

O volume de vendas de minério de ferro recuou de 2.469 para 2.014 mil toneladas entre o 2T26 e o 3T26 — uma queda de 18%. Em comparação com o 3T25, o recuo chega a 20%. A mineração é uma das pernas do negócio da Usiminas: quando ela entrega menos volume, o mix piora mesmo que o aço mantenha a receita. A InvesTalk sintetizou no título da nota de rebaixamento: "mineração pressiona o resultado e siderurgia perde tração". As duas divisões puxaram juntas na direção contrária ao que o mercado esperava.

O efeito se lê na tabela acima: receita de R$ 6,2 bilhões quase igual ao 2T26, mas margens despencando. Para o investidor, esse padrão é mais preocupante do que uma queda de receita pura e simples — porque sugere que o problema não é cíclico de demanda, mas de custo ou eficiência que pode persistir.

O rebaixamento da InvesTalk — e o que o setor mostra ao redor

O InvesTalk rebaixou USIM5 para Neutra no mesmo dia do balanço, citando perspectiva negativa para o quarto trimestre. Não foi o primeiro sinal. Em setembro, o Safra já havia cortado o preço-alvo de USIM5 e alertado para o descolamento entre preço e fundamentos. A tese de ambas as casas converge: os resultados operacionais estão piorando mais rápido do que o preço da ação tinha precificado.

O setor inteiro recuou no pregão desta sexta-feira — Ibovespa caiu 2,07% —, mas a Usiminas liderou as perdas na siderurgia. USIM3 recuou 8,18%, PMAM3 perdeu 7,69% e CSNA3 caiu 6,35%, enquanto TUPY3 (-2,80%) e FESA4 (-2,72%) ficaram mais próximas do índice. O fato de USIM5 e USIM3 liderarem as perdas do setor — ambas ligadas diretamente ao balanço da Usiminas — confirma que a queda não foi arrastada pelo mercado: o resultado foi o gatilho.

Há ainda um fator estrutural em aberto: em agosto, a Ternium sinalizou intenção de fechar o capital da Usiminas. Se esse processo se formalizar numa oferta pública de aquisição, o preço da oferta passa a ancorar o papel de forma diferente — sobrepondo-se aos fundamentos trimestrais. Por ora, o resultado do 3T26 é o que manda.

O que acompanhar daqui para frente

1

Resultado do 4T26 (fevereiro de 2027) — Tanto o InvesTalk quanto o InfoMoney sinalizaram perspectiva negativa para o próximo trimestre. O que mudaria a avaliação seria o EBITDA se recuperando em direção ao nível do 2T26 (R$ 761 milhões) e o volume de minério voltando ao patamar anterior (2.469 mil toneladas). Sem isso, a tendência de revisão de recomendações continua.

2

Novos relatórios pós-balanço nas próximas sessões — Com InvesTalk e Safra já com visão negativa, outros relatórios publicados nos próximos dias podem ampliar o fluxo vendedor. O preço de abertura na segunda-feira dará o tom da reação do mercado institucional.

3

Volume de minério no 4T26 — A queda de 2.469 para 2.014 mil toneladas foi o principal driver da compressão de margem. Qualquer comunicado da empresa sobre volume esperado para o próximo trimestre é o dado a acompanhar antes do resultado.

4

Movimentação da Ternium — Se a intenção de fechar o capital da Usiminas avançar para um comunicado formal de OPA, o cenário muda de forma estrutural. Qualquer fato relevante nessa direção superpõe-se ao resultado trimestral como fator de preço.