Recomendação: MANTER · Nota 6,1/10
O BTRA11 é o Fiagro de terras agrícolas do BTG Pactual — modelo Sale & Leaseback com cessão de direito real de superfície (DRS) sobre fazendas produtivas, todas com opção de recompra em favor do antigo proprietário. Em jan/2026 o fundo foi convertido de FII para Fiagro de Responsabilidade Limitada (mesmo CNPJ 41.076.607/0001-32), ampliando o universo de alocação. Em 01/06/2026 a cota fechou a R$ 60,36 contra VP/cota de R$ 115,67 (abr/26), o que coloca o P/VP em 0,52 — desconto patrimonial de ~48%, um dos maiores do segmento. O DY 12m está em 16,49% com DPS de R$ 0,90/cota.
A tese é de turnaround com catalisadores concretos: após inadimplências, hipotecas não autorizadas e disputas de posse em 4 dos 6 ativos originais, a gestão reverteu decisões judiciais, reintegrou posses e vendeu fazendas com lucro (Vianmacel, Rui Prado, Hendges e metade da Três Irmãos), gerando lucro líquido de R$ 37,5 mi em 2025 (R$ 11,14/cota, vs R$ 16,5 mi em 2024). Restam R$ 122,4 mi a receber em parcelas de vendas contratadas e R$ 22 mi de caixa, parte já alocada em cana-de-açúcar (FIDC de R$ 40,2 mi via ACP Bioenergia). O contraponto: o DPS de R$ 0,90 não é plenamente recorrente — a receita imobiliária mensal caiu para perto de zero (as fazendas geradoras foram vendidas) e a distribuição hoje vem de receita financeira do caixa + reserva acumulada. Recomendação: MANTER — deep value com margem de segurança rara, mas exige tolerância a liquidez baixa (ADTV R$ 0,2 mi/dia) e ao risco de que a distribuição normalize bem abaixo dos 16% atuais quando a reserva e as parcelas de venda se esgotarem.
A tese do BTRA11 combina três fatores: (i) desconto patrimonial significativo (P/VP 0,52, ~48% abaixo do VP de R$ 115,67); (ii) distribuição elevada de curto prazo (DY 16,49%, DPS R$ 0,90) amparada por reserva acumulada de R$ 13,44/cota e R$ 122,4 mi de contas a receber de vendas já contratadas; e (iii) turnaround com execução comprovada da gestão BTG, que reverteu disputas judiciais e vendeu fazendas com lucro (lucro líquido 2025 de R$ 37,5 mi).
O ponto crítico é o caráter não recorrente da distribuição atual: vendidas as fazendas geradoras de aluguel, a receita imobiliária recorrente caiu a zero e o DPS de R$ 0,90 vem hoje de receita financeira do caixa + amortização de reserva. Para que a tese se sustente no médio prazo, a gestão precisa realocar o caixa (R$ 22 mi) e as parcelas de venda em novas operações geradoras de renda sob o mandato Fiagro ampliado — a alocação em cana (ACP Bioenergia, R$ 40,2 mi) é o primeiro teste dessa capacidade. É uma aposta de deep value: paga-se R$ 0,52 por R$ 1,00 de patrimônio, com a maior parte desse patrimônio em recebíveis contratados e ativos financeiros, mais palpáveis que terras a marcação de mercado.
O BTRA11 (BTG Pactual Terras Agrícolas Fiagro) fecha jun/2026 com PL de R$ 383,9 milhões, 11.099 cotistas, 3.339.029 cotas e cota de R$ 64,81 (23/07/2026) contra VP/cota de R$ 114,97 (jun/26) — P/VP de 0,56, ainda um dos maiores descontos patrimoniais do segmento. O fundo nasceu em jul/2021 com tese de Sale & Leaseback de 6 fazendas, enfrentou adversidades severas em 4 dos 6 ativos originais (inadimplências, hipotecas não autorizadas, disputas de posse) e executou um turnaround expressivo: lucro líquido de R$ 37,5 milhões em 2025 (R$ 11,14/cota), R$ 222,8 milhões em vendas contratadas e R$ 100,5 milhões já recebidos.
O panorama mudou materialmente em jun/2026. A gestão declarou encerrado o período de sanitização: (i) Colibri teve a hipoteca fraudulenta resolvida definitivamente; (ii) Fazenda JR teve sua desocupação voluntária confirmada pela Felícia para 03/08/2026; e (iii) o fundo realizou nova alocação de R$ 85 milhões em fazendas de café em Minas Gerais (937 ha). Com isso, a receita recorrente estimada saltou de quase zero para ~R$ 0,73/cota/mês (café + cana + Vianmacel), reduzindo o gap com o DPS de R$ 0,90 para ~R$ 0,17/cota. O resultado caixa de jun/26 já refletiu esse progresso: R$ 2,583 mi (R$ 0,77/cota), contra R$ 0,23-0,33/cota dos meses anteriores. Os riscos remanescentes são: liquidez ainda modesta (ADTV R$ 0,3 mi), concentração de cotista (1 PJ com 24,47%) e a necessidade de confirmar que as novas alocações (café e cana) entregam o retorno projetado.
Olhando para frente, o BTRA11 passou de 'promessa de realocação' para 'execução em andamento'. A favor: P/VP de 0,56 com patrimônio observável em expansão (recebíveis + café + cana + caixa), receita recorrente de R$ 0,73/cota em consolidação, JR prestes a ser retomado (arrendamento conservador adicionaria R$ 0,04-0,05/cota/mês), reserva realizável de R$ 3,46/cota e gestão BTG com track record comprovado. Contra: café e cana ainda são alocações recentes sem histórico de desempenho dentro do fundo; caixa enxuto (~R$ 10 mi) limita novas alocações até os recebimentos de vendas. Para o investidor tolerante a risco e iliquidez, o BTRA11 é hoje uma tese de valor com execução real em curso — a recomendação é manter posição moderada (3-5% da carteira), monitorando a entrega operacional de café e cana nos próximos trimestres.
Recomendação atual: MANTER. Nota 6,1/10. O BTRA11 é o Fiagro de terras agrícolas do BTG Pactual — modelo Sale & Leaseback com cessão de direito real de superfície (DRS) sobre fazendas produtivas, todas com opção de recompra em favor do antigo proprietário. Em jan/2026 o fundo foi convertido de FII para Fiagro de…
Nossa leitura atual do BTRA11 é “MANTER”. Nota 6,1/10. Avalie conforme seu perfil de risco e os pontos de atenção listados acima.
Os principais pontos de atenção do BTG Pactual Terras Agrícolas FIAGRO incluem: Renda recorrente em reconstrução — gap entre geração (R$ 0,73/cota) e distribuição (R$ 0,90); Histórico judicial pesado em 4 dos 6 ativos originais; Liquidez baixa (ADTV ~R$ 0,3 mi/dia); Concentração e cotista relevante de 24,5%.
O BTRA11 é indicado para: Investidor tolerante a risco que busca exposição a terras agrícolas reais com desconto patrimonial explícito (P/VP 0,52) e NAV em boa parte observável (recebíveis + caixa) Perfil que acredita em turnaround liderado por gestor de primeira linha (BTG) e aceita que parte do retorno vem de ganhos de capital de vendas Investidor isento…