RMAI11 — Labina Multi Ativos Imobiliários (ex-REAG Multi Ativos)

Multi Ativos Imobiliários — Labina (ex-REAG, ex-DOMO)

Recomendação: VENDA · Nota 4,0/10 · Cotação R$ 37,5 · P/VP 0,34 · DY 12m 8,64%

Análise e recomendação

O LMAI11 (ex-RMAI11) é um fundo multiestratégia em pleno turnaround. Em 6 meses passou por 3ª emissão de R$ 320M, troca de gestora, mudança de administrador, renomeação para Labina e dois cortes consecutivos de DPS (-17% em set/25 e -40% em dez/25, total -53%).

O P/VP de 0,34 embute desconto de 66% — atrativo para quem aposta em reestruturação. Mas 33% do PL está em ativos vagos (Galpão Campinas R$ 180M, 0% ocupação; Shopping Várzea Paulista R$ 14M, 45% ocupação em reforma) que ainda não geram receita.

O DPS atual de R$ 0,27/cota tem cobertura técnica até ~mar/2027 graças à reserva da emissão (R$ 29M), mas novo corte é provável se Campinas e Várzea não locarem. Veredicto: compra especulativa — não para quem busca renda previsível.

Tese de investimento

O LMAI11 (ex-RMAI11) é um trade especulativo de reestruturação. Cotação a R$ 37,50 contra VP de R$ 110,09 (P/VP 0,34) embute 66% de desconto, que se sustenta pela: (a) vacância de R$ 194M em Campinas + Várzea Paulista (33% do PL), (b) DPS atual em payout 105% (insustentável sem locação), e (c) histórico recente de instabilidade institucional.

A tese de compra é: se a gestora Arandu executar o mandato e locar Campinas em 12-18 meses, o DPS pode voltar para R$ 0,40+/cota e a cota reprecifica para R$ 55-70 (P/VP 0,5-0,65). O catalisador adicional é o início do ciclo de cortes da Selic (mar/2026) que tende a comprimir desconto patrimonial em FIIs descontados.

O risco central é a execução: Campinas (R$ 180M) ainda não tem contrato em negociação anunciado, e a vacância pode persistir 24+ meses, levando a novo corte de DPS para R$ 0,18-0,20. Por ser trade direcional, exige stop conceitual em novos cortes.

Para quem é

  • Investidor especulativo com horizonte 12-24 meses
  • Quem tolera volatilidade alta e DPS instável
  • Quem tem convicção na queda de Selic e desconto patrimonial
  • Quem entende multiestratégia e aceita complexidade do FoF interno
  • Quem tem espaço para ilíquidez e prazo longo de saída

Para quem não é

  • Aposentado dependente do dividendo mensal
  • Quem busca renda previsível ou crescente
  • Quem não tolera DPS oscilando entre R$ 0,27 e R$ 0,58
  • Quem precisa sair rápido — liquidez de R$ 33k/dia limita posições maiores que R$ 100k
  • Quem desconfia de FoF com partes relacionadas (Pedra Alta + Francorchamps são da mesma gestora)
  • Quem prefere FIIs de gestoras com 5+ anos sob mesma denominação (LMAI11 tem 4 meses)

Pontos de atenção e riscos

Galpão Campinas R$ 180M VAGO

Maior ativo operacional do portfólio sem locação. R$ 180M (31% do PL) sem geração. Sem contrato em negociação informado nos últimos 6 relatórios.

DPS cortado -53% em 6 meses (R$ 0,58 → R$ 0,27)

Dois cortes consecutivos pela diluição da 3ª emissão (set/25 -17%) e integração de ativos sem retorno (dez/25 -40%). Padrão típico de transição mal calibrada.

Histórico de mudanças sucessivas

DOMO FII (até 2023) → REAG Multi Ativos (2023-2025) → Labina Multi Ativos (2026+). Mudanças de denominação, ticker (RMAI11 → LMAI11), gestora (REAG Asset → REAG Gestão → Arandu) e administrador (REAG Trust → Planner) em sequência.

FoF com partes relacionadas

53% do PL em cotas de 2 FIIs (Pedra Alta + Francorchamps) adquiridos integralmente do mesmo grupo gestor. Falta avaliação independente sobre o cap rate de aquisição. Cap rate Pedra Alta (8,4%) está abaixo do mercado para BTS pós-2023.

Liquidez extremamente baixa para o tamanho do fundo

R$ 33,7 mil/dia médio em fev/26 (giro mensal 0,3%). Para fundo de R$ 581M é proporcionalmente baixo. Cotista grande não consegue sair sem mover o preço.

Vacância no Domo Corporate em 87,3% após saída da FKS

FKS Logistics rescindiu antecipadamente os conjuntos 103 e 104 (efetiva fev/26). Multas + acionamento de seguros amenizam impacto pontual, mas vacância elevada drena receita base.

Aluguéis de Assaí + ArcelorMittal não chegam ao caixa

Operações securitizadas via CRI: aluguel mensal vai integralmente para amortização do CRI. Custo médio IPCA + 8,5% a.a. e prazo médio 11,7 anos. Geração líquida do fundo vem só do Domo + Globalpack + parte minoritária — fluxo mais magro que parece.

Sustentabilidade dos dividendos

O fundo está em payout 105% nos últimos 12 meses — distribui ligeiramente acima do que gera. O caixa líquido de R$ 29M (mar/26) inclui sobras da 3ª emissão ainda não totalmente alocadas, mas ~33% do PL está em ativos vagos ou em obra (Campinas, Várzea Paulista) que ainda não geram receita. Se a locação não acontecer em 12-18 meses, o DPS atual de R$ 0,27/cota fica insustentável e novo corte é provável.

Sobre a gestora

Arandu Gestão (ex-REAG Gestão de Fundos Imobiliários) assumiu a gestão do fundo em 04/06/2025 após Consulta Formal aprovada em maio/2025 que substituiu a REAG Asset Management. A administração fiduciária mudou em 05/01/2026: REAG Trust DTVM → Planner Corretora de Valores. Histórico de mudanças sucessivas e curto track record sob a nova denominação Arandu são pontos de atenção. A gestora vinha do grupo REAG, com bom acesso a fluxo de transações imobiliárias, mas a 3ª emissão de R$ 320M para FoF interno (Pedra Alta + Francorchamps) levanta dúvida sobre conflitos de interesse com o grupo controlador.

Ver a análise completa da gestora Arandu Gestão de Fundos Imobiliários (ex-REAG Gestão) →

Conclusão

O LMAI11 (ex-RMAI11) é um caso clássico de FII multiestratégia em transformação traumática. Em 6 meses (set/2025-mar/2026), o fundo passou por: 3ª emissão de R$ 320M, troca de gestora (REAG Asset → REAG Gestão → Arandu), troca de administrador (REAG Trust → Planner), renomeação (REAG Multi Ativos → Labina Multi Ativos), mudança de ticker (RMAI11 → LMAI11) e dois cortes consecutivos de DPS (-53% no total, R$ 0,58 → R$ 0,27).

O P/VP de 0,34 (cota R$ 37,50 vs. VP R$ 110,09) é o trade central. O desconto de 66% se sustenta por dois fatores objetivos: (1) vacância de R$ 194M (Galpão Campinas R$ 180M com 0% ocupação + Shopping Várzea Paulista R$ 14M em obra com 45% ocupação, totalizando 33% do PL parado); e (2) DPS em payout 105% (distribui mais do que gera). A reserva da emissão (caixa líquido R$ 29M em mar/26) sustenta o DPS por mais 12-18 meses, mas a trajetória depende exclusivamente da execução do plano de locação.

Há também um ponto de atenção institucional: conflito potencial no FoF interno (Pedra Alta + Francorchamps) — 53% do PL aplicado em FIIs do mesmo grupo gestor REAG/Arandu, com cap rate de aquisição (8,4% no Assaí BTS) abaixo do mercado para o segmento. A securitização via CRIs vinculados aos imóveis Assaí e ArcelorMittal significa que os aluguéis desses ativos não chegam ao caixa do fundo — o cotista vê apenas o equivalente em cotas dos FIIs. A geração líquida real vem só do Domo Corporate + Globalpack + parte minoritária (Várzea, Jarinu pós-carência).