A Alupar não cortou o dividendo. O conselho aprovou R$ 0,21 por unit da ALUP11 referente ao 3T26, o mesmo valor dos dois trimestres anteriores, apesar de um lucro que despencou na comparação anual. Essa queda vem quase toda de um ganho não recorrente que inflou o terceiro trimestre de 2025, e não de uma piora no negócio de transmissão.
Quanto a ALUP11 vai pagar de dividendos no 3T26?
São R$ 0,21 por unit, ou R$ 0,07 por ação ON (ALUP3) e PN (ALUP4). O Conselho de Administração aprovou, em 5 de novembro de 2026, dividendos intercalares de R$ 69,2 mi. Têm direito os acionistas inscritos até 12 de novembro, e as ações passam a ser negociadas sem direito ao provento (ex-dividendos) a partir de 13 de novembro. O pagamento ocorrerá em até 60 dias da aprovação. Pela nossa conta, isso põe o dinheiro na conta até 4 de janeiro de 2027, no máximo. A data exata ainda não foi divulgada.
Data-com em 12/11: quem tiver a unit no fechamento desse pregão recebe os R$ 0,21Dividendos intercalares aprovados pela Alupar em 05/11/2026
O valor repete o padrão do ano. O valor por unit é o mesmo do trimestre anterior. Em agosto, a empresa aprovou outros R$ 69,2 milhões referentes ao 2T26, e em julho houve pagamento do mesmo valor. Para o cotista, a novidade é a ausência de surpresa: o balanço trouxe a manchete de lucro em queda e o provento não acompanhou. Mas por que o lucro caiu tanto?
Por que o lucro da Alupar caiu 72,7% se o dividendo não mudou?
A explicação está na base de comparação. A Alupar informou lucro atribuído aos controladores de R$ 133,5 milhões, contra R$ 489,4 milhões do mesmo período de 2025. Só que aquele trimestre de 2025 carregava um evento de uma vez só: o 3T25 teve efeito não recorrente de R$ 1.009,1 mi no resultado da TNE, ligado à arbitragem e ao reequilíbrio da concessão. TNE é a transmissora que liga Manaus a Boa Vista. No 3T26, a TNE registrou lucro de R$ 9,6 mi.
O balanço regulatório, que tira da conta efeitos contábeis do IFRS e mostra o caixa da concessão, conta outra história. A tabela compara os dois critérios:
| Indicador 3T26 | Societário (IFRS) | Regulatório |
|---|---|---|
| Lucro dos acionistas | R$ 133,5 mi (−72,7%) | R$ 214,2 mi (−2,6%) |
| Receita líquida | R$ 1,18 bi (+22,1%) | R$ 980,3 mi (+9,2%) |
| Ebitda | R$ 527,3 mi (−46,4%) | R$ 773,2 mi (+4,0%) |
No regulatório, o lucro líquido da Alupar foi de R$ 214,2 mi, queda de 2,6% ante os R$ 219,8 mi do 3T25. Receita e Ebitda cresceram nesse critério, puxados por reajustes de receita anual permitida (RAP) e pela entrada de novos ativos. Também ajudou o lado financeiro: o resultado financeiro ficou negativo em R$ 180,7 milhões, ante R$ 212,6 milhões negativos um ano antes. As despesas com imposto de renda e contribuição social somaram R$ 81,6 milhões, contra R$ 191,8 milhões no terceiro trimestre de 2025.
O tombo é contábil, não operacional. Isso também explica a reação morna da unit, que já tinha andado sozinha antes: em outubro ela chegou a subir forte, como mostramos na alta da ALUP11 sem fato relevante na CVM. Fica a pergunta de bolso: quanto esse provento rende?
Quanto rende o dividendo da ALUP11 e quantas vezes por ano ela paga?
Pela cotação de R$ 33,12 citada pelo Investidor10 no fim de outubro, os R$ 0,21 rendem cerca de 0,63% no trimestre. Se a Alupar repetir o valor por quatro trimestres, a conta vai a R$ 0,84 por ano, perto de 2,5% de dividend yield (estimativa nossa, não promessa da empresa). O provento consome cerca de 52% do lucro societário do trimestre (69,2 ÷ 133,5) e só 32% do lucro regulatório (69,2 ÷ 214,2). Ou seja, não foi esticado para caber.
A ALUP11 não paga todo mês. Hoje a empresa distribui intercalares trimestrais, e, segundo o Investidor10, nos últimos 12 meses os pagamentos caíram em janeiro, abril, junho, julho e outubro totalizando R$ 0,94. Quem busca renda mensal precisa olhar para FIIs. A tese da Alupar é outra: crescer a base de concessões e reinvestir.
Esse reinvestimento é justamente o que segura o dividendo num patamar modesto. Segundo o Cenário Energia, a companhia soma R$ 10,4 bilhões em investimentos em 15 projetos no Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O endividamento acompanha: a dívida líquida regulatória da Alupar encerrou setembro em R$ 9,70 bilhões. A relação entre dívida líquida e EBITDA ficou em 3,2 vezes. O leilão no Chile, que detalhamos na análise de o que a disputa de US$ 85 milhões muda na unit, entra nessa fila de capex. Enquanto as obras não viram receita, o espaço para aumentar o provento é pequeno.
E a dúvida clássica, ALUP11 ou ALUP3? A unit é um pacote: R$ 0,21 por unit (ALUP11), composta por uma ação ordinária e duas preferenciais. Cada ação recebe os mesmos R$ 0,07, então a escolha não muda o dividendo por real investido. O que pesa é a liquidez, e a unit costuma concentrar a maior parte dos negócios.
E os outros três balanços do pacote?
Moura Dubeux, Wiz Co e Lojas Quero-Quero publicaram seus números na mesma leva. A ação MDNE3 foi a única com lucro em alta firme. A ação WIZC3 veio no zero a zero na controladora, e a ação LJQQ3 aprofundou o prejuízo.
Lucro 27,7% maior no ano, mas 13,7% menor que no 2T26.
Lucro da controladora 2,3% menor no ano e 1% maior no trimestre.
Prejuízo maior que os −R$ 42,1 mi do 3T25.
Na Moura Dubeux, a receita cresceu, mas há sinais amarelos. O lucro bruto foi de R$ 258,5 mi, alta de 14,3%, com margem bruta de 36,5% (41,3% no 3T25). Além disso, as vendas e adesões líquidas foram de R$ 841,5 mi, queda de 21,5%. Vendas menores hoje viram receita menor adiante, o mesmo dilema de ritmo comercial que apareceu na pressão de estoque e margem da EZTC3.
Na Wiz, a diferença entre os dois lucros importa. O lucro consolidado somou R$ 75,9 milhões, queda de 25,3% na comparação anual, porque inclui 100% de parcerias em que a Wiz é sócia minoritária. O lucro da controladora, que é o que pertence ao acionista, ficou estável. O ponto de virada é a venda da fatia na Inter Seguros. Segundo a Visno Invest, a Wiz Co assinou contrato com o Banco Inter para vender sua participação de 39,75% na Inter Seguros por R$ 409,5 mi. Isso reforça o caixa, mas tira do grupo um dos negócios que mais cresciam.
Na Quero-Quero, a operação cresce sem virar lucro: a receita operacional líquida cresceu 7,9%, para R$ 750,4 milhões, enquanto o lucro bruto avançou 2%, para R$ 230 milhões. No ano, o prejuízo líquido das Lojas Quero-Quero subiu 34%, atingindo R$ 159,8 milhões.
Vale a pena segurar a ALUP11 depois do 3T26?
O balanço não muda a tese, e isso é a boa notícia para quem já tem a unit. Pesando os dois lados:
- O dividendo por unit foi mantido pelo terceiro trimestre seguido, com payout folgado sobre o lucro regulatório.
- O lucro regulatório ficou praticamente estável, e receita e Ebitda regulatórios cresceram com reajuste de RAP e ativos novos.
- A despesa financeira líquida caiu na comparação anual, mesmo com a Selic alta.
- Dívida de 3,2 vezes o Ebitda e um programa de capex bilionário limitam aumentos de dividendo até os projetos entrarem em operação.
- O yield anualizado, perto de 2,5% pela nossa estimativa, perde para a renda fixa pós-fixada. Quem compra ALUP11 aposta no crescimento das concessões, não na renda imediata.
- A data exata de pagamento ainda não foi informada. Vale acompanhar o aviso aos acionistas até o início de janeiro.
Quem quer o provento precisa estar posicionado no fechamento de 12/11. Depois disso, a unit passa a ser negociada sem o direito, e o preço tende a abrir descontado do valor do dividendo.