A ação VALE3 fechou a sexta-feira (6) em alta de 2,19%, a R$ 64,04, e foi um dos apoios do pregão em que o Ibovespa subiu 1,39% e encerrou três semanas seguidas de perdas, segundo Suno Notícias, InfoMoney e Money Times. Para quem tem a ação, é um alívio: o papel se afasta do fundo da faixa de 12 meses, mas a queda de outubro continua quase toda lá.
VALE3 cotação hoje: quanto a ação fechou e o que o gráfico mostra?
No último pregão antes deste domingo, a Vale terminou R$ 1,37 acima do fechamento de quinta. Abriu a R$ 62,60 e teve mínima de R$ 62,02, segundo a cotação reproduzida pelo Clubefii. No acompanhamento ao vivo do InfoMoney, a VALE3 chegou a renovar a máxima com +2,27%, a R$ 64,09. Fechar praticamente na máxima do dia indica que os compradores ficaram no comando até o fim do pregão.
Foi a segunda alta seguida: segundo o Money Times, a Vale foi na contramão do desempenho fraco do minério de ferro na China. Na semana, a conta é nossa: a ação saiu dos R$ 62,02 do fechamento de 30/10 e ganhou cerca de 3,3%, quase dez vezes mais que o Ibovespa, que encerrou a semana com valorização de 0,34% segundo a Suno (o Money Times registra 0,30%; a diferença é de fechamento de referência). O gráfico abaixo mostra por que esse alívio ainda é pequeno.
Se o minério não ajudou, a pergunta óbvia é de onde veio a força.
Por que a Vale subiu se o minério ficou parado?
Por causa do câmbio e do humor externo, não da commodity. Segundo o Money Times, o contrato mais negociado do minério em Dalian, para janeiro, subiu apenas 0,07%, a US$ 103,13 por tonelada. Já o dólar fez o trabalho: o Investidor10 aponta que a moeda bateu a máxima do ano, perto de R$ 5,50, e que a disparada do câmbio repercutiu no apetite pelas receitas altamente dolarizadas da mineradora. A Vale vende em dólar e paga boa parte dos custos em real; cada real a mais por dólar engorda a margem convertida. Esse mecanismo é o mesmo que detalhamos em nossa análise da Vale como ação exportadora.
O segundo motor veio de fora. O Money Times atribui a alta do índice à recuperação da tecnologia em Wall Street e a dados do mercado de trabalho dos EUA acima do esperado, num movimento de volta às ações cíclicas, como bancos, varejo e Vale. Como a Vale pesa cerca de 8% no Ibovespa, estimamos que ela respondeu por algo como 290 dos 2.307 pontos que o índice ganhou, mais ou menos um oitavo da alta do dia.
Há uma ressalva que pouca gente lê. Segundo profissionais ouvidos pelo Webitcoin, a alta foi em parte ajuste técnico, e o volume financeiro de aproximadamente R$ 23 bilhões ficou abaixo da média. Ou seja, a recuperação ainda não contou com uma entrada forte de dinheiro novo. A pergunta que fica: um dia como esse muda o que se sabe sobre a empresa? Não muda.
A recuperação muda a tese da VALE3?
Não muda: os fundamentos são os mesmos da semana passada, e eles pioraram no trimestre. Segundo o Investidor10, a Vale lucrou US$ 1,25 bilhão no 3T26, um tombo de 54%. O BTG registra EBITDA de US$ 3,5 bilhões, 20% menor que um ano antes, com preço realizado do minério de US$ 85,1 por tonelada. Os motivos (minério mais barato, frete, câmbio e custos) já estavam em nossa explicação de por que a ação vinha caindo. O alívio de sexta é de preço, não de resultado.
Na régua do valuation, a ação ficou mais cara, não mais barata. O preço justo do site, calculado em 01/11, é de R$ 56,47, com veredito de manter. No preço de sexta, a ação está cerca de 13% acima desse ponto. Como as técnicas de cálculo divergem muito entre si, a faixa pesa mais do que o número exato. No ano, porém, a VALE3 ainda perde: pela nossa conta, partindo da queda de 13,8% registrada em 30/10, o acumulado de 2026 está em torno de -11%, contra alta de 4,58% do Ibovespa, segundo o Monitor do Mercado.
- Dólar na máxima do ano favorece a receita em reais de uma exportadora pura.
- Guidance de 2026 mantido no 3T26, inclusive 335 a 345 Mt de minério de ferro, e avanço em cobre.
- Segunda alta seguida, com fechamento colado na máxima do dia.
- Minério estagnado em Dalian: a alta não teve apoio da commodity que gera a maior parte do resultado.
- Volume abaixo da média, sinal de pouca convicção dos compradores.
- Lucro do 3T26 pela metade e preço acima do preço justo calculado pelo site.
Para quem compra Vale pensando em renda, falta a pergunta que mais pesa no bolso.
VALE3 é uma boa ação e quanto rende em dividendos em 2026?
Rende menos do que rendia uma semana atrás, porque o preço subiu e o provento não mudou. Com R$ 5,61 por ação pagos em 12 meses, o dividend yield no fechamento de sexta cai para cerca de 8,8% (5,61 ÷ 64,04), abaixo dos 9,05% da nossa ficha. E a parte extra está descartada: como mostramos quando o CFO afastou o dividendo extraordinário em 2026, o que resta é o pagamento ordinário semestral.
O último foi de R$ 2,03 por ação (R$ 0,4620 de dividendo e R$ 1,5687 de JCP), pago em 02/09, referente ao 1º semestre. Em 2025, o anúncio do 2º semestre teve data-ex em 12/12. Se o calendário se repetir e o valor ficar parecido, o que é uma hipótese nossa e não promessa da empresa, quem compra hoje receberia algo como 3,2% do preço nesse pagamento. Com o lucro do 3T26 menor, há risco de o valor vir abaixo disso.
Se você já tem VALE3, a sexta melhorou o seu saldo, mas não o seu fluxo de renda: o próximo dividendo depende do caixa do 2º semestre, e esse caixa sofreu no 3T26. Se você pensa em comprar, entrou um pouco mais caro, com yield menor e sem extraordinário à vista. Um pregão sozinho não justifica correr nem vender.
O que vai dizer se a virada da Vale é real?
Três forças decidem a ação nas próximas semanas: o câmbio, a commodity e o ambiente doméstico. Segundo o Monitor do Mercado, o investidor espera a definição da equipe econômica e das medidas fiscais do próximo governo Lula. O preço do minério pode ser acompanhado na nossa página do minério de ferro hoje.
Suporte do gráfico: a mínima de sexta coincidiu com o fechamento de 30/10, em R$ 62,02. Fechar abaixo disso devolve a semana; perder os R$ 59,42 da mínima de 12 meses reabre a queda.
Minério em Dalian: a referência de sexta é US$ 103 por tonelada. Sem alta da commodity, a ação fica dependente do câmbio; abaixo de US$ 100, a pressão volta.
Dólar: acima de R$ 5,50, ajuda a margem; um recuo forte do câmbio tiraria o motor principal desta alta.
Anúncio do dividendo do 2º semestre: se repetir 2025, sai perto de meados de dezembro. Algo perto de R$ 2,03 por ação mantém a renda; bem abaixo, confirma o efeito do lucro menor.