Petróleo Brent cai com negociação entre EUA e Irã, diz mercado Relevância2,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

Acordo entre Estados Unidos e Irã derruba o petróleo Brent e alivia juros futuros no Brasil

O Brent fechou cotado a US$ 97,44 com variação negativa de -8,59%, enquanto o Ibovespa recuou pressionado por Petrobras.

Por que o petróleo caiu?

O recuo nos preços do petróleo foi impulsionado pela expectativa de que os Estados Unidos e o Irã possam chegar a um acordo de paz, segundo dados de mercado compilados pelo Mercado Hoje. O movimento diplomático entre Washington e Teerã trouxe otimismo para o cenário de oferta global da commodity, o que gerou uma desvalorização expressiva ao longo da semana. O petróleo Brent registrou forte recuo na semana, fechando cotado a US$ 97,44 após acumular perdas, com uma variação negativa de -8,59% no dia da rodada de fechamento do Mercado Hoje. Em outra sessão de negociação reportada pela Reuters, os contratos futuros do Brent recuaram 2,1%, encerrando a US$ 104,32 o barril, após oscilarem na faixa dos US$ 104 no fim de tarde. Esse recuo ocorreu mesmo com a continuidade de ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, que ainda ameaçam o fornecimento global, mostrando que o peso das negociações diplomáticas falou mais alto para os agentes financeiros.

Petróleo Brent (Mercado Hoje) US$ 97,44 Queda de -8,59% no dia
Ibovespa 183.476,86 pts Recuo de 0,25% na sexta
DI Janeiro 2028 13,645% Queda de 2 pontos-base

Como a queda do petróleo afeta a inflação e os juros?

A desvalorização da commodity alivia a pressão inflacionária global e ajuda a reduzir os rendimentos dos títulos públicos, conforme apontam analistas de mercado. O alívio nos preços do petróleo ajudou a acomodar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). O rendimento do Treasury de 10 anos, que chegou a marcar a máxima de 5,2297% ao longo do dia, recuou para 5,1625% no final da sessão, aproximando-se do fechamento anterior de 5,162%. No mercado doméstico brasileiro, esse alívio externo contribuiu para a queda das taxas dos juros futuros (DIs). A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,645%, registrando uma baixa de 2 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 13,667%. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 recuou 7 pontos-base, fechando a 13,98% contra 14,054% do ajuste anterior. Esse recuo dos juros futuros ocorreu mesmo diante de pressões inflacionárias locais, como a aceleração do IPCA-15 de setembro, que subiu 0,7% de forma disseminada, superando as expectativas e reduzindo a margem para cortes de juros pelo Banco Central.

Qual foi o impacto nas bolsas de Nova York?

As bolsas de Nova York fecharam em alta na sexta-feira e acumularam ganhos na semana, impulsionadas pelo alívio nos Treasuries e pelo otimismo com tecnologia, segundo dados das bolsas americanas. O recuo mais intenso do petróleo acalmou os temores inflacionários e abriu espaço para a valorização das ações em Wall Street. O índice Dow Jones subiu 0,93% no dia, fechando aos 51.828,62 pontos, com ganho semanal de 0,28%. O S&P 500 avançou 0,51%, encerrando a 7.743,41 pontos, acumulando alta de 1,22% na semana. Já o Nasdaq subiu 0,48%, fechando a 27.068,72 pontos, com valorização de 2,06% no acumulado semanal. O setor de tecnologia liderou os ganhos, impulsionado pela inteligência artificial: a Microsoft subiu 3,66% após anunciar novas capacidades para o Copilot, e a Akamai Technologies se destacou após fechar um acordo de longo prazo com a Anthropic. O setor bancário também acompanhou o movimento positivo, com JP Morgan e Goldman Sachs registrando altas superiores a 1% cada.

Por que o Ibovespa caiu apesar do otimismo externo?

O Ibovespa fechou em queda de 0,25% na sexta-feira, cotado a 183.476,86 pontos, pressionado diretamente pela desvalorização das ações da Petrobras, segundo dados da B3. A queda do petróleo Brent no mercado internacional retirou fluxo de recursos das grandes exportadoras de commodities na bolsa brasileira, gerando realização de lucros em papéis como Petrobras (PETR3, PETR4). Na semana, o índice de referência acumulou um declínio de 0,95%, com um volume financeiro de R$ 23,99 bilhões na sexta-feira. O Ibovespa chegou a trabalhar na mínima de 182.151,01 pontos ao longo do dia, mas a melhora do cenário externo e o viés positivo em Wall Street ajudaram a afastar o índice das mínimas, alcançando a máxima de 184.214,48 pontos. Além do fator commodities, o mercado doméstico repercutiu a pesquisa Datafolha que mostrou a disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, além do IPCA-15 acima do esperado. Do lado das altas, as ações da Azzas (AZZA3) saltaram 13% e lideraram os ganhos do Ibovespa, impulsionadas pelas notícias sobre a proximidade da venda da Farm Rio.

O que o investidor deve acompanhar daqui para frente?

O investidor pessoa física deve monitorar de perto os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e a trajetória da inflação doméstica, que continuam ditando o rumo dos ativos. A possibilidade de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã pode consolidar um patamar mais baixo para o petróleo Brent, o que favorece o controle da inflação global e abre espaço para a queda dos juros de longo prazo nos Estados Unidos e no Brasil. No entanto, para quem investe em ações brasileiras, esse cenário exige cautela redobrada com empresas ligadas a commodities, que perdem força de receita com o barril mais barato. O investidor também precisa ficar atento à condução da política monetária pelo Banco Central brasileiro, uma vez que a inflação medida pelo IPCA-15 de 0,7% mostra que a pressão de preços continua disseminada, o que pode limitar novos cortes na taxa Selic e manter os juros futuros em patamares elevados por mais tempo.