A Smart Fit informou à CVM, na noite de 04/11/2026, um lucro líquido de R$ 255,3 milhões no terceiro trimestre, sobre uma receita líquida de R$ 2.348,7 milhões. Para quem tem a ação SMFT3 os números são bons; a dúvida que fica é o que o endividamento está fazendo por trás desse ritmo de crescimento.
SMFT3 o que aconteceu: a Smart Fit divulgou o balanço do 3T26?
Sim. A Smart Fit (ação SMFT3) entregou à CVM, em 04/11/2026, às 19h18, o release de resultados do 3T26. Se você chegou aqui porque não achou o código ou ficou na dúvida se a ação "sumiu", o documento é de resultados: nenhum dos trechos que analisamos trata de suspensão, extinção ou troca de código. O que o mercado tem para digerir é o balanço.
A base do crescimento, segundo a empresa, é a rede: 2.259 academias em 17 países, contra 1.867 no 3T25 (alta de 21%) e 2.170 no 2T26. Foram 392 unidades abertas em 12 meses, um recorde segundo a companhia: 349 da marca Smart Fit, 30 da Evolve e 13 da Bio Ritmo e outras. A Evolve entra na conta depois da aquisição concluída em agosto de 2026. Os estúdios BeOn fecharam o trimestre com 336 salas, 41% a mais que um ano antes.
De onde veio o crescimento da receita?
A receita avançou 29% sobre o 3T25 e 8% sobre o 2T26. Pelo release, três frentes puxaram: as academias próprias da Smart Fit (+26%), a linha "Outras" (+50%) e "Bio Ritmo e outras" (+40%). "Outras" reúne royalties de franquias, TotalPass, Queima Diária, BeOn Studios e, no México, FitMaster e TotalPass México. É o lado do negócio que não depende de abrir mais uma loja.
| R$ milhões (sem IFRS-16) | 3T26 | 3T25 | 2T26 | 3T26 vs 3T25 |
|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 2.349 | 1.824 | 2.177 | +29% |
| Lucro bruto caixa | 1.205 | 906 | 1.131 | +33% |
| EBITDA ajustado | 763 | 586 | 712 | +30% |
| Lucro líquido recorrente | 248 | 177 | 204 | +40% |
Quanto mais abaixo na tabela, maior a alta. Por que o lucro cresce mais que a receita?
Por que o lucro cresceu mais que a receita?
Em parte, porque a margem subiu e a mistura de negócios mudou. O lucro bruto caixa teve margem de 51,3%, contra 49,6% no 3T25. A empresa atribui isso a três fatores: "Outras" já responde por 17% do lucro bruto caixa (eram 10%), as academias maduras operam com margem bruta caixa de 50%, e as unidades abertas nos últimos anos seguem em maturação.
Já a margem do EBITDA ajustado mal se mexeu: 32,5%, contra 32,1% um ano antes. O EBITDA cresceu 30% e o lucro recorrente, 40%, então o descolamento se forma abaixo do EBITDA, em linhas que o trecho do release a que tivemos acesso não detalha. Também vale um registro de honestidade: contra o 2T26, a margem bruta caixa recuou de 51,9% para 51,3% e a do EBITDA, de 32,7% para 32,5%. O avanço de 8% na receita do trimestre veio de volume, não de margem.
O lucro líquido de R$ 255,3 milhões é maior que o recorrente, de R$ 247,7 milhões. O release exclui do recorrente os efeitos não recorrentes de aquisições e, do EBITDA ajustado, um ganho de R$ 9,7 milhões com a reavaliação da participação na TotalPass México. As despesas financeiras não recorrentes, ligadas ao pré-pagamento de dívidas, foram de R$ 0,8 milhão no 3T26 (após impostos), contra R$ 21,1 milhões no 2T26. Em 12 meses, a Smart Fit informa EBITDA ajustado de R$ 2,8 bilhões, geração de caixa operacional de R$ 2,4 bilhões (conversão de 88%) e lucro recorrente de R$ 893 milhões.
Crescimento assim é bom. Mas quem paga por ele?
E a dívida? Aí o quadro pede cuidado
O release traz dívida líquida ajustada final de R$ 4.991,5 milhões. A linha transcrita no trecho que temos mostra também 3.397,9 e 4.613,7, sem os rótulos das colunas. Se a ordem seguir a das outras tabelas (3T26, 3T25 e 2T26), a dívida subiu cerca de 47% em 12 meses e 8% no trimestre, contra 29% de receita. Trate isso como leitura provável, não como dado confirmado: a alavancagem completa está em outra seção do documento.
O contexto ajuda a entender o movimento. A empresa fechou a compra da Evolve em agosto, anunciou a compra de até 20% do Buddha Wellness Group Brasil, com opção de mais 10%, como mostramos na análise da entrada da Smart Fit no Buddha Spa, e abriu 392 academias em um ano. Ao mesmo tempo, mexeu no passivo: o release cita pré-pagamento de notas comerciais, da 7ª e da 9ª emissões e a troca (exchange) da 8ª. Crescer com aquisições e abertura de lojas consome caixa, e a questão é se o EBITDA acompanha a dívida.
O que pesa a favor e contra a tese
- Lucro e receita crescendo acima da rede de academias, com margem bruta caixa em alta sobre um ano antes.
- Geração de caixa operacional de R$ 2,4 bilhões em 12 meses, com conversão de 88% do EBITDA.
- Diversificação: a linha "Outras" já responde por 17% do lucro bruto caixa, contra 10% no 3T25.
- Dívida líquida ajustada de R$ 4.991,5 milhões, que cresce mais rápido que a receita se a leitura das colunas estiver certa.
- Ritmo de maturação das academias abertas nos últimos 12 meses: 392 unidades novas ainda precisam atingir a margem das maduras.
- Inflação e custos de manutenção das unidades, listados como risco, e margens um pouco menores que as do 2T26.
O que isso muda para quem tem SMFT3?
O balanço reforça a tese de crescimento, com lucro e margem melhores, e não traz nada que obrigue a agir hoje. A ressalva é a conta da dívida: o que sustenta o preço daqui para frente é o EBITDA crescendo mais que o passivo. A última cotação que temos, de 27/10/2026, é anterior ao balanço: R$ 16,89, com queda de 34,13% em 12 meses. A reação ao resultado não consta nas nossas fontes. A nota de qualidade do Rico aos Poucos para a empresa é 5,8 de 10; para ver a cotação, dividendos e documentos da empresa, a página da ação reúne tudo. E se a oscilação recente te surpreendeu, vale rever como a ação reagiu quando disparou em uma sessão depois das eleições.