Nota 7.0/10 — BOA
Canuma Capital tem 2 fundos analisados (CCME11, CCVA11). Nota média 7.0/10 (BOA).
A Canuma Capital é uma gestora independente de recursos focada em ativos imobiliários, fundada originalmente em 2015 e efetivamente retomada em junho de 2021, quando Marcelo Vainstein deixou a posição de CIO da Brookfield — onde comandou um portfólio de R$ 11 bilhões e transações de R$ 8,25 bilhões entre 2015 e 2021. Autorizada pela CVM (Resolução nº 21/21) e aderente ao Código ANBIMA de Administração de Recursos de Terceiros, a casa tem o BTG Pactual como sócio (cerca de 30% do negócio, com R$ 1 bilhão comprometido), mas preserva, por acordo, "independência total" na gestão. No mercado de FIIs listados, a Canuma gere hoje dois veículos — CCME11 (produto-bandeira, multiestratégia) e CCVA11 (single-asset de shopping) — somando algo próximo de R$ 720 milhões de patrimônio visível em bolsa, dentro de uma meta declarada de R$ 3 bilhões de AUM em cinco anos a partir do IPO (até ~2027).
O diferencial mais tangível da Canuma é o capital humano. Além de Vainstein (CEO/fundador, passagens por Deutsche Bank, JP Morgan, Morgan Stanley e Brookfield), o time reúne Felipe Vaz (Managing Partner, ex-head de análise de FIIs e REITs do Santander, mais de 10 anos de mercado), Ademilson Ribeiro (ex-head de research da Brookfield) e Eduardo Moraes (ex-Itaú BBA). É um perfil de origem institucional e de crédito imobiliário, não de varejo — o que se reflete na capacidade de originação proprietária de CRIs. A estrutura de prestadores é sólida e padronizada entre os fundos: administração e custódia no BTG Pactual e auditoria pela PwC. No track record do CCME11 desde o IPO (out/2022, que captou R$ 250 milhões, a 2ª maior 476 daquele ano), o portfólio de FIIs e ações acumulou +58,2% contra +39,5% do IFIX, batendo o índice em 97% das janelas móveis de 36 meses. Um ponto de governança digno de nota é o alinhamento: a Canuma renunciou voluntariamente a 100% da taxa de gestão sobre o montante que o CCME11 aloca no CCVA11, eliminando dupla cobrança.
A tese da casa é a de uma boutique imobiliária multiclasse, e o CCME11 é onde isso se materializa de fato: é descrito como o único multiestratégia que realmente aloca simultaneamente em CRIs, imóveis diretos, FIIs e ações. Em mai/2026, o fundo distribuía sua carteira em 44% em 17 CRIs (taxa média CDI+2,6% e IPCA+9,5%, com garantias reais robustas — Brookfield, shopping HGBS, incorporadoras pulverizadas — e zero inadimplência), 26% em imóveis diretos (KASA Vila Olímpia e a fatia do Shopping Jardim Sul via CCVA11), 8% em sete FIIs e 22% em caixa. O CCVA11, por sua vez, não é um produto autônomo de varejo: é um veículo de acesso de cota única que detém 10% do Shopping Jardim Sul (vacância 0%) e cujo único cotista é o próprio CCME11. Ou seja, os dois fundos não competem — o CCVA11 é uma engrenagem da estratégia do CCME11. Essa relação explica a dispersão de notas (7,5 para o CCME11 contra 6,0 para o CCVA11): o veículo-bandeira oferece gestão ativa diversificada e DY de 11,65% sobre cota de R$ 8,74, enquanto o single-asset entrega DY de ~6,8% e P/VP perto de 1,0, sem liquidez prática. Além dos FIIs listados, a gestora opera ainda um fundo de REITs americanos (dez/2021) e um Previdência multimercado na plataforma BTG, evidenciando ambição de plataforma para além da bolsa local.
Na prática, a exposição relevante à Canuma se dá via CCME11 — o CCVA11 não é um caminho viável para o investidor pessoa física. O CCME11 tende a fazer sentido para o investidor de FIIs que busca um veículo híbrido e ativamente gerido, com lastro forte em crédito imobiliário (CRIs) e disposto a aceitar a complexidade de uma carteira multiclasse em troca de um DY na casa de dois dígitos e de um duplo desconto (cota a P/VP ~0,83 e FIIs investidos abaixo do VP). Não é um produto de simplicidade nem de previsibilidade absoluta de renda: exige acompanhamento. O que vigiar: (i) a trajetória da inadimplência da carteira de CRIs num eventual ciclo adverso de juros e do mercado imobiliário; (ii) a sustentabilidade da distribuição mensal (R$ 0,084–0,088), já que parte do resultado recente vem de ganhos de capital e gestão ativa, não só de carrego; (iii) o avanço rumo à meta de R$ 3 bilhões de AUM, que pode pressionar a originação por qualidade; e (iv) a manutenção do nível de transparência e alinhamento à medida que a casa cresce.
Segmentos de atuação: Híbrido / Multiestratégia (CRIs, Imóveis, FIIs e Ações), Tijolo / Shoppings