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INTERMEDIÁRIO PTENES

Treasuries de 10 anos recuam e mudam as apostas para o Fed — como a inflação branda nos EUA altera os rumos dos juros?

Chance de manutenção da taxa em outubro sobe para 60,7% após dados do PCE virem abaixo das projeções de mercado.

Por que os Treasuries de 10 anos recuaram nos Estados Unidos?

Segundo compilação do portal InfoMoney e dados do boletim de mercado compilado pela redação, o rendimento dos títulos de 10 anos do governo americano registrou queda expressiva, acompanhado pela cotação do US10Y na rodada a 5,22, com variação no dia de -1,42%. O movimento decorre de um alívio nas projeções de aperto monetário nos Estados Unidos, sustentado por dados de inflação mais brandos e por declarações cautelosas de dirigentes do Federal Reserve.

Esse comportamento dos juros de longo prazo reflete diretamente a percepção de que a economia americana começa a responder aos efeitos acumulados dos juros elevados. Com o rendimento dos títulos de 10 anos cedendo, o mercado internacional reavalia as posições em renda fixa global, alterando as expectativas de juros para o encerramento do ano corrente.

O que revelam os dados de inflação do PCE sobre a decisão de juros do Fed?

Conforme noticiado pelo InfoMoney, o índice de preços PCE subiu 3,4% nos 12 meses até agosto, repetindo a mesma taxa de julho em dado revisado para baixo pelo Escritório de Análise Econômica. Economistas consultados esperavam um avanço de 3,7% para o período, o que colocou a inflação efetiva abaixo das projeções consensuais de mercado.

Essa surpresa benigna aliviou a pressão imediata sobre o banco central dos Estados Unidos na véspera das eleições nacionais de novembro. Com isso, a plataforma FedWatch, do CME Group, apontou um avanço para 60,7% nas chances de manutenção da taxa de juros na reunião de outubro, contra 49,1% previstos na véspera, afastando a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual que era considerada na terça-feira (29).

Como as apostas do mercado mudaram para as reuniões de outubro e dezembro?

A mudança de expectativa alterou o cenário desenhado pelos participantes para o restante do ano. Caso prevaleça a manutenção da taxa de juros no encontro de outubro — que atualmente varia entre 3,75% e 4% —, a expectativa passou a ser de que o encerramento do ano traga a taxa situada entre 4,0% e 4,25%, com uma eventual alta de juros projetada apenas para o dia 9 de dezembro.

Essa reavaliação contrastou fortemente com o panorama do dia anterior, quando investidores consideravam altamente provável um ajuste imediato para o intervalo entre 4,0% e 4,25% já em outubro. A moderação nas apostas demonstra a sensibilidade do mercado diante de cada nova leitura de preços divulgada pelo governo.

Qual é a avaliação do Federal Reserve sobre os juros curtos e os rendimentos longos?

Em entrevista à Bloomberg TV destacada pelo InfoMoney, o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que ainda não sabe até onde os juros precisarão subir, enfatizando que o Fed fará o que for preciso para conduzir a inflação de volta à meta de 2%. Kashkari chamou atenção para a resiliência da economia americana e apontou uma grande distância entre as taxas de curto prazo e os rendimentos dos Treasuries de dois anos, cujo juro implícito para setembro situava-se pouco acima de 4%.

O dirigente pontuou que os mercados não são tímidos ao expressar suas visões e avaliou que a hesitação observada entre os investidores pode indicar que o aperto monetário em curso já produz efeitos reais sobre a economia. Contudo, advertiu que novas elevações de juros imporão pressões distintas sobre diferentes setores, a exemplo dos segmentos diretamente ligados à habitação.

O que o movimento dos Treasuries muda para a tese de investimento em ativos dolarizados?

No âmbito da nossa análise de alocação, o movimento de queda nos rendimentos valida a tese neutra para os títulos longos americanos, que seguem altamente dependentes dos próximos passos e comunicados do Federal Reserve. Para o investidor focado em renda fixa global, o recuo dos juros externos indica que o pico da curva pode ter ficado para trás, embora a volatilidade continue ditando o ritmo.

No tocante à taxa de câmbio, apesar do recuo pontual nos juros externos, o diferencial de taxas remanescente e a contínua busca de proteção por parte dos agentes econômicos sustentam o suporte para a moeda americana, mantendo alinhada a visão otimista para o dólar no horizonte de curto prazo.

Quais são os riscos no cenário externo e o impacto limitado no Brasil?

Analistas ouvidos pelo InfoMoney ponderam que, malgrado o alívio recente nos índices de preços, a inflação ainda permanece acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. Além disso, as pressões contínuas de demanda vindas de uma atividade econômica e de um mercado de trabalho aquecidos exigem cautela redobrada contra leituras excessivamente otimistas.

Para o investidor brasileiro, o recuo nos rendimentos dos títulos americanos de longo prazo ajuda a reduzir de forma marginal a pressão externa sobre as taxas de juros globais. No entanto, o prêmio de risco doméstico e a conjuntura fiscal interna continuam a limitar a transmissão desse alívio para os ativos locais, exigindo monitoramento constante dos desdobramentos macroeconômicos.